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Imagine
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Elisa
Lucinda
O
atentado acertou em cheio o quesito modernidade do inimigo, num
estilo artesanal. Vamos admitir, é muito moderno e sofisticado
fazer gasolina virar bomba e velocidade de avião virar
míssil.
Reflito, às vezes dói tanto meu peito que quero
beijar essa nação que não é querida
por proezas metafísicas nem admirada por sua humanidade.
Ao contrário, é uma sociedade repelida e antipatizada
pelo seu sentido egóico, que literalmente caga para o bem-estar
de outros povos. E aí, meu sentimento solidário
mundial fica dividido no fundo de cada que pena, de
cada I´m sorry. No fundo ouve-se dentro de mim:
bem-feito, fuck you, fuck you. Aí, acordo e
me arrependo: Não ! Vou mandar uma mensagem de conforto
para esse povo. São mães e pais perdendo filhos.
Alguém cochilou no Pentágono e são amigos
perdendo seus irmãos, amores perdendo seus portadores,
gente linda que sonhava com um mundo melhor, morreu no ar no meio
da tripulação, no chão indo às compras,
fazendo ginástica em algum lugar do WTC, um militar que
era liberal, que sonhava imprimir uma democracia dentro do Pentágono,
um outro de direita, mas que era um excelente avô para o
seu neto. Não, essa gente morreu porque um louco sem antídoto,
que saiu de casa vestido para morrer, reuniu seus amigos, Kamikazes
de doer, e foram brincar do irreversível, numa operação
onde seus autores nem ficam para aplaudir os resultados. Soldado
de guerra santa!? E onde já se viu um adjetivo tão
antônimo? Não, isso não vai ficar assim, vou
mandar um telegrama para eles: Meus amigos americanos, apesar
das tragédias, fiquem tranqüilos, Deus os ama Bin
Laden
Juro que no começo era sincero, mas não resisti.
Perco o inimigo, mas não perco a piada.
De qualquer modo, a dor da humanidade diante da guerra é
real. A guerra, seja em qualquer assunto, conjugal, amigável,
profissional, nacional, familiar ou internacional, não
tem escrúpulos e sua lógica oscila entre o pequeno
e o grande tabuleiro, de princípios e diferenças,
de brancas e pretas peças, que é onde começa
eu e aonde termina você. Sartre
preconizava isso quando disse: o inferno são os outros.
A guerra é a maior expressão da loucura humana,
nada deve justificá-la e não é tempo de revidar,
não é tempo de negar a doença, é tempo
de tratar dela.
Não é consenso do mundo atacar o inimigo do país
do Ondéquistão. Ninguém quer mais criancinha
morrendo só porque, uma nação não
acredita que a vida não pode ser diferente dos seus filmes
de ação. Queria que tudo se resolvesse em paz, mas
acabo de ver o nome da resposta americana: justiça infinita.
Não adianta meu Deus, eles ainda estão pensando
que é filme. Help me John Lennon!
elisalucinda@radnet.com.br
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