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Verdades
de varejo
As correspondências
realmente já não oferecem segurança. Para
os inimigos já não se manda pó-de-mico, é
antraz mesmo, ou antrax para os gringos. A suspeita da inteligência
norte-americana é que o pó partiu deles mesmos e
que não teria relação com o Bin Laden, o
satã da vez. Seria sofisticado demais para um árabe,
dizem. Quem optou pelo correio eletrônico se viu as voltas,
não com bactérias, mas com vírus mortais
para os sistemas de computação. Os nomes parecem
títulos de videogame: Sircam, Fun Love surgem dezenas
a cada semana. Durante o nosso fechamento desta edição
fomos assolados por estas criaturinhas digitais, verdadeiras bombas-relógio
executáveis. Sobrevivemos e mais um Extra Classe está
nas ruas.
Mas o que fica é a total de sensação de insegurança,
seja nas torres, no congresso americano, diante da tela do computador
ou nas sinaleiras do centro de Porto Alegre. O que é agravado
pela atitude cultural de viver fantasiosamente dentro com a sensação
de invulnerabilidade. Os episódios dos últimos meses
obrigaram as pessoas a pensar mais na finitude humana, pelo menos
deveriam. Baudrillard em seu livro A Ilusão Vital (ver
comentário no Extrato, pag. 23) constata que a ciência
no mesmo momento que entrega a possibilidade de imortalidade,
dá a deixa para que se repense a verdadeira necessidade
de ser imortal.
No meio de tudo isso, a indústria da guerra, a indústria
da informação, a indústria farmacêutica,
a indústria de boatos. A verdade é vendida no varejo,
no atacado, em pílulas de sabedoria e livros de auto-ajuda.
Há verdades para todos os gostos, credos, opções
sexuais. Há verdades para qualquer um e qualquer verdade
que se queira. Tudo, no fim das contas é uma questão
de ponto e vírgula, de palavras escolhidas ao gosto do
freguês ...ou do patrão.
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