Polarização
no estado é acirrada
Paulo
César Teixeira
O quadro também está encardido no Rio Grande do
Sul. Há uma disputa acirrada pelo governo do Estado,
com empate técnico entre Tarso Genro (Frente Popular)
e Antônio Britto (PPS), segundo nossos levantamentos,
relata Flávio Silveira, professor do Departamento de
Ciências Sociais da PUC/RS e diretor do Instituto de Pesquisas
Meta, de Porto Alegre.
Ao contrário do que ocorre em nível nacional,
em que a semelhança de discursos e propostas confunde
o eleitor, a eleição gaúcha obedece a uma
polarização histórica, com posições
bem-delineadas à direita e à esquerda. Um dado
importante é que 50% do eleitorado ainda está
indeciso. É um contingente que tem visão
negativa da classe política. É um paradoxo o fato
de que, em certas ocasiões, os eleitores que se colocam
à margem do jogo partidário podem definir a eleição,
diz Silveira.
Para Tarso, a exemplo de Serra, a dificuldade é apresentar-se
como candidato de uma administração com a qual
não se identifica inteiramente. Queira ou não,
carrega o desgaste de ser governo. A gestão de
Olívio Dutra cometeu graves erros políticos, como
não preservar a base de sustentação política
que a elegeu. Além disso, gerou conflitos desnecessários
com diversos segmentos sociais, o que aprofundou o clima hostil
ao seu redor, afirma Carlos Arturi, do Programa de Pós-Graduação
em Ciência Política da UFRGS.
Já o calcanhar de Aquiles de Britto é o elevado
índice de rejeição 36% contra 29%
de Tarso. Apesar do apoio de cerca de 60% das bases eleitorais
do PDT, ele enfrenta sérios problemas de imagem. As
pesquisas qualitativas mostram que grande parte do eleitorado
não o considera confiável, nem acredita que diga
a verdade. Brito é classificado como arrogante e elitista,
não sendo visto como um político que defenda os
interesses populares, acentua Silveira.
Volta para:
- O
I Ching das eleições
- Direita se apropria
da campanha de Ciro
- Trator
de Serra não une os consevadores
- Lula: de sapo
barbudo a senhor "bonito e simpático"