Em busca
da globalização do bem
Foto:
René Cabrales
A
economia solidária foi um dos grandes temas do Fórum
Social Mundial 2002, realizado, de 31 de janeiro a 05 de fevereiro,
em Porto Alegre. Especialistas dos quatro cantos do planeta
apontaram a importância de se desenvolver uma prática
alternativa de trabalho e renda, que se oponha à lógica
neoliberal, essa última voltada exclusivamente ao mercado.
Entre tantas iniciativas apontadas e discutidas durante o Fórum,
a proposta economia solidária é uma das poucas
que já está em prática, recebendo considerável
destaque mesmo em países desenvolvidos como França
e Espanha. Considerada como uma das possíveis saídas
para o estabelecimento da chamada globalização
do bem, a economia solidária aparece como resposta à
crescente desumanização da economia, resultando
no aumento da pobreza e das desigualdades sociais. Estabelecida
na Europa do início do século 19, a idéia
da economia solidária passou a ganhar força apenas
há três décadas, com o surgimento da chamada
economia neoliberal.
Ana
Esteves
ntre
gritos de protesto contra a globalização e o neoliberalismo,
a ALCA e todos os tipos de discriminação, segregação
e exclusão, entre as passeatas feministas pela legalização
do aborto e de palestinos pela libertação da Terra
Santa, entre tantas outras manifestações que movimentaram
o II Fórum Social Mundial, se ouvia também a voz
de quem sabe, na prática, que uma outra economia é
possível. Por meio da economia solidária, trabalhadores
do mundo inteiro estão experimentando uma nova alternativa
de renda e emprego, que não busca o lucro capitalista
e que se opõe à economia neoliberal. A chamada
economia humana propõe que os cidadãos
se reapropriem das atividades de produção, de
divisão e troca, indo de encontro às leis de mercado.
Por tudo isso, a economia solidária é considerada
como um grande passo no sentido de criar uma outra globalização:
a do bem.
O projeto de economia solidária está reforçando-se
em todo o mundo, representando um avanço para a construção
do Estado Social, uma alavanca para a redemocratização,
através da globalização da solidariedade,
afirmou o sociólogo francês, representante do Centro
de Pesquisa e Informação sobre Democracia e Autonomia
(Crida), Jean Louis Laville. Ele foi um dos palestrantes da
conferência sobre o tema, ocorrida no dia 01 de fevereiro
durante o Fórum (realizado de 31 de janeiro a 05 de fevereiro,
em Porto Alegre). Laville destacou que a originalidade da economia
solidária está na capacidade de resistir e construir,
contestar e propor, assim como ligar a crítica à
globalização às práticas de cidadania
econômica no cotidiano. E desta forma construir
uma outra globalização, com um pensamento solidário
nos âmbitos econômicos, criar novos serviços
e novos intercâmbios.
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