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Justiça
na Educação
Fotos:René
Cabrales

Jimi Joe
Lugar
de criança e adolescente é na escola, de preferência
numa escola sem violência. Para cerca de 5.500 magistrados
e promotores de Justiça que atuam nas Varas da Infância
e Adolescência em todo o país, esse compromisso vai
muito além da conotação por vezes demagógica
e eleitoreira que a proposta contém. Na verdade, há
muito trabalho consistente por trás do Movimento Pela Justiça
na Educação. A base são os encontros programados
para todos os estados brasileiros. Com duração de
três dias e meio, destinam-se a grupos com uma média
de 150 participantes. Além de magistrados e promotores,
há vagas reservadas a parceiros estratégicos. A
idéia da Associação Brasileira de Magistrados
e Promotores de Justiça da Infância e da Adolescência
ABMP é de buscar a maior abrangência
possível com o projeto, por isso o interesse em parcerias
com os mais diversos setores organizados da sociedade brasileira.
No Rio Grande do Sul, o movimento espera viver um momento especial
entre os dias 4 e 6 de outubro com a realização
do II Seminário Nacional de Educação sobre
Valores Humanos, em Caxias do Sul.
Esse encontro dará continuidade a uma série de eventos
similares que já aconteceram este ano em várias
cidades do interior do Brasil como Teresópolis (RJ), Beberibe
(CE), Garanhuns (PE), Mossoró (RN), Águas de Lindóia
(SP), Salinópolis (PA) e Poços de Caldas (MG), e
também em capitais como Salvador, Cuiabá, Teresina,
Aracaju e João Pessoa. A descentralização
do debate sobre a necessidade de permanência de crianças
e adolescentes na escola é parte do projeto. Simone Mariano
da Rocha, coordenadora da ABMP no Rio Grande do Sul, diz que a
função básica do movimento liderado pela
associação é promover a integração
e engajamento de juízes e promotores e buscar a qualificação
desses profissionais do Direito para atuar na área da infância
e educação. Ao reunirmos o maior número
possível de juízes e promotores nesses encontros,
esperamos como resultado um novo olhar sobre a educação
como um direito inerente a todos, diz ela.
O encontro de Caxias do Sul será um dos maiores e tem a
previsão de participação de mil inscritos.
A violência nas escolas estará na pauta do dia. Simone
Mariano da Rocha diz que um dia do encontro foi reservado especialmente
para debate sobre o tema. A questão da violência
na escola sempre aparece nos encontros realizados. Desta vez resolvemos
dar uma atenção especial ao tema. Estratégias
éticas, políticas e pedagógicas de prevenção
da violência no meio escolar estarão na pauta do
dia 6 de outubro no campus da Universidade de Caxias do Sul. Simone
Mariano da Rocha lembra que, pela importância do assunto,
o evento será aberto a toda comunidade e não restrito
apenas aos inscritos para o seminário.
| Nenhuma
criança pode estar fora da escola. O papel da escola
é justamente propiciar a inclusão do criança
e do adolescente. A instituição de ensino tem
o dever de saber onde está o aluno.
Simone
Mariano da Rocha
Coordenadora da ABMP no RS
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Estamos
convidando representantes de escolas particulares e públicas,
professores e a comunidade em geral, pois o problema da violência
na escola afeta a todos esses segmentos. Além do painel
introdutório e debate, o dia será marcado por relatos
de experiências bem-sucedidas contra a violência na
escola como a campanha Educação Para a Paz, praticada
em Porto Alegre, e a experiência de Canela. O juiz
Leoberto Brancher, presidente da ABMP, o psicanalista Mário
Fleig e a educadora e advogada Regina de Fátima Migliori,
consultora da Unesco em Cultura da Paz, participarão do
painel. Nos relatos de experiências, haverá as participações
do secretário municipal de Educação de Porto
Alegre, Eliezer Pacheco, da secretária municipal de Educação
de Santa Cruz do Sul, Jane Kuhn, representando o Fórum
da Não-Violência, e serão apresentadas propostas
da Secretaria Estadual de Educação e do Programa
Escolas de Paz/Unesco com participação da representante
da Unesco, Vera Lúcia Deboni.
O trabalho realizado pela ABMP e seus chamados parceiros estratégicos
vem se desenvolvendo desde 1998. No Rio Grande do Sul, já
vínhamos fazendo um trabalho na área de permanência
na escola, desenvolvemos uma ficha de comunicação
do aluno infreqüente. A mobilização, que se
estendeu por todo o estado, visava conscientizar a comunidade
para o fato de que nenhuma criança pode estar fora da escola.
