Extra Classe
Especial - Maio 2008
SINPRO/RS 70 ANOS
DE HISTÓRIA



O 15 de Outubro
A direção do sindicato negociou com as escolas para que o 15 de outubro fosse feriado escolar e passou o dia homenageando os mestres e afirmando a finalidade da entidade no maior veículo de comunicação de massas da época, o rádio. O governo estadual acabou por decretar feriado no dia 15.



Os pioneiros do Sinpro/RS
Documentos do arquivo do Sinpro/RS informam que, em 5 de maio de 1938, uma reunião para discutir a proposta de sindicato foi realizada na casa do professor José Luiz do Prado.



Sindicato Estadual
Em 1940 foram realizadas alterações no estatuto da entidade. Os diretores que não fossem proprietários dos colégios poderiam integrar o Sindicato. Em 1942, a entidade foi reconhecida como o Sindicato do Ensino Primário, Secundário e de Artes do Rio Grande do Sul, passando a ter jurisdição em todo estado.









Os tempos da guerra e do Estado Novo coincidem com um período em que os professores particulares buscam consolidar a organização sindical, reunindo a categoria em torno das atividades da entidade. Neste período que segue até o golpe militar de 1964, a entidade buscou avançar na conquista de direitos e na identidade da categoria, chegando ao ano de 1945 com 600 associados e em 1964 com aproximadamente mil.

Contudo, antes foi realizado um trabalho para congregar os professores na entidade. Em 1939, o primeiro aniversário do sindicato foi comemorado com uma intensa programação cultural que se estendeu de maio até junho, quando foi realizada, de 16 a 21, uma semana de solenidades para assinalar o centenário de nascimento de Machado de Assis.

Foto: Reprodução René Cabrales/
Acervo do Museu e Arquivo Histórico La Salle
Estado Novo: Desfile de estudantes do ensino
privado na Semana da Pátria de 1943




Em setembro, no mês que marca o início da 2ª Guerra Mundial, foi entregue ao ministro do Trabalho o anteprojeto de lei que regulamentava as atividades do magistério particular. O projeto sancionado no início de 1940 como o Decreto-lei n° 2.028 estabelecia em caráter obrigatório o registro dos educadores no serviço de identificação profissional, fixava em no máximo 5 horas a jornada de trabalho, sendo que a atividade noturna não poderia exceder 3 horas. A legislação definia que não seria permitido o funcionamento de estabelecimentos que não remunerassem “condignamente os seus professores”, para os quais o projeto também estipulava o descanso dominical, férias escolares e pagamento de salários durante esse período.

Os professores receberam com otimismo o Decreto-lei 2.028, mas previam que a legislação não seria cumprida sem uma intervenção e fiscalização do Ministério da Educação. A característica da relação entre o Estado Novo, o “Pai dos pobres” e os sindicatos, inspirada na Carta Del Lavoro, também pode ser observada no telegrama enviado pelo presidente do sindicato, José Luis do Prado, ao presidente Getúlio Vargas, afirmando sua “gratidão pelo recente acto de V. excia., regulamentando o exercício do magistério particular e faz votos pela felicidade pessoal e prosperidade de seu magnânimo governo”.




Em 1940 foram realizadas alterações no estatuto da entidade. Os diretores que não fossem proprietários dos colégios poderiam integrar o Sindicato. Em 1942, a entidade foi reconhecida como o Sindicato do Ensino Primário, Secundário e de Artes do Rio Grande do Sul, passando a ter jurisdição em todo estado. Ao mesmo tempo, o Ministério da Educação emitia portaria definindo a duração das aulas (50 minutos durante o dia e 40 à noite) e os critérios para o salário mínimo do professor, a “ remuneração condigna”. Essa remuneração mínima do professor era baseada na contribuição mensal do aluno. Quando a turma excedesse a 25 alunos, o salário teria um acréscimo de 10%.



Em fevereiro de 1941, o sindicato pleiteava a representação dos professores do Ensino Superior, bem como de auxiliares de administração. Enquanto o serviço de assistência jurídica era feito pelo próprio presidente do sindicato, José Luis do Prado, em agosto daquele ano, foi criado o serviço de assistência médica que, nos anos 60 e 70, viria a ser a principal atividade do sindicato.



Neste período, em que governava o Rio Grande do Sul o interventor federal, coronel Osvaldo Cordeiro de Farias, um dos principais elementos do cenário educacional era a nacionalização do ensino, em função, principalmente, da imigração italiana e alemã no estado. Sem poder contar com o serviço da educação pública durante anos, as regiões de colonização, especialmente alemãs, criaram suas próprias escolas com ensino no idioma alemão, em geral vinculadas às suas ordens religiosas.

