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A Bienal
é o que sobrou do Mercosul
Foto: René
Cabrales
A
tendência da atual Bienal é de conquistar um público
maior do que em edições anteriores, não apenas
pela gratuidade do ingresso, mas sobretudo por um evidente e crescente
interesse das pessoas pelo evento. Um bom termômetro dos
primeiros dias de Bienal foram as performances realizadas no Hospital
Psiquiátrico São Pedro, que reuniram quase 10 mil
pessoas. Grande parte desse público não freqüenta
o circuito habitual de arte, é um público novo que
se dispõe a receber coisas novas, tem coragem de ver uma
manifestação de arte contemporânea mesmo dentro
de um espaço que muitas vezes gera medos e preconceitos,
como é o caso do São Pedro, analisa Ecléa
Cattani, para quem o importante é a manutenção
permanente dos espaços conquistados pela Bienal. É
preciso reparar nessa capacidade da Bienal de repensar um pouco
a própria cidade. É preciso mais mobilização
da população no sentido de que esses espaços
sejam mantidos.
Para a artista plástica Maria Tomaselli, o destaque da
atual edição é a Cidade dos Contêineres.
É uma maravilha em termos de construção
de proposta, Os elevadores tornaram a cidade acessível
aos deficientes, diz ela. Mas observa e se ressente da falta
de uma poética maior nas obras. São muitas
revoltas, acusações, denúncias e tristezas.
Mas, afinal, o mundo atual é isso, constata. Para
Maria Tomaselli, a Bienal tem importância como evento especialmente
por ser uma marca quase nostálgica. A
Bienal é o que sobrou do Mercosul, diz ela numa referência
à deterioração econômica da região
e dos planos de uma região sem fronteiras. A Bienal
permanece como lembrança de uma utopia.
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