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Imagine
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Elisa
Lucinda
Socorro!
Bruce Willis, Dr. Kildare, Rambo, Homem Aranha, Clint Eastewood,
Batman, He e Superman, socorro Harison Ford, Robocop e até
Popye! Meu Deus, Popye, meus espinafres estão à
solta por ti e Brutos atacou duas de nossas Olívias de
uma só vez! Help me!
Esses apelos me sobem pelo tronco da infância e, como cupins,
as respostas silêncio foram dando cabo das alternativas
de glórias e da ereção da grande potência.
Pela primeira vez a América brochou na frente de todo mundo.
No filme que todos vimos, sempre os mesmos, uns horrorosos, outros
maravilhosos, mas sempre os mesmos, alguém sempre surgia,
mesmo pra lá do ano 2000 do futuro, viria um herói
falando inglês americano e, sem nenhum arranhão,
salvaria a tudo e a todos.
Tudo igual: aquela explosão, um atentado conspiratório
de um inimigo da liberdade, gente correndo com a explosão
hiper realista ao fundo, mas o triunfo era sempre certo. Agora
não, nesse filme, o herói sofre de cara, com o vilão
comendo duas torres e pondo em xeque o rei. Meu Deus, o rei! Desacostumado
ao papel de chifrudo, o rei na derrota, patético, não
se reconhece na troca brusca - pô, fazer vítimas
é mais fácil que ser -, murmura longínquo
um inconsciente inconcebível.
A platéia do mundo tem comportamento de Brodway e Rocinha:
Que espetáculo! Triste, quero dizer.
Mas também, aqui se faz, aqui se paga.
É, mas morreu gente inocente.
No Vietnã também.
No Golfo também.
É, é isso aí, no dos outros é
refresco!
E o coro não parava até que alguém gritou
:
É, mas é o Bush que tem, coitado, agora que
ressarcir a vida tomada dessa gente num universo cuja garantia
mundial era a segurança. É ele quem tem que, sagaz,
escolher uma saída triunfo que console, repare e vingue.
Mas, eu queria dele um super-herói que se transformasse
em chique e que aos olhos dos holofotes da mídia e da vigília
em tempo que a tão mal falada globalização
promove, aproveitar-se para ser o herói da paz. Sei lá,
propusesse uma aliança perfeita com serviço de inteligência
funcionando a toda sem perder o rastro da onda terrorista, pedindo
ao mundo uma sugestão mais imparcial para o combate, menos
racista e que não excluísse palestinos em geral,
feito baratas, como quem dedetiza o mundo. Eu queria dele um super-herói
da hora, não um démodé de direita com aquela
cara de que Deus, no dia de fazê-lo falou: Ai que
preguiça, esse cara vai assim mesmo. Não tô
com cabeça para fazer gente de cabeça hoje!
Era o dia exato do boneco Bush. Pegou Deus com preguiça.
Difícil um branco pegar Deus com tanta preguiça.
Bush pegou.
elisalucinda@radnet.com.br
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