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Agora chega!
Nei
Lisboa
Quero
fazer campanha pro Lula esse ano até entre a cachorrada
aqui da rua que, se não vota, pelo menos faz (os meus principalmente)
um barulho danado. Vivi toda a minha vida na expectativa da esquerda
tomar o poder nesse país e fazer algo na direção
de torná-lo menos miserável e injusto. Já
se vão quatro décadas desde que essa última
casta de oligarcas embarcou no Planalto pela mão dos milicos
e não desembarcou mais. Agora chega. Vamos ganhar esta
eleição. E digo esta, não a de 2006 ou 2010,
porque tem que ser agora, tem que ser antes da ALCA, tem que ser
antes que nos assaltem a alma, como na Argentina, e que não
sobre mais país pra se governar. Tem que ser agora, tem
que ser no voto, tem que ser na raça, na inteligência,
tem que ser mostrando todos os furos da direita, toda a pilantragem,
a perfídia, a burrice e a subserviência que nos legou
esse continente de fome, de doença, de violência.
Coisa que muito vi na vida, também (e quem não viu?),
foi a esquerda derrotar-se a si mesma em disputas fratricidas
e por vezes fictícias - questiúnculas elevadas ao
centro do debate, vaidades ideologizadas - junto a uma tremenda
inabilidade em focar o poder, a vitória eleitoral, como
objetivo maior, talvez por hábito arraigado nos tempos
em que isso era apenas um sonho proibido. É preciso construir
a vitória, antes de mais nada, amparada na certeza de que
as melhores intenções e proposições
são e serão as nossas, de nós todos, desse
Nós imenso que acreditamos nas largas bandeiras da democracia,
da igualdade e da justiça social e que podemos exibir as
atitudes do passado como comprovação. Porque se
assim nos balizarmos, de coração e de fato, não
há de faltar desprendimento e lucidez para discutir, detalhar
e aprimorar projetos e práticas de administração
a cada instante e ao longo do caminho. Como escreveu o Saramago,
para o Fórum Social, o ideário pelo qual a esquerda
parece ansiar como um passado desaparecido e que tanto lhe é
cobrado - ora, já está todo prontinho, bem detalhado
e redigido há mais de cinqüenta anos na Declaração
Universal dos Direitos do Homem. O resto é farofa e banana
frita, se tiver pra acompanhar, melhor.
Então, vou fazer campanha pro Lula e pro PT como nunca,
e ainda mais contente estarei se avistar na trincheira extratos
do PDT, do PMDB, e de outros tantos partidos, desde que eu possa
reconhecer como gente que sempre lutou, resistiu, sonhou pelo
Bem. Vou fazer campanha quase como louco. A não ser, é
claro, que me digam que votando no PT tenho que votar também
no PL. Porque, puxa vida, louco varrido não sou não,
se esperei todos esses anos certamente não foi pra votar
em quem apoiava a ditadura, que espécie de vitória
pensam que seria isso? Perto dessa idéia, sou mais eu e
mais são planejando a campanha de 2014 com a cachorrada
da rua.
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