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Lula, democracia
e significados
A eleição
de Lula, ou melhor, Luiz Inácio Lula da Silva
se presta a inúmeras leituras de seus significados. A mais
óbvia é a vitória do operário que
virou presidente da República, a qual já gerou e
ainda vai gerar muito falatório na imprensa, com análises
que vão do arremedo de folhetim até constatações
mais agudas que remontam em minúcia à história
do presidente eleito, merecendo mesmo assim a devida atenção.
Porém é preciso certo distanciamento do viés
bizarro para poder avaliar com justiça o histórico
deste ex-metalúrgico que saiu de Garanhuns (PE) para São
Paulo, acompanhado da mãe, em uma viagem de 13 dias, em
um pau-de-arara. Em São Paulo iria se tornar o líder
sindicalista das multidões de metalúrgicos do ABC,
enfrentaria o então Regime Militar e ainda fundaria o PT
e a maior central sindical do País. Lula foi deputado e
perdeu três eleições para presidente. Hoje,
dias depois do pleito consagrador, o olhar midiático olha
para o passado de Lula e joga para as massas fatos suficientes
para a construção de um mito e de um exemplo a seguir,
de persistência, superação etc, etc. Não
bastasse isso, obteve a maior votação em números
da história, ultrapassando Ronald Reagan. Porém,
a grande lição disso tudo está na consolidação
do Brasil como uma democracia forte. Afinal, nossa cultura democrática
é bastante acidentada e repleta de interrupções.
Lula, conforme suas declarações, preparou-se para
ser Presidente de uma República com tudo que isso implica
em termos de emoção e pragmatismo. Quanto mais vemos
do homem de origem simples, mais nos damos conta da complexidade
de significados e qualidades que ele carrega. Ele sabe que as
expectativas são grandes e as cobranças virão
em dobro.
A equipe do Extra Classe parabeniza o novo presidente e deseja
que a mesma teimosia, coragem e autocrítica, que levaram
a sua vitória, permitam que o novo Governo alcance os seus
objetivos, os quais, de fato, possam solidificar o ambiente democrático.
Esperamos que o debate que se segue sirva para fortalecer o País
nesta encruzilhada da história em que devemos escolher
caminhos sem medo para que o Brasil cresça em paz, solidário
e cidadão.
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