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Professores
Pioneiros
Barbosa
Lessa
Nos
primeiros tempos da Capitania de São Pedro do Rio Grande,
lá pelo século XVIII, a ocupação do
solo e a defesa armada da fronteira foram as questões prioritárias,
relegando-se a segundo plano tudo o mais. Ensino? Deixa pra lá.
O importante, mesmo, era que um guri fosse aprendendo a cavalgar,
laçar, trançar couro, curar bicheira, carnear, e
que um rapaz fosse se adestrando no manejo da lança, da
espada e da escopeta. Sob tal clima, pra que serviria freqüentar
uma aula de Latim, como ocorria noutras bandas do Brasil? Pra
que atravessar o oceano Atlântico e ir penosamente conquistar
um canudo na Universidade de Coimbra?
Na verdade, excluindo-se a possibilidade do ensino doméstico,
tudo o mais contribuía para o desestímulo à
instrução. A começar pela baixa remuneração
do professor valendo tanto quanto um peão de estância
e pela estranguladora burocracia relacionada ao ensino
coletivo. Tudo dependia do Rei, lá em Lisboa, ou de seus
auxiliares imediatos na Metrópole. A nomeação
de professores era direito exclusivo da Coroa. Também aqui,
portanto, os reflexos do regime absolutista em que Portugal vivia.
Um primeiro indício de que a Coroa iria se preocupar um
pouquinho mais com a instrução pública surgiu
em 1772, com a possibilidade aberta para que os impostos sobre
o comércio da carne e da aguardente fossem direcionados
para o ensino, assim se instituindo o chamado subsídio
literário. Já em 1773, ele passou a vigorar
em todo o Brasil, mas com exceção da Capitania do
Rio Grande, então mergulhada na convulsão fronteiriça.
O imposto, em si, era recolhido aos cofres reais, mas sem ninguém
cogitar em aplicá-lo para atendimento direto à Capitania.
A essa altura, só o que interessava ao Rei é que
a moçada do Rio Grande estivessem firme na defesa do território
ambicionado pelos castelhanos.
A Carta Régia de 18 de agosto de 1789 veio a trazer um
desafogo ao monopólio absolutista, com a abertura de possibilidades
para que também os bispos e governadores de capitania se
imiscuíssem nas questões de ensino público,
abrindo escolas e apenas se sujeitando ao item de que a nomeação
de um professor ficasse dependendo de aprovação
final pela Coroa. Com tal abertura, já alguns meses depois,
em 1790, entrava em funcionamento a primeira aula pública
de Porto Alegre, subsidiada pelo erário real e tendo por
professor José Antônio Nunes.
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