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A perversão
neoliberal
Pesquisador
da Unicamp diz que Estados Unidos mantêm países periféricos como
reféns de sua política econômica
Da Redação
Nem adianta
bater na madeira porque, infelizmente, crise é a palavra da hora.
Ou melhor, é só um modo de dizer porque o sinônimo para a crise
que está aí é mesmo perversão. Assim ocorreu na chamada crise
asiática que transtornou o mundo em 1997. Em outubro, o pesquisador
associado do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de
São Paulo (USP) e integrante do Núcleo de Estudos Estratégicos
da Universidade de Campinas (Unicamp), Amaury Porto de Oliveira,
esteve em Porto Alegre para participar do Fórum da Solidariedade.
E disse, ironizando, que não se pode mistifinológica americana.
“O próprio sistema produtivo da União Soviética é uma simples
cópia canhestra do fordismo. Então, esta oposição acabou”, comenta.
Oliveira argumenta que foi nesse contexto que a crise financeira
de 1997 surgiu, sem paridade estratégica. “Basta ver que, por
exemplo, os Estados Unidos, sendo os maiores devedores mundiais,
dispõem, no entanto, da moeda chave de todo o sistema financeiro”,
compara, analisando que, por isso, se permitem emitir obrigações
do Tesouro americano que os outros países compram para um dia
poderem bater à porta dos americanos e pedir dólares de volta.
Ele diz que só o Japão tem aproximadamente US$ 200 bilhões em
obrigações com os car uma situação em que milhões de pessoas
perderam os empregos. “A primeira das mistificações é exatamente
falar em crise asiática, colocar determinada carga sobre uma
região do mundo quando, na realidade, temos uma crise do sistema”,
diz.
O pesquisador
lembrou que os Estados Unidos saíram como vencedores absolutos
da Segunda Guerra Mundial, enquanto outros, tanto os aliados
quanto os inimigos, materialmente liquidados. “Desde então,
nós vivemos sob a pátria americana”, analisa. Oposição só houve
mesmo pela União Soviética, com alguns aliados, mas não foi “oposição
crível”, segundo Oliveira. Ele acha que a União Soviética nunca
teve como enfrentar a evolução tecamericanos e, entre a China
e Hong Kong, mais US$ 100 bilhões. “Se um dia vão usar isso,
bater à porta dos americanos e provocar um crack mundial, eu não
sei. Mas eles terão de pensar, porque as conseqüências serão
terríveis para o mundo todo. Em todo caso, é uma arma que o Japão
e China estão guardando”. É nessa situação de jogo hegemônico
que os Estados Unidos se transformam em um verdadeiro buraco
negro, para onde convergem poupança e produtos mundiais. “Não
há produtor no Brasil, na Conchinchina ou na Austrália que não
sonhe em criar espaço para ele no mercado americano. E isso, mais
o jogo das obrigações, cria um acervo, um excesso finan ceiro
no mundo que está sobretudo controlado pelos fundos de pensão
americanos”, arrisca.
Oliveira acredita
que esse excesso de liquidez sem aplicação é que se transforma
nos fluxos financeiros fronteiriços que ninguém detém porque circulam
24 horas por dia, se multiplicando, correndo de praça em praça.
E nesse jogo de especulações há controladores, cerca de 20 ou
30 instituições financeiras, que podem, em um piscar de olhos
por uma razão qualquer como uma declaração desastrada de alguém
ou um acontecimento descarregar uma carga mortífera sobre o sistema
financeiro de qualquer país. “Isso foi um pouco o que aconteceu
na crise chamada asiática”, aposta.
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