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O PPA e
o social
Vilson
Antonio Romero*
A rota Brasília-Fernando
de Noronha dos jatinhos oficiais terá sua freqüência reduzida
sensivelmente com a substituição de Clóvis Carvalho por Alcides
Tápias, resultado dos excessos verbais do primeiro e a assunção
do ex-banqueiro ao Ministério do Desenvolvi-mento, Indústria e
Comércio. É uma incógni-ta o quanto avançaremos ou nos desenvolve-remos
sob a nova direção.
Entrementes,
o Executivo, com pompa e circunstância, apresentou o seu último
pla-no, denominado Avança Brasil, codinome do Plano Plurianual
de Investimentos, que dá caráter de lei ao programa de governo
do presidente, servindo de guia para os gastos da União nos próximos
quatro anos.
Embora reiterando
que não, o Plano ser-viu um pouco de tentativa de resposta às
inúmeras manifestações populares contra o governo, entre elas
a greve dos caminhonei-ros, a Marcha dos Cem Mil (que alguns di-zem
não terem sido tantos!) e o Grito dos Ex-cluídos, este último
em preparação pela CNBB. Além de outras greves e marchas que estão
sendo preparadas pelas “cassandras oposicionistas” (segundo vozes
do Planalto).
Mas o PPA
prevê, no mínimo, duas metas a serem olhadas com cautela e algum
ceticis-mo, principalmente por quem já vive há cin-co anos sob
égide da geração FHC. A primei-ra diz respeito à promessa de gerar
8 mi-lhões de empregos até o ano 2003.
A indagação
fica no ar: como uma eco-nomia em recuperação lenta (segundo os
arautos oficiais), após um sofrido e ainda doloroso processo recessivo,
em que nos últimos quatro anos se perderam mais de 1,5 milhão
de postos de trabalho, pode in-verter a curva e criar tanto emprego
em tão pouco tempo?
Entra aí o
debate entre “desenvolvimen-tistas” e “monetaristas”, ao qual
já sucumbiu Clóvis Carvalho, com fortalecimento dos úl-timos,
entre eles o ministro Pedro Malan, que defende a estabilidade
da economia com baixas taxas de inflação, ajuste fiscal e gra-dualidade
no crescimento. Na outra ponta estão os que, como Luiz Carlos
Mendonça de Barros e Mário Covas, gostariam da reto-mada imediata
do crescimento econômico, com investimentos governamentais, queda
de juros e não muita preocupação com a in-flação, que, no entender
dos desenvolvimen-tistas, estaria relativamente sob controle.
O outro item
trata do investimento social do PPA, estimado em R$ 585 bilhões
a serem aplicados entre 2000 e 2003. Passando a pe-neira na cifra,
vê-se que, na realidade, o gas-to com programas sociais corresponde
a so-mente 19,8% do montante, já que a contabili-dade oficial
incluiu o pagamento de aposen-tadoria e pensões do INSS e do serviço
pú-blico federal como “novidade”. Apesar des-tes pagamentos serem
transferências de re-cursos às famílias e efetivamente ingredien-tes
do amortecedor social, não há novas ver-bas a serem aplicadas,
a não ser os compro-missos já assumidos pelos sistemas de segu-ro
social existentes.
Com isto,
restam poucos recursos efetiva-mente investidos em novos programas
so-ciais, em todo conjunto de projetos integran-tes do PPA, sem
contar que do total previsto de R$ 194,92 bilhões que restam,
mais de R$ 115 bilhões o governo espera obter das par-cerias com
a iniciativa privada e governos municipais e estaduais.
É pouco para
o que esperamos do man-dato que resta. A nossa dívida social,
escan-carada em cada esquina, a exemplo da públi-ca, cresce a
passos largos.
* Vilson
Antonio Romero é jornalista, fiscal do INSS, presidente da Associação
Gaúcha dos Fiscais de Previdência e conselheiro da Associação
Rio-grandense de Imprensa
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