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Uma
tarefa difícil até para quem está preparado
| Foto:
René Cabrales |
Durante
seis meses, a conselheira Leci colheu informações
para denunciar um policial aposentado que, apesar de viver
em uma cadeira de rodas, abusou sexualmente de 21 meninas.
Não era função do Conselho Tutelar
mas, como ninguém dava ouvido às meninas,
eu e a outra conselheira as orientamos a pegar provas,
conta. O processo de conscientização para
que as crianças e os adultos denunciem, enfatiza
Leci, ainda está sendo construído. |
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| "Houve
muitos momentos em que fiquei em dúvida se valia
a pena", lembra Leci Soares Matos |
Teoricamente, o Conselho Tutelar só
deve ser acionado se o órgão ou pessoa responsável
pela educação, pela saúde ou pela segurança
da criança e do adolescente não exercer adequadamente
seu papel. O conselheiro não tem a função
de substituir outros órgãos públicos. O problema
é que a burocracia e a falta de serviços para atender
à demanda da população é tão
grande, que muitas vezes pais, educadores, e a sociedade em geral
apelam direto para os conselheiros tutelares e se frustram quando
eles não fazem o que os outros órgãos deviam
fazer.
É comum um pai procurar o Conselho Tutelar, por exemplo,
para garantir a seu filho uma vaga na escola. Ou a direção
dos colégios buscar a ajuda dos conselheiros para recuperar
um aluno que falta muito às aulas, quando essa seria uma
função do assistente social ou do próprio
professor. Os profissionais não estão preparados
para atuar à luz do ECA, constata Leci. O ECA
diz que a escola tem de esgotar todos os recursos. Diz também
que o professor deve denunciar quando souber de um caso de abuso
sexual. Quantos, no entanto, fazem isso?
Há cidades do interior do Rio Grande do Sul em que os conselheiros
tutelares não têm nenhum preparo, ou os conselhos
não foram implantados efetivamente, salienta Leci, que
é membro da Comissão Estadual dos Conselhos Tutelares.
Como resultado, muitas crianças vão para as ruas
de Porto Alegre por falta de programas em sua própria cidade.
O juiz de Direito João Batista Costa Saraiva, do Juizado
Regional da Infância e Juventude de Santo Ângelo,
considera que a situação do Interior tem evoluído,
apesar de alguns fracassos, e nota uma preocupação
no sentido de legitimar as ações de acordo com o
ECA. Estive em Santiago recentemente e o grande debate é
sobre a reformulação da lei para impor requisitos
de qualificação dos conselheiros, afirma Saraiva.
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