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Feira do Livro
o ano todo
Da
redação
Não
há talvez dias da nossa infância que tenhamos tão
intensamente vivido como aqueles que julgávamos passar
sem tê-los vivido, aqueles que passamos com um livro preferido.
A partir dessa citação do livro O Prazer na Leitura,
de Marcel Proust fica clara a importância que a leitura
deveria ter na formação de cada um. A Feira do Livro,
este ano em sua 48ª edição, alia leitura à
atividades culturais e conta com uma programação
que dura o ano inteiro. O objetivo principal das atividades promovidas
antes e depois da feira é não só aumentar
a quantidade de público leitor como também a qualidade
deste leitor.
Na verdade a Feira do Livro não é composta somente
por um período pré-determinado. Há uma outra
feira que acontece além da que estará à disposição
do público de 1º a 17 de novembro na Praça
da Alfêndega. Esta outra feira que ocorre antes e depois
do evento em si e de forma mais intensa e freqüente fala
ao público infantil e para quem intervém na leitura,
através de atividades prévias e posteriores ao evento.
Os objetivos da feira são a popularização
do livro e a promoção da leitura. Os dias da Feira
do Livro representam o ápice de todo o processo do evento,
além do espaço para a divulgação cultural
e por consequência a venda de livros a preços mais
camaradas. Atualmente, a Feira do Livro de Porto Alegre está
entre as dez mais importantes da América Latina e da Península
Ibérica em termos de projeção.
| René
Cabrales |
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A
Feira do Livro na Praça da Alfândega é
o ápice de um processo que dura o ano todo
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Segundo a
coordenadora da programação infantil e para jovens
da Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL), Sônia Zanchetta,
todas as atividades da Câmara são direcionadas para
a feira. Desde o ano de 1999, os trabalhos prévio
e posterior crescem. Há escolas que se reúnem para
comprar livros e já sabem antecipadamente o que querem
comprar, conta. Quanto ao retorno do público, o infantil
está entre os mais participativos. A partir dessa situação,
vale verificar quem está por trás da formação
de novos leitores. Os mediadores da leitura devem reparar
que, na literatura, é preciso um trabalho de sedução
junto às crianças, observa. A missão
dos mediadores é fixar o livro no imaginário e explorar
o potencial da obra junto ao dia-a-dia da criança. Para
auxiliar os mediadores, a CRL tem um trabalho de assessoria que
tem por objetivo qualificar e fortalecer os projetos, auxiliando
na captação de recursos.
Também há uma programação para melhorar
as condições de leitura do público adulto
que consiste em oficinas, círculos de leitura, encontros
e cursos. Há grupos de leitura que trabalham até
com públicos específicos. A intenção
é aproximar esses grupos e fortalecê-los para que
se tornem permanentes, diz Jussara Rodrigues, coordenadora
da programação adulta da CRL. Aspectos como a leitura,
a criação textual, como colocar o livro no mercado
e a percepção de que a literatura está em
tudo são discutidos.
Em primeiro lugar, é necessário gostar de
ler. Para isso não é regra que o professor mais
indicado seja o de português, aponta a produtora cultural
da CRL, Nóia Kern. Já quanto ao baixo índice
de leitura dos brasileiros, Nóia alerta que a cada mudança
de governo não se tem a intenção de dar continuidade
aos projetos do anterior e isso acaba interferindo na construção
de uma política de incentivo à leitura de longo
prazo. O mesmo vale para as escolas. Conforme Nóia, se
as instituições contarem com um planejamento escolar
eficiente, isto é, uma proposta político-pedagógica
fundamentada, torna-se mais fácil veicular a formação
de novos leitores. A feira une boas idéias para formar
um bom projeto, completa. Ao perceber a realidade de alguns
professores e dos espaços culturais do Brasil, é
possível perceber que muitos desconhecem os livros mais
interessantes e as bibliotecas aparecem deficientes e nada convidativas.
O professor precisa passar por uma espécie de reformação
para reavaliar aptidões, conceitos e conhecimento,
defende.
Por outro lado, o Rio Grande do Sul é o estado brasileiro
com maior índice de leitura, cerca de 2,3 livros por pessoa
ao ano, que conforme as pesquisas da Câmara Brasileira do
Livro (CBL) equivalem ao dobro do restante do país. Esse
número é baixo se comparado aos países europeus
e asiáticos, onde se lê até 30 livros ao ano.
Para o vice-presidente da CRL e coordenador de programação
da feira, Vitor Hugo Knob, o livro é um produto nobre e,
dessa forma, qualquer empresa gosta de apoiar as atividades da
feira. Mas sabe-se que o preço de um livro é diretamente
proporcional à tiragem, por isso é caro.
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