Mas a necessidade do uso da língua portuguesa era vital para o processo de integração e organização do país empreendido pelo Estado Novo. Com a ascensão do facismo na Alemanha e na Itália, era indispensável a nacionalização do ensino, tarefa que no RS coube a José Pereira Coelho de Souza, o secretário de Educação e Cultura no período de 1937 a 1945. As comunidades resistiram às determinações do governo de emprego do Português, e hostilizavam as professoras que eram encaminhadas de Porto Alegre para lecionar nestas comunidades no interior do estado. A situação recrudesce quanto o Brasil entra na guerra, em 1943, e inúmeras escolas tiveram de ser fechadas pelo governo, que proíbe o emprego da língua alemã.

Em 1943, depois de intensa discussão, os diretores dos estabelecimentos de ensino reconhecem a legitimidade das aspirações da categoria e da legislação instituída. No mês de junho, uma comissão designada pelo ministro da Educação passaria a estabelecer os critérios de “remuneração condigna” aos docentes das escolas particulares.



Em 1943, no Dia do Trabalho, o sindicato dava posse à diretoria eleita para o biênio de 1943-45, que mantinha como presidente José Luis do Prado. A “sessão comemorativa” foi presidida pelo delegado regional do Trabalho, Paranaguá de Andrade, e contou com as presenças à mesa de Caleb Leal Marques – presidente do Centro Industrial Fabril – e Oscar Machado reitor do Instituto de Porto Alegre. Na programação do Dia do Professor de 1943, foi inaugurada a biblioteca social do sindicato. Foram feitas homenagens ao então secretário de Educação Coelho de Souza, visita ao interventor federal Ernesto Dorneles e atividades culturais no Theatro São Pedro. Em novembro, em função do crescente número de sindicalizações, foi decidida a
criação de delegacias especiais em Santa Maria e em Pelotas. Em abril de 1945, foi inaugurada, em Pelotas, a 1° Delegacia da entidade, sendo escolhido para dirigi-la o professor Osvaldo Pinho Louzado.



Antes, na eleição de 28 de março de 1945, em chapa única, foi eleito presidente o professor Samuel Antonio de Figueiredo. Em março também foi realizado um encontro e eleição da Comissão Executiva do Congresso Sindical de Empregados do Rio Grande do Sul, quando o José Luiz do Prado assumiu como 2° secretário. Em abril, inaugurou-se a imprensa sindical no Sindicado, quando da distribuição do primeiro número do Boletim Social, publicação que tinha “como finalidade relatar todos os acontecimentos de classe”, também era iniciada a prestação do serviço dentário.

Nasce a entidade irmã, o Cpers. Em 21 de abril de 1945, reunidos na Sociedade Espanhola, um grupo de professores criou o Centro dos Professores Primários Estaduais, lançando as bases para a criação do Centro de Professore e posteriormente a do Cpers Sindicato. Entre as principais reivindicações da plataforma de fundação da entidade, estava o ingresso das professoras normalistas nas Faculdades de Filosofia e os reajustes salariais.



Coincidindo com o fim da Segunda Guerra, o ano de 1945 no Brasil é marcado pela ação da oposição ao governo, pressionando o presidente Getúlio Vargas que, em outubro, é deposto do poder. Como presidente do Supremo Tribunal Federal assume José Linhares, que governa o país até a posse do presidente eleito Eurico Gaspar Dutra. Ele será sucedido por Getúlio Vargas, que novamente assume o poder em janeiro de 1951, desta vez eleito pelo voto direto, para completar o último ciclo da era Vargas.

Esse período foi caracterizado pelos grandes debates nacionais que marcaram o ambiente da Constituinte de 1946 (promulgada em 18 de setembro), e que se estenderam pela virada da década com as campanhas e projetos sobre o monopólio do petróleo brasileiro, e que culminaram, em 1953, com a promulgação da Lei nº 2004, que criava a Petrobras.

Foto: Reprodução René Cabrales/
Acervo do Colégio N. Sra do Bom Conselho
“Brasileiros, vossa terra vale mais que todo ouro do
mundo”, diz o painel às costas dos alunos do
Colégio Bom Conselho, em evento
no estádio Farroupilha, em 1938



A patronal segue o exemplo dos trabalhadores da Educação. Assim, em dezembro de 1948, dez anos após a criação do primeiro sindicato de professores no Rio Grande do Sul, as escolas particulares criam o Sinepe/RS para contrapor ao Sinpro/RS. Desde então, a entidade sindical organizada pelas mantenedoras e proprietárias de escolas negocia não apenas questões atinentes às relações de trabalho, mas também disputa uma perspectiva e um projeto de Educação com o Sinpro/RS.



