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Ítalo
Calvino: Um General Na Biblioteca
Inéditos
de Calvino resgatados do baú
César
Fraga
Divulgação
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Livro
traz textos do escritor italiano criados entre os anos 40
e a metade dos 80
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Desci da calçada,
recuei uns passos, olhando para cima, e, chegando no meio da rua,
levei as mãos à boca, como um megafone, e gritei
para os últimos andares do prédio:
Tereza!
A minha sombra se assustou com a lua e se agachou entre meus
pés.
Este é
o trecho inicial do novo livro de Ítalo Calvino: Um General
Na Biblioteca (Editora Cia. das Letras, 250 páginas). Novo?
Mas o cara morreu em 1985. Pois é. Esther Calvino, a esposa
de Ítalo, resolveu tirar do baú, textos que o autor
escreveu, ao longo dos anos, desde a década de 40, até
o final da vida. São em sua grande maioria pequenos contos
e apólogos. O trecho do texto em questão é
de 1943, extraído do conto O Homem que Chamava Tereza.
Se não chegam a genialidade de Cidades Invisíveis
e O Visconde partido ao Meio, servem para mostrar os verdes anos
do escritor, tido por muitos como fundamental para entender o
que se espera da arte neste milênio (ver seis propostas
para o novo milênio de sua autoria).
O livro está dividido em duas partes, a primeira compreende
a fase que vai de 1943 a 1958. Nesta, estão textos como
Consciência, O voluntário e Solidariedade, que já
mostram um Calvino estranhado diante de um mundo, que precisava
de mudanças. É justamente nesta época, lembremos,
que a Itália estava no auge da segunda guerra, que o escritor
passa a fazer parte do Partido Comunista italiano. Sua estréia
na literatura virá só em 1947 com O atalho dos ninhos
da aranha, sua primeira publicação. A estréia
na ficção em 1949, foi com Por último vem
o corvo.
O interesse do livro está menos na qualidade do texto e
mais na trajetória do escritor. Cada conto ou apólogo
representa um momento de sua vida e pela primeira vez pode ser
vista em paralelo com sua obra conhecida. São tentativas,
esboços, estudos, mas não menos importantes.
Menos ingênuos e mais interessantes, porém, são
os escritos da fase compreendida entre 1958 e 1984, já
escritor maduro. Mas Calvino é Calvino. Se ele próprio
não quis publicar em vida este material, talvez por considerá-los
menores, pouco importa. Em todos os textos é possível
reconhecer a leveza com que escrevia e a estranheza que pretendia
causar, muitas vezes, dizendo o óbvio.
Leia também:
- Murilo
Mendes: Poesia Liberdade e Tempo Espanhol
- Outros títulos
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