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Caminhos para
o uso do RPG na Educação
Rafael
Baracy*
Um
dos maiores desafios pedagógicos, principalmente nos grandes
centros, vem sendo resgatar o interesse e o estímulo dos
alunos. O mundo mudou, e mudou rápido. A tecnologia da
comunicação deu um salto gigantesco nos últimos
dez anos. Assim, as fontes básicas de informação
das crianças e dos adolescentes, a família e a escola,
se vêem perdidas na nova sociedade que se vê surgindo
nos anos 90 e 2000, com as revoluções tecnológicas,
sociais, educacionais e até morais, que vem sendo jogadas
em cima dos jovens e bombardeia a mente das crianças.
Assim como a Revolução Industrial representou uma
série de profundas mudanças em todos os setores
da sociedade do século XIX, a computação
tem tudo para ser o novo grande marco da história humana.
E, como tal, vem provocando profundas alterações,
nem todas ainda perceptíveis. As grandes instituições,
exatamente por serem quase impossiveis de serem monitoradas no
seu todo, não conseguem se adaptar à nova realidade
com a velocidade necessária, criando na escola um aspecto,muitas
vezes de lentidão e de conhecimento desnecessário
quando não nulo para os nossos jovens e adolescentes.
Um fenômeno bem nítido nestes novos tempos é
a interatividade. A informação passada em mão
única e a detenção onipotente do saber pelo
professor são artifícios que não mais seduzem
os jovens. Estes, com computador, internet, TV a cabo e revistas
especializadas, estão acostumados a um mundo mais dinâmico,
onde a troca de informações se processa em grande
velocidade e, principalmente, com mais participação,
mais interação.
Bem, mas o que o RPG (Role Playing Game) tem a ver com isso? O
RPG pode trazer para a escola a interatividade, a participação
no ensino e o interesse na escola bem como um interesse maior
pela leitura, incentivando assim o hábito de ler, visto
que, não se joga RPG sem ler e o rpg estimula a leitura
em razão de ter atrelado a si, livros e textos para ajudar
na compreensão das situações propostas. Da
mesma forma que, no jogo, o jogador vai interferindo e mudando
a história que vai sendo contada, na escola ele pode aprender
ao mesmo tempo em que vai utilizando o que está sendo ensinado
pelo professor na aula, claro temos que ter neste caso, professores
dispostos a ensinar de maneiras não tradicionais.
O RPG estimula um raciocínio globalizante, muito importante
para os dias de hoje. Ele não se contenta apenas com o
que é, procurando sempre ter em mente o que pode ser. Ele
deixa para trás o raciocínio linear da maioria dos
jogos para assimilar um raciocínio totalitarista, que tenta
agrupar ao mesmo tempo o cenário onde se encontra; os acontecimentos
passados; as pessoas a sua volta, suas ações e intenções;
os possíveis desdobramentos de cada um desses elementos;
e as conseqüências das suas ações e das
de seus companheiros.
O RPG funciona, então, como ferramenta para preparar o
jovem a interagir na sociedade, tanto profissional quanto socialmente.
Algumas empresas já utilizam o RPG para treinamento de
pessoal, uma vez que a premissa básica do jogo é
a simulação da realidade. Além disso, através
do jogo, é possível resgatar valores morais e éticos
que andam um pouco esquecidos.
Estimulo do raciocínio, cooperação e interação,
além do auxílio a um desenvolvimento mental e social
sadios, são o que o RPG pode fornecer à educação.
Mas como fazê-lo na prática?
Locais que tem, com o uso do RPG em sala de aula, diminuído
os índices de repetência e de êxodo escolar.
RPG
tem características que o tornam uma excelente
ferramenta educacional:
Socialização: A própria
atividade de RPG desenvolve a socialização.
Os jogadores conversam entre si e com o mestre, trocando
idéias e expondo as ações de seus
personagens. Juntos, eles criam uma história.
Eles também aprendem que seus atos trazem conseqüências,
pois a história muda de acordo com as ações
dos personagens.
Cooperação: Para serem bem sucedidos
diante dos desafios propostos pelo Mestre na história,
os jogadores tem de cooperar entre si. As habilidades
de seus personagens são complementares. O desenvolvimento
do espírito de equipe é importantíssimo
num mundo cercado de tantas atividades competitivas.
Criatividade: Os jogadores desenvolvem sua criatividade
ao se imaginarem na história e ao decidirem como
os seus personagens reagem e resolvem os desafios. Eles
também podem criar seus personagens, históricos
e personalidades.
Interatividade: Os jogadores estão constantemente
interagindo entre si e com o mestre. Atividades interativas
comprovadamente levam a uma maior fixação
de conteúdo do que atividades expositivas. Os
jogadores aprenderão muito sobre o cenário
de jogo aonde se passa a história e sobre o que
os seus personagens precisam saber para vencer os desafios
da história.
Interdisciplinaridade: Uma única história
pode abordar temas de várias disciplinas harmoniosamente.
No exemplo proposto acima, a história pode abordar
elementos de História (a época em que
se passa a história), Geografia (o local da história,
atividades humanas) e Biologia (conhecimentos de botânica
da curandeira, Ecologia para o caçador). |
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*Professor
de História, membro da Associação Gaúcha
de RPG baracy@yahoo.com.br
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