Em outubro de 1953, era eleita em assembléia geral uma comissão para elaborar o plano de criação da Casa do Professor (o projeto inicial nunca saiu do papel, só vindo a se concretizar em maio de 2007 a partir de uma nova concepção a partir de deliberação do 7º Cepep – Congresso dos Professores do Ensino Privado).

Em março de 1954, a direção do sindicato estabelece posição contra a proposta do governo de reforma do ensino secundário.

No ano em que o Brasil é sacudido pela crise que culminou com o suicídio do presidente Getúlio Vargas, e se estendeu até a posse de Juscelino Kubitschek, dois anos depois, em 1956, o sindicato realiza eleições. Em 3 de novembro de 1954, toma posse a diretoria eleita, presidida pelo professor João Zurlo, tendo como secretário Conceição de Paula Ribeiro e como tesoureiro Lucien Jean Felicien Thys.

Foto: Fototeca Sioma Breitman/
Museu J.J. Felizardo
Getúlio Vargas:
entre o fim do Estado Novo
e o segundo mandato



O ano de 1956 marca o início de um novo ciclo no Brasil, com a posse do presidente Juscelino Kubitschek e suas iniciativas desenvolvimentistas que incluem a construção de Brasília, iniciada em janeiro de 1957. Em outubro de 1956, é realizada nova eleição no Sinpro. No total, compareceram 126 votantes (25 votos na mesa localizada no sindicato, 97 votos na urna itinerante pelos estabelecimentos de ensino e quatro votos do interior). Novamente, houve uma única chapa disputando o pleito. Entre os diretores eleitos estavam Astrogildo Fernandes (presidente) e Maximiliano Boltanil (tesoureiro ou secretário-geral).


Juscelino
Kubitschek



Em dezembro de 1957, a Assembléia Geral da categoria autorizou o sindicato a filiar-se à Federação Interestadual dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Fitee). Em 1958, o sindicato movimentase para obter uma suplementação de salários assegurada pela lei do Fundo Nacional de Ensino Médio (FNEM).



Em Assembléia Geral no dia 11 de junho de 1958, os professores aprovaram um indicativo de greve caso a suplementação do FNEM não fosse
paga. A greve chegou a ser marcada para 12 de agosto, mas foi suspensa porque o pagamento reivindicado começou a ser pago. A pauta de reivindicação econômica também incluía a decisão da Comissão Federal de Abastecimentos e Preços (Cofap), que congelou as anuidades escolares, contra a qual o sindicato impetrou um mandado de segurança, enquanto levava para a Justiça o Dissídio Coletivo daquele ano, como uma forma de pressionar a Cofap a liberar as anuidades.



Em outubro de 1958, em chapa única, a nova diretoria do sindicato foi eleita com a participação de 147 associados (de um total de 219 associados em condições de votar). A diretoria eleita era formada por Artur Frederico Reif, José Lourenço Kunz e Lucien Jean Felicien Thys. No ano seguinte, em 1959, era adquirida uma sede própria para o sindicato, na Travessa Leonardo Truda, n° 98, no terceiro pavimento do Edifício Brasília.

Foto: Reprodução René Cabrales /
Acervo do Colégio N. Sra. do Bom Conselho
Sala de aula nos anos 50



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Continua:

1958 - 1978
Do desenvolvimento aos anos de chumbo

1978 - 1985
Da abertura política à rearticulação do movimento social

1985 - 2008
Oposição resgata luta sindical e assume direção da entidade

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1938 - 1958
Uma carta de intenções para o futuro


A primeira greve da categoria
Numa Assembléia Geral, com mais de 500 professores, foi decretada a primeira greve geral dos professores gaúchos da rede privada. Foram 18 dias, de 25 de abril a 12 de maio.


Devolução do imposto sindical
A partir de 1993, passou a ser devolvido aos professores associados o imposto sindical, que é recolhido pelo Ministério do Trabalho, e que consiste num mecanismo de atrelamento ao Estado.




Casa do Professor
Inaugurada durante a realização do 8º Cepep, em maio de 2007, é uma alternativa econômica e agradável para os professores do interior que têm de vir a Porto Alegre para cursos, reuniões ou para roteiros culturais.





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