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Ao gosto
do freguês
A face mais
preocupante da mercantilização do ensino é
justamente aquela que se apresenta sob disfarce, o simulacro,
a fraude, mesmo na forma de produto posto em uma prateleira, ou
melhor, em um grande drive thru onde os desavisados compram cursos
rápidos e levam para casa diplomas sem recheio. A investigação
do Extra Classe a respeito dos cursos de pós-graduação
de final de semana e férias, que têm inundado os
corredores das escolas estado afora, constatou uma série
de irregularidades logo de início. Também ficou
registrada a falta de critério da SEC no reconhecimento
dos cursos lato sensu para fins de progressão dos planos
de carreira, bem como a falta de uma legislação
e fiscalização mais adequadas por conta do MEC.
Para os professores estaduais, trata-se de tentar uma melhora
nos salários e acrescentar conhecimentos ao currículo,
mas, para o Estado, significa pagar a mais por uma qualificação
duvidosa. E estamos falando de dinheiro público. Nada mais
justo que um professor se qualifique e passe a ganhar mais por
isso, mas essa qualificação deve ser concreta, verdadeira.
Como um curso relâmpago, que não consegue cumprir
as cargas-horárias mínimas exigidas e até
mesmo respeitar as resoluções do CNE, que já
são suficientemente generosas, pode garantir qualidade
e legitimidade?
E, por falar em faces e simulacros, o que mais chama a atenção
nas eleições presidenciais é o quanto o marketing
substituiu as plataformas. O palanque eletrônico apresenta
candidatos-personagens orientados pelos gurus da propaganda. As
velhas ideologias e conceitos de direita e esquerda dão
lugar à maquiagem, ao figurino, às frases e aos
gestos estudados. Cada vírgula, cada respiração
é e tem conseqüências nas pesquisas. Os candidatos
são preparados ao gosto do freguês, o eleitor. Resta
saber o quão exigente é esse consumidor, que possui
um produto moldado ao seu gosto. Infelizmente, trata-se do mesmo
eleitor de pleitos passados, um pouco mais calejado, mas o mesmo.
O eleitor brasileiro tem o perfil que o censo do IBGE nos exibe
e é ao gosto desse eleitor que os marqueteiros adequam
seus candidatos. A política fica reduzida a uma questão
de gosto. Gosto não se discute, política sim.
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