|

Comung faz
denúncia ao MEC
César
Fraga
Em conseqüência
destes e de vários outros casos similares, o presidente
do Comung (entidade que representa as universidades comunitárias
do Estado), Luis Augusto Campis, encaminhou um pedido de informações
e providências junto ao MEC/CNE na última semana
de agosto pedindo informações sobre as Faculdades
Integradas de Palmas, do Vale da Ribeira e de Amparo. Nenhuma
delas possui credenciamento para ministrar cursos a distância,
e não há unidades registradas fora das suas sedes
segundo o site do MEC. Este pedido de consulta encaminhado
ao MEC pretende obter uma resposta sobre a possibilidade ou não
de se fazer cursos de especialização numa instituição
fora do estado de origem, sem nenhum tipo de estrutura física,
nem professores orientandos. Hoje há um vazio na legislação.
Seria fácil denunciar, mas não é só
isso. Queremos que o MEC se pronuncie de forma objetiva e clara.
Da forma como está, não há porque montar
toda uma estrutura de universidade, contratar professores, construir
bibliotecas, manter acervos, se qualquer um pode oferecer cursos
de especialização sem a mínima responsabilidade
com a qualidade e requisitos mínimos para isso. Para
ele este problema está inserido em outro bem mais amplo
que é o da mercantilização do ensino. Esse
fenômeno inverte o objetivo da educação em
desenvolver a cidadania e se transforma ela própria em
mercadoria e instrumento de ascensão social ou salarial.
Para a Coordenadora de Pós-Graduaçãoa Lato
Sensu da Unisc, Liane Kipper, os cursos se instalam e não
cumprem as resoluções do MEC. Não são
cursos a distância, mas também não são
totalmente presenciais. O Rio Grande do Sul tem cursos universitários
muito bem-estruturados nas federais ou particulares e não
sei por que as pessoas procuram essas instituições.
O compromisso dos gestores universitários é primar
pela qualidade. O RS tem tradição no sistema de
pós graduação Lato Sensu e não precisamos
desses cursos duvidosos, diz.
| César
Fraga |
 |
|
A
maioria dos candidatos matriculados pertencem à rede
estadual de ensino
|
Em abril,
os reitores das universidades gaúchas (UNISC, URI, UPF)
tiveram uma reunião no Conselho Estadual de Educação
para avaliar a situação. Constatou-se que a atual
legislação ficou muito permissiva. Fizemos
sugestões ao CEED para que se definam normas e padrões
de qualidade para todo o estado. Em outros conselhos, como o CREA,
se discute em conjunto normas e padrões de qualidade. Antes
de 2001, havia a Resolução 20, de 1996 do Conselho
Nacional de Educação que definia o padrão
dos cursos oferecidos fora de sede. Essa resolução
era muito boa, pois deixava claro o que era necessário
para se ter qualidade. Em 2001, a resolução foi
extinta e ficou uma brecha, argumenta Kipper.
A professora Mara Regina Rössler, Pró-reitora de Pesquisa
e Extensão da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai
e Missões URI , também procurou o CEED
e, desde o ano passado, tem feito pedidos de informações
ao CNE sem respostas sobre o assunto: Me preocupa a qualificação
do profissional. Vamos conversar com o MEC e com o Conselho Estadual
para tentar definir normas para o Estado. Os relatos que temos
são alarmantes. Atualmente o lato sensu está como
uma terra de ninguém, algumas instituições
só visam ao lucro e esquecem a qualidade.
CEED
Sabemos que, neste caso, a competência para
legislar e fiscalizar a Educação Superior é
do Conselho Nacional e ele tem o dever de se pronunciar a respeito;
no entanto, são os professores integrantes do nosso sistema
de educação os que estão sofrendo o
efeito de uma oferta que pode estar muito aquém da qualidade
que perseguimos. A Comissão Especial do CEED, criada para
tratar do assunto, já reuniu as informações
e documentos para subsidiar questionamento que será
encaminhado ao Conselho Nacional e, na falta de competência
legal para intervir diretamente sobre essas instituições,
divulgará os resultados do seu trabalho, alertando a todos
os segmentos da comunidade educacional do Rio Grande do Sul
afirma a conselheira Cecília Bujes, que integra a comissão
do CEED que estuda o caso.
| MEC
estuda o caso |
| Conforme
contato de nossa reportagem com a assessoria do MEC/CNE,
as informações levantadas pela matéria
estão sendo encaminhadas para apuração
e levantamento de possíveis denúncias
anteriores, porém até o fechamento desta
edição, nenhuma manifestação
mais conclusiva foi apresentada pelo ministério.
No entanto, constam pelo menos dois pareceres do Conselho
Estadual de Educação de Santa Catarina
referentes a possíveis irregularidades praticadas
naquele estado pelas Faculdades Integradas de Amparo.
Uma delas refere-se à oferta de cursos de Mestrado
em Educação Infantil e Ensino Fundamental
em Laguna/SC sem autorização da Capes,
e outra enumerando uma série de irregularidades
em cursos oferecidos pelas Faculdades Integradas do
Vale da Ribeira em que o descumprimento das cargas-horárias
seria ainda mais grave. Conforme o conselheiro José
Ari Celso Medertal em seu Parecer 238 do Conselho Estadual
de Santa Catarina, as aulas seguiriam a dinâmica
de cursos a distância, porém sem autorização
para isso. Este parecer também foi enviado para
o MEC em regime de colaboração, conforme
o presidente da Comissão de Educação
Superior Adelcio Machado dos Santos, e para todos os
demais Conselhos Estaduais com o objetivo de dar ciência
sobre o caso. |
|
Voltar para:
- O fast food da pós-graduação
Leia também:
- Educação
popular é tema de colóquios
|