Disputa de poder e vaidades pessoais marcaram as recentes eleições das novas lideranças do Congresso Nacional (Senado e Câmara Federal). O Brasil inteiro assistiu durante os meses que antecederam as eleições, impassível e impotente, aos atos de bravata e pavoneamento típicos de dois “coronéis” dos tempos em que se amarrava cachorro com lingüiça. Antônio Carlos Magalhães e Jáder Barbalho, pólos exponenciais dessa atribulada disputa pelo comando das principais casas parlamentares do País, estão mais preocupados em manter seus escaninhos decisórios e poder de fogo, prevendo uma nova disputa à Presidência da República. O que ficou claro durante todo o desenrolar desses episódios é que todos os envolvidos, incluindo a cobertura da imprensa diária, tediosa (quando não tendenciosa), foi que todos estavam pouco se lixando para o povo, aquele mesmo povo que elegeu toda essa gente com o sagrado poder do voto popular e em nome do qual, apenas isso, todos esses parlamentares desfrutam de tal poder naquela terra esquecida por Deus chamada Brasília. A tradução desse esquecimento das bases pela imprensa simplesmente não aconteceu, não há um artigo, uma frase de reportagem lembrando o fato de que aqueles parlamentares estão lá por soberana vontade popular e que seria bom, de vez em quando e só para variar, escutar um pouquinho a opinião dessa gente que anda pelas ruas e estrada do País, às vezes em um carro popular, muitas outras em veículos de transporte coletivo superlotados, quando não a pé, apenas para saber, assim meio por acaso, o que essa gente pensa de todo esse carnaval sucessório na capital do Brasil.
Parece, no entanto, a julgar pela postura de boa parte desses parlamentares falastrões e com ares de gângsteres caboclos, que o povo não significa nada e que eles não estão lá por um processo de delegação de poder através de eleições livres, pluralistas e democráticas. Parece, isso sim, que eles estão lá por uma mítica conquista própria e pessoal, transformando o que deveria ser um amplo espaço democrático para debate das principais questões nacionais em um cirquinho de vaidades pessoais, reduzindo o Congresso Nacional a uma rinha de galos de fundo de quintal nordestino.

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