Extra Classe
Especial - Maio 2008
SINPRO/RS 70 ANOS
DE HISTÓRIA



O 15 de Outubro
A direção do sindicato negociou com as escolas para que o 15 de outubro fosse feriado escolar e passou o dia homenageando os mestres e afirmando a finalidade da entidade no maior veículo de comunicação de massas da época, o rádio. O governo estadual acabou por decretar feriado no dia 15.



Os pioneiros do Sinpro/RS
Documentos do arquivo do Sinpro/RS informam que, em 5 de maio de 1938, uma reunião para discutir a proposta de sindicato foi realizada na casa do professor José Luiz do Prado.



Sindicato Estadual
Em 1940 foram realizadas alterações no estatuto da entidade. Os diretores que não fossem proprietários dos colégios poderiam integrar o Sindicato. Em 1942, a entidade foi reconhecida como o Sindicato do Ensino Primário, Secundário e de Artes do Rio Grande do Sul, passando a ter jurisdição em todo estado.











No outono de 1938, os brasileiros de Porto Alegre viviam os primeiros meses do Estado Novo, implantado com o golpe de 10 de novembro de 1937 pelo presidente gaúcho. O regime de Getúlio Vargas prometia defender o Brasil da suposta ameaça comunista, organizar a Nação e superar o atraso do país. Uma das faces desse atraso era a Educação. Segundo dados do IBGE, o Censo de 1940 constatou que o analfabetismo entre a população com dez ou mais anos chegava a 56,8%. No Censo de 2000, essa taxa caiu para 12,1%, e na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, realizada pelo IBGE em 2006, o índice baixou para 10,2%.



Essa alteração foi obra de processos sociais onde emergiram dezenas de protagonistas que contribuíram para melhorar o quadro ainda preocupante da Educação no Brasil. Um deles é o professor que, para além da vocação, ao longo da História brasileira, constituiu-se como um trabalhador da Educação.

No Rio Grande do Sul, a síntese desse processo de mútua determinação entre a formação da categoria profissional e da sua identidade começa na organização do Sindicato dos Professores Particulares. Um grupo de professores tomou a iniciativa de fundar a entidade em 21 de maio de 1938, com o objetivo geral de “trabalhar pelo professor e pelo ensino”.

“Estaremos a postos sempre que estiver em jogo o direito do professor e tudo faremos em bem do ensino privado, promovendo a intensificação da cultura do professor, colaborando com o governo a prol do ensino primário e secundário”, afirmou o primeiro presidente da entidade, professor José Luiz Prado. Porém, outros objetivos já estavam sendo ventilados: a construção da Casa do Professor, a organização de uma biblioteca e realização de reuniões culturais.



A plenitude deste projeto só foi alcançada ao longo das décadas posteriores. Mas essa intenção, como uma carta de intenções ao futuro, estava expressa naquele longínquo 15 de outubro de 1938, o primeiro Dia do Professor no Rio Grande do Sul em que a categoria contava com a sua recém fundada organização sindical.

A direção do sindicato negociou com as escolas para que o 15 de outubro fosse feriado escolar e passou o dia homenageando os mestres e afirmando a finalidade da entidade no maior veículo de comunicação de massas da época, o rádio. O governo estadual acabou por decretar feriado no dia 15.

Mas o Dia do Professor, uma referência que vinha de um ato imperial de Dom Pedro I, em 1827, quando dos primórdios da Educação no país, só foi institucionalizado em 1963, pelo Decreto nº 52.682, de 14 de outubro, assinado pelo presidente João Goulart.