O papel da escola é justamente propiciar a inclusão
do criança e do adolescente. A instituição
de ensino tem o dever de saber onde está o aluno,
diz Simone Mariano da Rocha. A experiência gaúcha,
levada por representantes do Rio Grande do Sul aos diversos encontros
promovidos ao longo de 2001, tem se disseminado pelo demais estados
da federação. É um momento extremamente
rico de troca de experiências no qual se revela um trabalho
realmente integrado, observa Simone Mariano da Rocha.
Em Goiás, como resultado do movimento, houve a aprovação
pelo Ministério Público da defesa do direito à
educação não só de crianças
e adolescentes, mas também daqueles que não a tiveram
em idade adequada. Saulo de Castro Bezerra, 1º vice-presidente
da ABMP, que coordenou o encontro de Goiás, diz que a preocupação
dos profissionais do sistema de justiça da infância
e da juventude estão agora empenhados, principalmente,
no combate à evasão escolar e na adequação
do transporte escolar em todas as comarcas. Em Alagoas, o Projeto
Ficai, baseado em fichas que avaliam as razões da evasão,
conquistou 450 novos educadores capacitados. O projeto foi inspirado
pelos debates dos Encontros pela Justiça na Educação.
Em Santa Catarina, o Programa Apóia dá continuidade
à articulação de redes de apoio ao aluno
do ensino fundamental e à sua família. Para isso
foram estabelecidos termos de ajustamento entre o estado e os
municípios catarinenses. Em Tocantins, durante um dos Encontros
pela Justiça na Educação, realizado em Palmas,
foi lançado o Projeto Evasão Escolar: Nota Zero.
O projeto começou a ser implantado em escolas de ensino
fundamental estaduais e municipais visando reduzir a taxa de evasão
que até este ano ficava em 19,8% na rede estadual e 18,6%
na rede municipal.
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Permanência
e inclusão na escola requerem
integração com órgãos educacionais
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Ela diz que
a possibilidade de um trabalho conjunto entre promotores e juízes
serve para minimizar os efeitos de uma balança por vezes
desequilibrada, em que uns não têm a noção
exata da dimensão do trabalho dos outros. Há
uma expectativa grande de se conseguir bons resultados nesse encontro
de Caxias do Sul como já ficou constatado em outros encontros.
A coordenadora da ABMP no Rio Grande do Sul lembra que essa cruzada
pela permanência e pela inclusão da criança
e do adolescente na escola passa pela integração
com instituições da área educacional e o
comprometimento de todos os promotores e juízes da área
da infância e adolescência. É preciso
que todos formem esse novo olhar sobre a educação
como um direito e numa forma integrada de criar compromissos,
sobretudo com o foco na escola.
O trabalho realizado pela ABMP, por sua vez, conforme Simone,
joga todo o enfoque na criança e na adolescência.
O acesso à escola é um direito universal.
A exclusão é um problema que deve ser combatido
no dia-a-dia. Há crianças e adolescentes que acabam
sendo excluídos pelos mais diversos motivos, diz
ela. Entre esses motivos estão problemas familiares e sócioeconômicos,
o que já confere uma dimensão maior à situação
e exige a participação da sociedade como um todo
na busca de soluções. A garantia de acesso à
escola não é suficiente. É preciso, sobretudo,
cuidar da permanência. O problema da exclusão muitas
vezes surge porque a criança ou o adolescente não
tem nem dinheiro para pagar um ônibus que os leve à
escola.
Uma
Lei de Diretrizes Sócioeducativas
O movimento deflagrado pela ABMP não se limita
aos encontros e debates promovidos constantemente. Este ano,
a entidade tornou pública sua proposta de uma lei de
diretizes sócioeducativas. Desde 1998, a ABMP
vem sinalizando a importância de propor-se a discussão
do sistema de execução de medidas sócioeducativas
como alternativa prática e propositiva aos movimentos
em favor da redução da menoridade penal,
argumenta o juiz Leoberto Brancher, na apresentação
da proposta. O texto proposto por um grupo de promotores,
procuradores e juízes, após um longo período
de pesquisas e estudos, visa sobretudo procurar uma solução
menos drástica na aplicação de punições
aos menores infratores. Como atividade estatal coercitiva,
muitas vezes mais rigorosa, e no mais das vezes mais rigorosa
com adolescentes do que com adultos, é inadmissível
que a execução de medidas sócioeducativa
se proceda sem as garantias da legalidade expressas pela norma
prévia, escrita, estrita e certa, observa Leoberto
Brancher.
A promoção dos valores humanos norteia o texto
proposto que prevê que órgãos e entidades
encarregadas da execução das medidas sócioeducativas
deverão especificar, em seus programas de atendimento,
as respectivas propostas pedagógicas. Tais propostas
devem conter os princípios de conduta e ações
destinados a proporcionar ao adolescente e sua família
a superação de conflitos pessoais e sociais
com base em valores humanos e promoção da cidadania.
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