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Conceitos
básicos de sociedade e cultura - 6
Barbosa
Lessa
Relembro
a definição de Sociedade, que já lhes repassei,
servindo-me do mestre Emilio Willems: Conjunto de indivíduos
de ambos os sexos e de todas as idades, permanentemente associados
e equipados de padrões culturais comuns, próprios
para garantir a continuidade de todo e a realização
de seus ideais. Esses padrões culturais comuns a
todos, encontráveis mesmo nas tribos mais primitivas, são
tecnicamente chamados de Universais. São a língua
materna, a aparência das moradias, as peças dos artesãos
produzindo coisas úteis, o comportamento diante dos altares
consagrados aos deuses, etc. E cumpre fazer um comentário
acerca de todas as idades. Não havia um estágio
jovem na evolução etária do indivíduo.
A criança era livre e irresponsável até o
momento em que por determinação fisiológica
se via enfrentando os ritos de passagem e instantaneamente
transferida para a categoria de adulto. Por outro lado, reconhecia-se
um estágio posterior à velhice: a vida na morte.
Os mortos eram convidados para as cerimônias tribais, intercediam
junto aos deuses, davam conselhos, enfim animavam todos os rituais
de magia.
Além
dos Universais, havia as Especialidades, compartilhadas por todos
os indivíduos de uma mesma categoria. Por exemplo, os conhecimentos
práticos reservados às mulheres no tocante aos cuidados
das crianças e ao preparo de alimentos. Universais e Especialidades
formavam o núcleo, coeso, do grupo local. As normas eram
transmitidas com clareza pela Família, ditadas pela Tradição
e quase sempre apoiadas pelos santos e outras super-entidades
imateriais. E assim se completava o panorama da Cultura Espontânea.
Ao
ocorrer o aparecimento da escrita fonética (imitando os
sons da fala humana) e o impacto dos tipos móveis de Gutenberg
imprimindo cópias e mais cópias de determinada mensagem,
o panorama se modificou profundamente. A principal fonte de comunicação
se transferia da família para a Escola. O indivíduo
letrado desgarrava-se do grupo local a que pertencia e, a cada
novo livro lido, novas Alternativas de comportamento iam sendo
sugeridas para gravitarem em torno dos Universais e Especialidades.
Os mitos, antes pertencentes a um mundo imaginário, passaram
a ser figuras de carne e osso: os heróis nacionais. Ao
lado do artesão, produtor de coisas úteis, foi ganhando
aplauso o artista, produtor de coisas belas. E fortes aplausos
para o professor, o inventor, o escritor, o orador, levaram em
frente a Cultura Cultivada. Em que o pobre do analfabeto só
valia pela força animal de seus braços.
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