Foto: Reprodução/Arquivo Extra Classe
Os professores que fundaram o Syndicato, em 1938



O Sindicato surgiu em uma década de transformações rápidas no Brasil e no mundo. O cenário internacional era marcado pelas conseqüências da crise e violência do final dos anos 20. Nos Estados Unidos, depois de um período de prosperidade, a especulação levou à quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929. Dois anos antes, em 1927, devido à atuação sindical, os imigrantes italianos Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti tinham sido condenados à pena capital pela Justiça de Massachusetts sob a acusação de assassinato. Na Europa, os acordos aviltantes que resultaram do fim da Primeira Guerra Mundial, além de produzir dificuldades econômicas, exacerbavam sentimentos nacionalistas, criando as condições materiais e subjetivas para a ascensão do facismo, especialmente na Alemanha e na Itália. Logo, em 1939, começava a Segunda Guerra Mundial, na qual, três anos depois, o Brasil estaria participando.



No Brasil, a Revolução de 30 rompera com a “política do café-com-leite” da chamada República Velha. Na liderança do governo provisório, que se estendeu até a promulgação da nova Constituição, em 1934, quando da sua eleição pelo Congresso Nacional, Getúlio Vargas enfrentou e venceu a contrarevolução articulada em São Paulo, em 1932.

Apesar das dificuldades, ele começou a alterar as relações de poder e a estrutura do Estado brasileiro, com a organização administrativa, na qual se insere a criação do Ministério do Trabalho, sob o comando do gaúcho Lindolfo Collor, em 26 de novembro de 1930. Durante a era Vargas, no governo provisório, no Estado Novo e no início dos anos 50, o Ministério do Trabalho criou um conjunto de normas para subordinar às organizações sindicais à lógica do governo.

Medidas legais passaram a estabelecer a legislação sindical que regulamenta e mantém sob controle do Estado a ação de entidades patronais e de trabalhadores. Na seqüência são estabelecidos direitos, como a jornada de 8 horas, e regras como as da Lei da Nacionalização, que define em 2/3 o número de empregados brasileiros nas empresas. Dez anos depois, em 1940, é estabelecido o imposto sindical.



Também em 14 de novembro de 1930 é criado o então Ministério da Educação e Saúde Pública, dirigido pelo mineiro Francisco Campos. Foi reorganizado o ensino secundário, ampliando sua duração de seis para sete anos e incluindo também a formação profissional. O órgão desenvolveu políticas para ampliar a oferta de Educação. Entre 1930 e 1936, enquanto a população brasileira crescia de 37 milhões para 42 milhões de habitantes, o número de alunos do ensino secundário era multiplicado por quatro, de 40 mil para 160 mil.



No debate sobre a Educação e os rumos políticos do país, um novo personagem entra em cena. Depois de várias tentativas sem êxito, reunidos no Rio de Janeiro, no Conselho Nacional de Estudantes, em 11 de agosto de 1937, a juventude brasileira funda a União Nacional de Estudantes, que participará ativamente da vida nacional.

Em 1939, decreto governamental estabeleceu que toda fábrica, com mais de 500 empregados, deveria oferecer cursos de aperfeiçoamento profissional. Essa vertente será aprofundada no Estado Novo pela chamada Reforma Capanema, em 1942. Por iniciativa do ministro Gustavo Capanema é alterada a estrutura do ensino secundário (clássico e científico) e passam a ser promulgas as leis orgânicas do ensino industrial e comercial.



Neste período funcionavam algumas das escolas que haviam sido organizadas no início do século, como é o caso do Ginásio Anchieta e do Colégio Sévigné. Funcionavam: Farroupilha, Cruzeiro do Sul, Ginásio do Estado, Ginásio das Dores, Instituto Porto Alegre, Instituto Pestalozzi, Curso Noturno Anchieta, Cursos Brito Cunha, Curso Rui Barbosa, Curso Cardoso Filho, Colégio Americano, Colégio Batista, Colégio Concórdia, Colégio da Paz, Ginásio Julio de Castilhos, entre outros.



