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Universidades
comunitárias aperfeiçoam a democracia
Foto: René Cabrales
O
segundo semestre de 2001 será marcado por eleições
para reitor em três universidades comunitárias do
Rio Grande do Sul. Unijuí, Unisc e Unicruz vão escolher
seus reitores em eleições abertas dentro de um processo
de democracia que envolve não apenas a comunidade acadêmica,
mas a totalidade das comunidades ligadas àquelas instituições
de forma geral, simbolizadas por suas entidades mais representativas.
Enquanto diversas comunitárias tratam de sedimentar um
ambiente democrático, seja pela eleição direta
de suas administrações, seja pela adoção
de medidas e programas que incentivem a participação
das comunidades em seus processos decisórios, outras instituições
ainda não conseguiram dar um encaminhamento satisfatório
a esta questão. Nessas instituições, a democratização
plena tem sido uma exigência tanto por parte dos seus integrantes
representados por professores, alunos e funcionários quanto
por parte da comunidade em que se inserem e de suas entidades
representativas.
A fase que antecedeu as eleições na Unijuí
e Unisc pautaram-se pela participação ativa das
comunidades nos debates sobre as propostas dos candidatos, em
ambos os casos, em chapa única. A eleição,
realizada na Unijuí no último dia 30 de outubro,
reconduziu ao cargo a reitora Eronita Barcelos. O processo eleitoral
na Unijuí tem participação de professores,
alunos, funcionários e representantes da comunidade. A
votação respeita critérios de proporcionalidade
(docentes, 50%; funcionários, 20%; alunos, 20%; comunidade,
10%). Apesar da chapa única, o processo eleitoral na Unijuí
revelou um grande interesse da comunidade sobre as propostas para
um novo período administrativo. A reitora Eronita Barcelos
participou de debates internos e externos sobre suas proposições,
em manifestações que se estenderam para além
dos limites da universidade, atingindo inclusive cidades próximas
a Ijuí que sediam unidades de ensino da instituição.
É um fator importante saber que a comunidade não
abre mão do seu direito de debater os rumos de sua universidade,
observa Eronita Barcelos.
As universidades comunitárias são um verdadeiro
patrimônio da sociedade rio-grandense, avalia Marcos
Fuhr, diretor do Sinpro/RS. Fuhr lembra que as comunitárias
são de extrema importância ao suprirem suas comunidades
locais de educação superior, face à omissão
do poder público. Para ele, a gestão democrática
destas instituições é uma questão
de coerência tendo em vista sua natureza jurídica
e seu perfil de instituição pública. A
gestão democrática nas universidades comunitárias
deve contemplar a inserção dos segmentos organizados
da comunidade, afirma.
Nesse cenário, além de algumas instituições
reconhecidamente democráticas, existem situações
em que a instituição é quase uma empresa
familiar, além de outras cuja gestão está
limitada a um grupo muito restrito.
Com eleições para reitor agendadas para os dias
10, 12 e 13 de novembro, a Unisc procura aprimorar o clima de
democracia que tem norteado a instituição. Candidato
à reeleição, Luís Augusto Campis diz
que o processo eleitoral da Unisc é um dos mais representativos
dentre as universidades comunitárias gaúchas. Enquanto
lança a campanha de sua chapa, a única que concorre
este ano, Campis diz que procura manter encontros com alunos,
docentes e funcionários para expor seus planos para o próximo
período. Nas eleições da Unisc, votam professores,
alunos, funcionários e os integrantes da assembléia
comunitária formada por 72 entidades que vão
de sindicatos de trabalhadores rurais à prefeitura municipal,
passando por clubes e associações.
Campis acredita que da próxima eleição devem
participar mais de 11 mil pessoas e lembra que o fator de proporcionalidade
dos votos é um incentivo à participação.
Na Unisc, votos de alunos têm representatividade de 40%.
É o percentual mais alto do Estado, afirma
o reitor. Como reconhecimento ao seu processo de democratização
e profunda inserção na comunidade, a Unisc recebeu,
em 1998, o Prêmio Educação RS, em sua primeira
edição, concedido pelo Sinpro/RS.
Em Cruz Alta, a eleição para a reitoria da Unicruz,
marcada para o dia 9 de novembro, está sendo precedida
de um acirrado debate entre as duas chapas inscritas expresso
nas páginas dos jornais da região numa troca de
notas oficiais entre os grupos liderados por Lúcia Maria
Baiochi do Amaral, atual reitora e candidata à reeleição,
e Rui Luft, candidato a reitor pela chapa de oposição.
O acirramento da disputa culminou com o pedido de impugnação
da chapa de Lúcia Baiochi do Amaral pela oposição
sob a alegação de que, pelo estatuto da universidade,
a atual reitora não poderia concorrer a um novo mandato.
O pedido não foi aceito.
Em contrapartida, a chapa liderada por Rui Luft acabou sendo impugnada
pelo Conselho Universitário quando da reunião para
homologação das chapas em 12 de outubro. O Conselho
entendeu que a chapa de oposição não cumpria
o previsto pelo estatuto, pois Rui Luft não tinha os dois
anos de efetividade na universidade para concorrer à reitoria.
Luft entrou com recurso judicial e obteve liminar.
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Divulgação
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Eronita
Barcelos foi reconduzida ao cargo de reitora da Unijuí
em uma eleição sem concorrentes, porém
com intensa participação da comunidade |
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Desde que a instituição foi reconhecida como
universidade, em 1993, a eleição dos reitores sempre
foi democrática, diz a atual reitora, Lúcia
Baiochi do Amaral, reconhecendo que há espaço para
ampliação desse processo de democratização
porque a aquisição de conhecimento e a transformação
dos valores da sociedade levam a isso. Não fizemos
alterações no estatuto este ano justamente por se
tratar de um ano eleitoral, mas uma de nossas metas é o
aperfeiçoamento democrático.
Saímos candidatos com uma proposta alternativa não
muito bem recebida pela atual reitoria que quer, a todo preço,
se manter no poder, avalia Rui Luft, candidato da oposição.
Sobre a impugnação de sua chapa, Luft diz que foi
uma impugnação absurda, por isso recorremos ao Judiciário.
O problema, insiste Luft, é que a universidade se
apresenta com duas versões do estatuto, da mesma data,
ambas assinadas pela atual reitora. Uma delas permite a recondução
por duas vezes consecutivas à reitoria, a outra não.
Além disso, garante Luft, foi constatada adulteração
do livro de atas da Assembléia Geral da universidade para
que fosse feita uma adequação à versão
do estatuto que beneficiaria, em tese, a atual reitora.
Tudo está nas mãos do promotor de Justiça
para que tome as devidas providências, informa.
Atualmente, na eleição para reitor da Unicruz, votam
todos os professores, líderes de turmas e presidentes dos
DAs, presidente do DCE, conselheiros e representantes da comunidade
no conselho universitário.
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