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A
aventura da democracia mais uma vez coloriu o Brasil nos últimos
meses com a batalha eleitoral por prefeituras e postos de vereança.
O saldo final de todo o processo é, mais uma vez, positivo
em sua globalidade. Nada mais salutar que o exercício da
cidadania livre de empecilhos e cabrestos. Nada mais educativo
para um povo que o livre e soberano exercício da democracia.
Num país de constantes desvios políticos com longos
e obscuros períodos de olvidamento dos mais elementares
princípios democráticos, a sensação
que nos fica após cada eleição é de
que nesse processo estamos aprendendo e, muitas vezes, praticamente
começando de novo. O meritório nisso tudo é
a capacidade crescente da população em discernir
entre intenções políticas sérias e
fundamentadas e candidatos falcatruas, sempre de plantão
e afim de descolar uma boquinha. E não são
poucos os que ainda vêem a carreira política como
uma maneira de se dar bem e conseguir abocanhar uma
parte, mínima que seja, do poder para advogar em causa
própria ou exercitar um corporativismo escandaloso em vez
de exercer seu mandato para e pelo povo como prevêem
os fundamentos básicos das instituições democráicas.
Felizmente, cada vez mais um número maior de pessoas tem
aprendido a descartar oportunistas assim como vamos aprendendo
a separar o lixo orgânico do reciclável, a exigir
um mundo mais justo e humano, apesar da crescente violência,
para nós e nossos pósteros. As poucas notas lamentáveis
de algumas campanhas da última eleição, assim
como em eleições anteriores, ficam ainda por conta
de alguns candidatos anacrônicos e visivelmente despreparados
para o jogo limpo e pleno da democracia. São nomes muitas
vezes (mal) acostumados a um processo eleitoral hipócrita
que perdurou no Brasil durante o último e massacrante período
de exceção que o Brasil teve de suportar por 20
anos a partir de 1964. Felizmente, ainda, tais candidatos revelam-se,
como os dinossauros, verdadeiros exemplares de uma raça
em extinção. Devem, assim, ir sumindo aos poucos,
ganhando votos de apenas alguns incautos ainda desavisados de
sua condição de peças absolutamente inúteis
no processo evolutivo da democracia. Espera-se que chegue o dia
em que tais candidatos serão apenas uma pálida lembrança
de tempos ruins. Bom será o dia em que pudermos dizer,
sem qualquer ponta de saudade: Lembra do tempo em que os
parlamentos eram redutos de corruptos e oportunistas?
Ao mestre,
com carinho
O compositor
baiano Tom Zé, um dos nomes que ajudaram a construir o
movimento tropicalista no Brasil no final dos anos 60, sucesso
entre a nova geração, como comprovou o Bar Opinião
lotado em outubro, dedica seu novo disco, que será lançado
neste mês de novembro, a seus professores. Não apenas
mas coincidentemente também por isso ele será personagem
principal das páginas centrais da próxima edição
do Extra Classe em nossa habitual entrevista falando não
só de música mas da cultura brasileira em geral.
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