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Respeitos
as diferenças
Afinal,
como o aluno aprende? Foi fazendo esse questionamento que 12
educadoras do Vale do Sinos se deram conta, a partir da linha
de trabalho de vários estudiosos e pedagogos, que é preciso “ressignificar”
o aprender. Com essa certeza, constatada a partir da organização
da suas próprias práticas pedagógicas, decidiram compartilhar
essa reflexão - que acreditam transformadora - e escrever um
livro.
Saiu
então Reinventando a escola, um caminho de aprendizagem
pelo respeito às diferenças, lançado em março deste ano pela
Instituição Evangélica de Novo Hamburgo. No livro lêem-se alguns
pré-requisitos para que de fato possa ocorrer essa ressignificação
do aprender. Entre eles o respeito pela individualidade de cada
aluno, a compreensão de que o conhecimento partilhado se constrói
por meio da atividade e do discurso conjunto e o entendimento
de que a intervenção do professor deve ser no sentido de proporcionar
situações educativas que promovam a autonomia do sujeito, valorizando
o que ele já sabe.
As autoras
afirmam que no seu trabalho procuraram visualizar as múltiplas
diferenças dos alunos. “Pensar a diferença é ter em mente a mudança
e flexibilidade. Nós aprendemos e concebemos o mundo de forma
heterogênea, por isso conhecer e descobrir de que maneira o aluno
aprende é essencial para o professor intervir nesse processo”,
escrevem as autoras no livro. Para elas, como o conhecimento
também é construído a partir das relações do indivíduo com o
espaço natural, cultural e social, os educadores devem favorecer
atividades em pequenos grupos, pois a interação é fundamental
para o processo de ensino e aprendizagem.
Na obra, esta
proposta de ensino-aprendizagem recebe a denominação de Atividades
Diversificadas. Sinteticamente, ela recomenda trabalhos em pequenos
grupos com atividades diferenciadas, desafios mais complexos
para alguns alunos e mediação dos educadores, promovendo um
laço singular com cada aluno.
Detalhe peculiar
do livro é que cada capítulo inicia com uma frase, escrita em
uma língua diferente. Na verdade, é sempre a mesma frase do psicanalista
Jorge Visca que diz o seguinte: “a aprendizagem para uma pessoa
abre o caminho da vida, do mundo, das possibilidades até de ser
feliz”. Janete Teresinha Hugenthobler, supervisora pedagógica
e uma das autoras, explica que a citação tem o objetivo de,
justamente, evidenciar as diferenças. “Sem o domínio da língua
e conhecimentos prévios, o significado do pensamento de Visca
não seria compreendido. Portanto, é necessário que haja uma
idéia, um saber relativo que se possa pensar a respeito e construir
um conhecimento”, diz.
As autoras
são Adriane Brévia, Ana Cristina Richter, Ana Paula dos Reis,
Carina Saraiva, Cleunir Mendonça Eloi, Fernanda Gehlen Eckard,
Flávia Gehlen, Janete Hugenthobler, Marga Muller Rodrigues, Maria
Helena Bressler, Rosani Lunkes Ramm e Sabrina Ferreira.
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