Concursados saem perdendo

Jéferson Assunção

A troca de ativos entre a Petrobras e a YPF-Repsol gerou ainda um mal-estar entre os trabalhadores. Afinal, para a concretização do negócio, foi criada a empresa pública Refap S.A. Assim, cerca de 800 trabalhadores, que um dia passaram em concursos para trabalhar na Petrobras, vêem-se hoje funcionários de uma empresa muito menor e com muito menos prestígio no mercado. “Queremos discutir isso. Afinal, esses trabalhadores passaram no concurso para a Petrobras e não para a Refap”, reclama Antonio Carlos Porto Jr, que ajuizou no meio do mês uma ação contra a empresa.

O advogado diz que um dos prejuízos para os petroleitros é o de não mais poderem ser remanejados para outras unidades da Petrobras, vantagem que a empresa oferece. Presente em todo o território nacional, quem passa num concurso da Petrobras pode ser transferido para qualquer lugar do País, onde houver oferta de vagas. É uma garantia a mais de emprego, conforme observa o sindicato. No entanto, os gaúchos, agora, estão fora desse sistema, por serem de outra empresa. O advogado salienta que, no tempo das privatizações, havia o problema de várias empresas que eram públicas serem vendidas, o que acabava com qualquer possibilidade de os trabalhadores reclamarem. “Agora são simplesmente duas empresas estatais, mas os trabalhadores foram concursados para apenas uma delas”, argumenta.

René Cabrales
Um dos prejuízos para os petroleiros é o de não mais poderem ser remanejados para
outras unidades da Petrobras

Busca por petróleo iniciou no século XIX

Um gigante como o Brasil sempre precisou de muito petróleo. Por isso, desde cedo, começaram as pesquisas no território nacional em busca do produto. A primeira tentativa de encontrar petróleo no Brasil foi feita ainda no final do século XIX. Entre 1892 e 1896, Eugênio Ferreira de Camargo instalou por conta própria, em Bofete (SP), uma sonda junto ao afloramento de uma rocha betuminosa. O furo atingiu mais de 400m, mas o poço encontrou apenas água sulfurosa. Somente muitos anos depois, em janeiro de 1939, é que se revelou a existência de petróleo no solo brasileiro. Foi no poço de Lobato (BA), perfurado pelo Departamento Nacional de Produção Mineral, um órgão do governo federal. O poço de Lobato produziu 2.089 barris de óleo em 1940. Coincidentemente Lobato era também o sobrenome do brasileiro que mais fez campanha pela independência do Brasil em termos energéticos naquela primeira metade do século XX. Famoso como o criador dos personagens do Sítio do Pica-pau Amarelo, além de outros clássicos da literatura brasileira, o escritor Monteiro Lobato lançou a campanha O Petróleo é Nosso, como editor, proprietário da maior editora brasileira na época, a Companhia Editora Nacional. Era um tempo de afirmação do caráter nacional, de construção de um projeto de desenvolvimento, hoje destruído pelo neoliberalismo, na opinião dos trabalhadores.

Nesse sentido, de nacionalização da produção de petróleo e de autonomia frente ao mercado internacional, em outubro de 1953, foi instituído o monopólio estatal da pesquisa, lavra, refinação, transporte e importação do óleo no Brasil, pela Petrobrás (Petróleo Brasileiro S.A.), hoje sem o acento na letra “a”, para melhor competir no mercado externo. Veio o árduo período de prospecção, o mais penoso da construção do patrimônio. Na década de 1950 e começo da de 1960, descobriram-se grandes campos, especialmente no Recôncavo Baiano e na bacia de Sergipe/Alagoas, além de se realizarem pesquisas no Amazonas e Paraná. Confirmando inspirações do imaginário brasileiro, em março de 1955, foi encontrado petróleo em Nova Olinda, no médio Amazonas, o que fez com que as perfurações se estendessem até o Acre.

No entanto, foi a crise do petróleo, iniciada em 1973, que obrigou o país a procurar petróleo em áreas antes consideradas deficitárias. Na década de 1970, intensificou-se a exploração de bacias submersas, que descobriu petróleo na bacia de Campos, litoral do Rio de Janeiro, duplicando as reservas brasileiras. O Brasil seguia para a ponta nesse tipo de exploração e chegaria nas décadas subseqüentes a deter a maior tecnologia do mundo em localização e extração de petróleo em águas profundas. Mais de 20 campos de pequeno e médio portes foram encontrados mais tarde no litoral do Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia, Alagoas e Sergipe. Em 1981, pela primeira vez, a produção dos campos submarinos ultrapassou a dos campos em terra. Emblematicamente, foi no Rio Grande do Sul que iniciou o refino de petróleo no Brasil, em 1932, ao ser instalada a Destilaria Sul-Riograndense em Uruguaiana e, em 1936, a de Rio Grande. Hoje é, conforme o Sindipetrosul, por onde começa o desmantelamento.


Volta:

- O petróleo é deles

Também:

- Alca: corrida contra o tempo

 

Fale com o Extra Classe