Marcia Camarano
Fim de feira. A mágica de transformar a Praça da Alfândega em lugar de
convivência com os livros, a cultura, o bate-papo com os amigos na praça da
alimentação fica suspensa até o próximo ano, na 45ª edição da Feira do Livro, que
já tem até tema escolhido: os 500 anos do descobrimento.
A Feira do Livro, tradição em Porto Alegre, mais uma vez, marcou pelas novidades, como a cobertura contra chuva e a instalação de 20 sanitários químicos, uma alegria para o pessoal da cerveja. Mais do que isso, a Câmara Rio-Grandense do Livro, organizadora da feira, apostou em parcerias para diversificar as atividades à disposição.
Uma dessas parcerias foi feita com o Sinpro/RS, a primeira entidade sindical a manter uma barraca e patrocinar atividades com estudantes. Além disso, organizou uma exposição fotográfica, no Clube do Comércio, com a participação de renomados fotógrafos, que apresentaram a sua visão particular da leitura.
Em virtude de sua participação, o Sinpro/RS foi o responsável pelo aumento da quantidade de crianças a visitar a feira. O presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, Paulo Flávio Ledur, comentou que o público infantil foi o que mais cresceu neste ano. "Este é o nosso maior mérito, dobramos a presença de crianças, estamos preparando os leitores do futuro", comemorou.
Meninos e meninas em idade escolar foram incentivadas por visitas organizadas e orientadas, com vistas a um objetivo muito claro, que é o incentivo à leitura. "A Câmara do livro e seus parceiros tiveram a intenção de despertar o estudante de primeiro grau para a leitura e, entre os parceiros, o Sinpro foi o que melhor funcionou, porque se empolgou com a idéia e funcionou mais", elogiou Ledur.
Para o professor, este traço é marcante na 44ª edição da feira, pois as crianças não vieram simplesmente para dar um passeio, mas para participar de atividades pedagógicas e lúdicas. "Elas voltaram para a escola com algo muito concreto, uma mostra de que vamos ter cidadãos mais lúcidos e bons profissionais".
Ledur também destacou a participação da Secretaria Estadual da Educação (SEC) e da Secretaria Municipal da Educação (SMED) na área infantil. Conforme ele, o Sesc também teve participação especial ao levar suas atividades recreativas e pedagógicas para a Feira, assim como as Irmãs Paulinas levaram sua colaboração. "Para mim, a área infantil foi de maior retorno".
Soraya Franke, responsável pela barraca do Sinpro/RS na Feira, não esconde que as atividades desenvolvidas deram muito trabalho. Afinal, a primeira vez sempre é mais difícil. Ma gostou do resultado. "As visitas guiadas foram interessantes, a monitoria estava boa e o se não foi a grande quantidade de crianças, o que tornava difícil a organização", resumiu.
À disposição das visitas guiadas do Sinpro/RS
estavam quatro monitores e as escolas precisavam se agendar antecipadamente. Participaram
2.500 alunos das escolas particulares que eram apresentadas à Feira; os monitores
relataram como ela surgiu, como era antes e como está agora, o número de bancas, quem é
o patrono, o fato de fazer parte da agenda cultural da cidade. Enfim, um banho de
informações.
Depois disso, faziam uma visita à Mostra Fotográfica da Caldas Júnior sobre a história da Feira e, a seguir iam para a área infantil, onde participavam de várias atividades lúdica e pedagógicas, entre elas, a confecção de bonecos, orientadas por bonequeiros profissionais. O resultado disso tudo só poderia ser muita criança circulando na Feira.
ESTRANGEIROS - Outro destaque foi o setor internacional, a cada ano com mais participantes. O resultado é o nível de satisfação acentuado dos expositores. "Vendemos mais livros nos três primeiros dias do que em todas as feiras passadas", disse Ledur. Ao todo, foram 14 barracas representando dez países: Cuba, Espanha, Portugal, Inglaterra, França, Argentina, Uruguai, países de cultura islâmica, Alemanha e Itália.
Os visitantes puderam conviver com escritores de língua portuguesa de Portugal, uma coincidência com o fato do escritor português José Saramago tenha levado o Prêmio Nobel de Literatura este ano. Participaram três escritores estrangeiros de língua portuguesa - Jorge Couto (presidente do Instituto Camões), Urbano Tavares Rodrigues (romancista, com 70 obras publicadas) e o açoriano João de Melo. Eles também vieram em função das atividades que assinalam os 250 anos da cultura açoriana no Estado.
Além deles estiveram na Feira os moçambicanos José Craveirinha e Calane da Silva e o angolano Pepepela. A intenção do presidente da Câmara Riograndense do Livro é multiplicar as caravanas estrangeiras para o próximo ano. Inclusive, trazer professores de História para contar fatos do descobrimento, preparando o espírito para as festividades dos 500 anos. E, outra novidade, pretendem aproveitar o momento para promover o Encontro das Comunidades de Língua Portuguesa.
FOTOGRAFIA - O Sinpro/RS foi o promotor de mais uma novidade na Feira, que foi a fotografia. A exposição de oito fotógrafos cada um com sua visão particular sobre a leitura no Clube do Comércio deu o que falar. Além desta, houve a exposição sobre a História da feira, organizada pela empresa de comunicação Caldas Júnior, a Cine y Libro, da Espanha, que contou a relação do cinema com o livro, a exposição sobre o escritor, dramaturgo e poeta García Lorca, também espanhola e a moda aérea da Varig.
Nas exposições, o público é bem menor e, como elas não estão nos locais de passagem, vai quem realmente está interessado. Mesmo assim, a freqüência foi muito boa, considerou o professor Ledur.
A 44ª Feira do Livro, realizada de 30 de outubro a 15 de novembro, registou novo recorde de vendas. Segundo a Comissão Organizadora, foram vendidos 416.598 livros nos 17 dias, o que equivale a 24.505 livros por dia. Foi um sucesso de público, com a circulação média de um milhão e 100 visitantes.
NOTAS Exílio em Passo Fundo O poeta cubano Ricardo Alberto Perez, 35 anos, é o primeiro intelectual a ser recebido em Passo Fundo, município pioneiro na América Latina a estabelecer ligação com a rede européia de cidades-refúgios. Perez chegou a Passo Fundo no dia 10 de novembro. Entre as atividades que o escritor desenvolverá na cidade gaúcha está um ensaio sobre o neobarroco na América Latina e uma antologia da poesia cubana. Perez está instalado no flat número 406 do Apart Hotel da Vinci, receberá da prefeitura um salário de R$ 1,5 mil e participará de atividades acadêmicas. Prêmio de fotografia Estão abertas até 29 de janeiro as inscrições para o Prêmio gaúcho de Fotografia, destinado ao desenvolvimento da pesquisa nesta área. O vencedor receberá uma bolsa no valor de R$ 12 mil, que será paga em três parcelas. As inscrições podem ser feitas no setor de Protocolo da Secretaria de Estado da Cultura (Andradas, 736, segundo andar). Outras informações pelo fone (051) 226-4578, ramal 30. |