Documentos do arquivo do Sinpro/RS informam que, em 5 de maio de 1938, uma reunião para discutir a proposta de sindicato foi realizada na casa do professor José Luiz do Prado. O grupo que participou do encontro montou uma comissão com a tarefa de tratar do assunto junto à Inspetoria Regional do Trabalho. Eles obtiveram êxito. Com a designação de “Syndicato dos Professores Particulares e com a presença do representante da Inspetoria Regional do Trabalho”, a organização foi fundada no dia 21 de maio daquele ano. A reunião contou com a participação de 25 sócios fundadores, foi aprovado o estatuto da entidade e eleita a sua primeira diretoria.

A presidência coube a José Luiz do Prado e a vicepresidência a José Cavalheiro do Amaral. Foram eleitos para 1° Secretário Artur Reif, para 2° secretário Elinor Fortes, para 1° tesoureiro Antonio Magadan, para 2° tesoureiro Ernani M. Machado, para bibliotecária Valentina Paiva, e para o Conselho Fiscal os professores Arquimedes Fortini, J. Mesquita de Carvalho e Francisco Fausto Garcia. (ver tabela dos fundadores do Sinpro/RS). Para “atender aos interesses do magistério particular”, o sindicato alugou o 1º andar do prédio 317 da rua Dr. Flores, estabelecendo no local as instalações da entidade, entre as quais, uma biblioteca.



De acordo com os arquivos da entidade, a denominação de 5 “Syndicato dos Professores Particulares”, segundo o professor José Luiz do Prado, tinha razões objetivas. “Quisemos assim denominá-lo porque, em se tratando de uma associação de professores, era preciso bem distingui-la de suas congêneres. Há em nossa capital e no interior do Estado muitas organizações que obedecem a denominações sujeitas ao controle de seitas religiosas, outras em que seus membros pertencem ao funcionalismo público exclusivamente”. Quanto à possibilidade de os diretores de escolas participarem no sindicato, ele afirmou: “É bem de ver que não. São elles os patrões perante a lei syndical”. Além do corte de classe, a diferenciação feita pelo professor Prado ocorre porque, nesse período, grande parte das escolas estavam ligadas às ordens religiosas e havia, por exemplo, a Associação dos Professores Católicos. Aliás, essa época registra a polêmica do ensino religioso e laico. Indicador disso é que uma das primeiras providências da Revolução de 30 foi o Decreto nº 19.941, de 30 de abril de 1931, tornando o ensino religioso facultativo. Em 1932, o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, assinado por educadores, intelectuais e artistas como Anísio Teixeira, Edgar Roquette-Pinto e Cecilia Meirelles, defendia a laicidade, gratuidade e obrigatoriedade.




 



Continua:

1938 - 1958

De Getúlio a JK

1958 - 1978
Do desenvolvimento aos anos de chumbo

1978 - 1985
Da abertura política à rearticulação do movimento social

1985 - 2008
Oposição resgata luta sindical e assume direção da entidade


A primeira greve da categoria
Numa Assembléia Geral, com mais de 500 professores, foi decretada a primeira greve geral dos professores gaúchos da rede privada. Foram 18 dias, de 25 de abril a 12 de maio.


Devolução do imposto sindical
A partir de 1993, passou a ser devolvido aos professores associados o imposto sindical, que é recolhido pelo Ministério do Trabalho, e que consiste num mecanismo de atrelamento ao Estado.




Casa do Professor
Inaugurada durante a realização do 8º Cepep, em maio de 2007, é uma alternativa econômica e agradável para os professores do interior que têm de vir a Porto Alegre para cursos, reuniões ou para roteiros culturais.





Para o envio de cartas, sugestões e comentários para a redação ou exclusão da lista: extraclasse@sinprors.org.br - Extra Classe é uma publicação mensal do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul - SINPRO/RS - Av. João Pessoa, 919 - CEP 90040-000 - Bairro Farroupilha - Porto Alegre - RS - BRASIL - Fone (51) 4009.2900 - Fax (51) 4009.2917 - http://www.sinprors.org.br