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Enquanto
fechávamos esta edição do Extra Classe, os
jornais diários anunciavam a descoberta de focos de febre
aftosa no Estado. Embora a agricultura não seja a área
específica de cobertura deste jornal, seria impossível
ficar alheio a significância dos fatos. Por muitos anos,
a febre aftosa, uma doença que dizima os rebanhos e funciona
como um fortíssimo obstáculo à exportação
de carne, ficou de fora das fronteiras do Rio Grande do Sul. Agora,
como coelho da cartola, em plena época de Expointer, quando
o Estado estava a ponto de conseguir a certificação
de organismos internacionais como zona livre da doença,
focos de aftosa explodem misteriosamente. Sabendo-se
das desavenças entre os grandes produtores rurais do RS
e o governo comandado por Olívio Dutra com atuação
destacada do secretário da Agricultura, José Hermeto
Hoffmann, e sabendo-se que as primeiras investigações
sobre o assunto indicam possibilidade de ter havido até
mesmo uma espécie de terrorismo químico
com a inoculação proposital da doença ou,
no mínimo, um extremo desleixo de alguns criadores ao insistir
no contrabando de gado contaminado, a situação
gerou um quadro que deixou estarrecida a opinião pública.
De qualquer maneira, tudo soa a uma grande reação
ao governo do PT por uma parcela da sociedade que teme tanto as
mudanças possíveis ou imagináveis que prefere
a autoimolação de seu rebanhos em nome de uma aparente
estabilidade que muitas vezes está mais próxima
da estagnação do que de uma almejada paz perpétua.
A situação, paradoxal, é a do homem em pânico,
o qual por um medo insano de perder o que possui, põe a
perder o que todos possuem, corroendo o bem comum e gerando uma
situação de caos. Essas pessoas querem manter intacto
seu pequeno mundo conquistado e manipulá-lo independente
da vontade da maioria, mas como nas palavras do milenar Tao Te
King, querer conquistar o mundo, sei por experiência
que não dá certo. Quem o manipula o destrói,
quem quiser segurá-lo, perde-o.
Nossa
Capa
Na capa desta
edição utilizamos uma reprodução parcial
da obra O que exatamente torna os lares de hoje tão
diferentes, tão atraentes?, de Richard Hamilton.
Esta colagem, de 1956, é o marco inicial da Pop Art, que
privilegiou a utilização dos símbolos da
comunicação de massa, de propaganda e do consumo,
influenciando definitivamente a visão ocidental contemporânea
do belo.
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