Uma escola no shopping center

Fagundes: "Não precisamos gastar para criar um nome".O professor Paulo Roberto Duarte Fagundes e mais quatro colegas de magistério são os proprietários da Escola de Ensino Supletivo Universitário, desde agosto de 1997, em funcionamento no Shopping do Vale, em Cachoeirinha. Eles estão animados com o empreendimento. A escola, uma franquia do grupo Universitário, de Porto Alegre, começou a funcionar com 320 alunos nos ensinos fundamental e médio. Um ano depois tem 550 alunos matriculados (71.8% de crescimento), que pagam mensalmente R$ 115,00, estudam em seis salas de aula e são atendidos por 20 professores, inclusive quatro dos proprietários. Em março de 99, começará a funcionar o curso pré-vestibular, com 260 vagas.

A intenção dos professores de abrir uma escola foi ao encontro da estratégia da administração do Shopping do Vale de locar um espaço para a área de ensino. "Inicialmente tivemos um certo receio devido ao caráter comercial do shopping, mas vários fatores acabaram influenciando na decisão", revela. "Como o supletivo tem um aluno diferenciado, que na sua maioria trabalha, aqui ele tem acesso fácil ao supermercado, pagamento de contas, estacionamento, além de todo o serviço de segurança do próprio estabelecimento comercial". Situada na divisa de Cachoeirinha com Gravataí, a escola está próxima dos pólos industriais dos dois municípios. "A metade de nossos alunos é de Gravataí", diz.

Professor da rede particular de ensino, com experiência em supletivos, um dos motivos que levaram Fagundes a abrir uma escola de supletivo foi a baixa remuneração praticada por várias instituições de ensino "Já tive meu salário atrasado durante meses e, na verdade, não era porque a instituição não tinha dinheiro, mas sim, porque aplicava em outros setores", relata. Para ele, geralmente, essa conduta ocorre quando o dono na escola não é professor. "Ele coloca a educação de uma forma diferente, não valoriza o corpo docente", esclarece.

Atualmente, na figura de patrão, Fagundes se diz tranqüilo. Afirma que seu ponto de vista não mudou quanto à valorização do professor. "Dentro do possível, queremos ser os que melhor pagam aqui na região. Queremos que os professores competentes fiquem trabalhando conosco porque nosso objetivo é um ensino de qualidade. O professor é a referência do aluno". Assegura que tenta remunerar bem seus professores, lembrando que quando escola foi fundada a hora-aula era apenas o piso da categoria. "Logo depois, independente do dissídio, demos um aumento real". Hoje, a hora-aula é R$ 6,40. "Em termos de mercado ele está bem remunerado, mas não deve estar satisfeito não", avalia.

Franquia do Supletivo Universitário está no Shopping do Vale, em Cachoeirinha.PLANOS – Além do ensino de pré-vestibular, com 260 vagas, projetado para março, o grande objetivo do grupo de professores-empresários é trabalhar com o ensino regular. Além de uma pesquisa junto aos seus alunos para saber quais os cursos técnicos que eles acham mais necessários, a escola está realizando um acompanhamento do mercado da região. A tendência, segundo Fagundes, é de que sejam implantados, inicialmente, os cursos técnicos em enfermagem, administração (com ênfase em contabilidade e departamento pessoal) e segurança do trabalho.

Os sócios do Universitário de Cachoeirinha pagam cerca de 5% da mensalidade de cada aluno para o grupo Universitário de Porto Alegre pelo uso do nome fantasia da instituição na escola em Cachoeirinha. " É um nome já colocado no mercado e tem 20 anos de trabalho com inserção em todos os níveis da educação", justifica. Fagundes assegura que o marketing da marca Universitário deu um retorno muito bom. "Também temos gastos nesta área, mas mais direcionado. Do tipo, aqui tem mais um Universitário. Não precisamos gastar para criar um nome", contrapõe. A escola também se submete aos padrões de qualidade exigido pelo grupo Universitário. "O próprio contrato prevê o acesso deles a todos os nossos registros", expõe.