A história das alternativas viáveis

O sociólogo Jean Laville aproveitou a conferência para traçar uma linha de tempo da economia solidária, que segundo ele já era praticada na Europa do início do século 19, quando foram criadas as primeiras associações. Elas reuniam trabalhadores do campo e da cidade que tinham como objetivo defender e reivindicar direitos mutuamente. “Desde então, para enfrentar problemas sociais criados pelo mercado, essas ações mostraram que um outro princípio econômico podia ser mobilizado”, declarou. Nesse contexto se confirmou que a solidariedade vinha da ação recíproca entre cidadãos livres e podia ser um princípio econômico contra o princípio liberal.

Laville conta que as experiências foram reprimidas na segunda parte do século, mas deixaram suas marcas. Elas contribuíram também para construir um estado de direito em que a solidariedade cada vez mais transformou-se em sinônimo de distribuição de renda. Fruto disso, o projeto de economia solidária foi progressivamente esquecido. Apenas retornou à agenda de setores sociais há duas ou três décadas, com o surgimento da economia neoliberal. “Muitos apoios se mobilizaram contra este movimento, para mostrar que era possível criar serviços por meio de cooperação. Os chamados “Serviços de Proximidade” se desenvolveram na Europa a partir do envelhecimento da população e da profissionalização das mulheres. Depois, com o desemprego e a exclusão social, surgiram outras práticas “com a finalidade de reintegrar na economia pessoas que tinham sido excluídas”.

Ele ressaltou também, a existência de práticas de economia solidária que criticam a utilização que é feita da moeda e das finanças. Muitas organizações tentam criar redes de intercâmbio que não passam necessariamente pela moeda e permitem refundar relações sobre a proximidade e a cooperação. Também há redes que se organizam para promover uma contra-utilização do dinheiro, “para que as finanças possam ser utilizadas de forma solidária, sobretudo em benefício de pessoas que não têm acesso a financiamento bancário”, completou.

 

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