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A importância
de ser do contra.
Um país inteiro
discute o que fazer nos próximos três anos com o governo que foi
eleito há exatamente 12 meses. Não é pouco tempo pela frente.
Em menos de três anos, por exemplo o fenômeno Fernando Collor
de Mello ascendeu politicamente, foi eleito, governou e acabou
sendo afastado por corrupção depois de uma verdadeira onda nacional
de mobilização. O que fazer nesse tempo tão longo sem um projeto
muito claro para o país, visto que a política econômica não emite
sinais de que trará soluções aos problemas mais graves do país?
Foi essa pergunta
que fizemos a várias autoridades no assunto durante o mês de setembro,
e que agora chegam ao leitor do Extra Classe em forma de reportagem
de capa. A maioria das pessoas ouvidas pelo repórter César Fraga
acha que estamos vivendo sim uma situação delicada, com um presidente
rejeitado por dois em cada três brasileiros e um projeto que privilegiou
o modelo defendido pelo FMI questionado até por aliados políticos
do governo.
Não que corramos
algum risco imediato de volta abrupta da inflação ou descontrole
produtivo iminente. Até por causa da recessão, a volta de uma
ciranda inflacionária - que acabou com o presidente José Sarney
em 1988, dando-lhe a maior rejeição da história do país - é pouquíssimo
provável neste momento, como nos explica o economista Cássio Calvete
na página 23. Mas não que os elementos constitutivos desse fenômeno
-o desequilíbrio cambial, a especulação e a monopolização de alguns
setores vitais da economia, não estejam presentes.
Por isso mesmo
deve-se acelerar o debate em torno das alternativas políticas
e econômicas ao modelo atual, como alerta o cientista político
Eduardo Corsetti. O sistema evidenciado nos últimos dez anos não
trouxe crescimento, pelo contrário. Estagnou o país num padrão
medíocre de desempenho e elevou taxas de desemprego e de dependência
externa. Constatar que o monólogo neoliberal acabou é a boa notícia
desse processo de crise de modelo e de governabilidade.
Por outro
lado, a crise também resgatou o movimento social de sua falta
de propostas e de iniciativas que caracterizou o primeiro mandato
de Fernando Henrique. Um movimento social forte é condição essencial
para a democracia, para o debate, para o contraditório. É o que
podemos concluir a partir da reportagem de Sandra Hahn nas páginas
8 e 9, onde as lideranças sindicais do estado e do país explicam
a agenda de manifestações que tem por objetivo justamente acabar
com o monólogo neoliberal.
Em suma, às
vezes uma crise com a gravidade da que estamos vivendo pode reacender
o debate em torno dos melhores rumos para o país. Debate esse
que foi abafado - sufocado, até - pela presunção de que o modelo
adotado por esse governo era inevitável e mesmo infalível. Sabemos,
agora, que não é.
O
Editor
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