Livros a mancheia na zona norte

Estado ganha mais um evento de porte ligado à literatura, desta vez  envolvendo um público potencial de um milhão de pessoas. I Expolivro Zona Norte, que começa em 28 de maio, abrange cidades mais populosas da região metropolitana

A região metropolitana vai ganhar mais um grande evento na área da literatura. A Câmara Rio-grandense do Livro e o Rotary Club Passo d'Areia estão promovendo a organização da I Expolivro Zona Norte, que inicia no dia 28 de maio e se estende até 6 de junho. A feira está direcionada para os bairros que compõem a região norte de Porto Alegre e cidades vizinhas, como Alvorada, Canoas, Cachoeirinha e Gravataí. O público potencial do evento está estimado em um milhão de pessoas.

Segundo Paulo Flávio Ledur, presidente da Câmara Rio-grandense do Livro, o evento vai seguir os moldes da Feira do Livro de Porto Alegre, que completa 45 anos em 1999 (leia matéria abaixo). Haverá 50 expositores, programação de cursos e oficinas e atrações culturais, como um show do grupo Tchê Barbaridade na abertura da feira. "Também estarão lá os aguardados balaios com saldos, que agradam por aliar o prazer da leitura aos bons preços", completa Ledur.

Aexemplo da Feira do Livro, a I Expolivro terá também um padrinho ilustre (na feira há um patrono). Na primeira edição, o agraciado é o escritor catarinense e gaúcho honorário Donaldo Schüler, entre outros autor do romance O homem que não sabia jogar (1998) e de A Poesia Modernista no Rio Grande do Sul (1982). Schüler mora no Jardim Itati, na zona norte da capital. "Admiro a tranqüilidade e a arborização abundante do bairro, que convivem pacificamente com as facilidades de um comércio completo", salienta o escritor.

Feiras de livro, por sinal, são uma das tradições mais fortes do Rio Grande do Sul. Cada cidade de porte médio ou grande tem a sua. Além disso, as escolas também fazem as suas promoções nos inícios de ano para incentivar a leitura entre os alunos. A tradicional livraria do Globo, de Porto Alegre, é uma das mais atuantes nesse mercado. "Queremos dinamizar as feiras das escolas e fixar esses eventos como acontecimento cultural e de mercado", explica a professora e escritora Marô Barbieri, consultora técnica da Globo.

Ela acha que as feiras são importantes como suporte para a comercialização de livros. "Se a televisão e o vídeo têm fortes suportes de marketing para serem consumidas, por que o livro também não pode ter?", indaga a escritora. Para ela, é necessário romper com o "romantismo" que cerca a literatura. "Temos de reconhecer que a literatura passa necessariamente pela compra e venda de livros", sugere Marô.

 

Feira de Porto Alegre comemora 45 anos

A Feira do Livro de Porto Alegre completará 45 anos no dia 29 de outubro, quando a sineta soará na praça da Alfândega marcando a abertura da mais tradicional atividade cultural da capital. O tema deste ano - Os 500 anos do Descobrimento do Brasil - não é lá muito original, é verdade, mas o slogan pelo menos remete a uma das funções mais nobres da leitura: "ler é descobrir". A feira inicia no dia 29 de outubro e se estende até 15 de novembro.

Nos seus 45 anos de atividade, a Feira sempre se caracteri zou como uma festa popular sem distinção de público. Realizada em meio às árvores da Praça da Alfândega, a feira tem arrancado elogios dos seus convidados justamente pelo aspecto democrático de sua programação. "O que eu gosto é que a feira é aberta. Aqui qualquer um pode vir. Não é preciso pagar entrada", salienta o escritor argentino Federico Andahazi. O português Urbano Tavares também salienta o aspecto democrático da feira. "É uma alegria para mim verificar a vivência da democratização da cultura que há em Porto Alegre", diz.

Na próxima edição, anunciada no final de abril pela Câmara Rio-grandense do Livro, estão previstos 1,6 milhão de visitantes em 18 dias de feira. As vendas estimadas pela Câmara chegam a 450 mil unidades e as sessões de autógrafo passam de 380. Haverá 15 autores estrangeiros participando da programação. Estão previstos 161 estandes entre barracas de livros nacionais, estrangeiros, infantis e praça de alimentação. Na primeira feira havia 14 barracas de livros.

 

O que eles dizem da feira


"Esta é uma das maiores feiras de todos os tempos"

Luiz Fernando Veríssimo, escritor e colunista do Extra Classe

"É uma feira que conta com a simpatia do povo, que segue com interesse tudo o que acontece. É um clima muito agradável para qualquer escritor."
Antônio Skármeta, escritor chileno

"É uma feira aberta. As pessoas manuseiam os livros. Têm uma relação íntima com os livros."
Calane da Silva, escritor moçambicano

"É extremamente interessante esta feira ser feita ao ar livre, numa praça tão bonita, num ambiente lúdico, em que se integram a natureza, a paisagem urbana e a criação literária."
Jorge Couto, escritor português

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