Extra Classe
Especial - Maio 2008
SINPRO/RS 70 ANOS
DE HISTÓRIA



O 15 de Outubro
A direção do sindicato negociou com as escolas para que o 15 de outubro fosse feriado escolar e passou o dia homenageando os mestres e afirmando a finalidade da entidade no maior veículo de comunicação de massas da época, o rádio. O governo estadual acabou por decretar feriado no dia 15.



Os pioneiros do Sinpro/RS
Documentos do arquivo do Sinpro/RS informam que, em 5 de maio de 1938, uma reunião para discutir a proposta de sindicato foi realizada na casa do professor José Luiz do Prado.



Sindicato Estadual
Em 1940 foram realizadas alterações no estatuto da entidade. Os diretores que não fossem proprietários dos colégios poderiam integrar o Sindicato. Em 1942, a entidade foi reconhecida como o Sindicato do Ensino Primário, Secundário e de Artes do Rio Grande do Sul, passando a ter jurisdição em todo estado.








Foto: Arquivo Extra Classe

Em 1958, o Brasil passava pelas transformações implementadas pelo governo de JK. A construção de Brasília era símbolo de ousadia, a “metassíntese” do Programa de Metas de um governo que garantia estabilidade econômica e política com a proposta de modernizar o país, sem transformar as disputas e lutas sindicais em crise social. Para cumprir seus objetivos de industrializar o país e superar a dependência do setor agrícola, JK construiu um governo de maioria parlamentar e apoio junto às Forças Armadas pelo trabalho do marechal Henrique Teixeira Lott.

A estabilidade seria apenas um intervalo, como a História mostrou depois, com o golpe militar de 1964, na agitação e insegurança que marcaram os anos 50. Afinal, a posse em 1956. A eleição e a campanha em 1955 da chapa Juscelino e Jango foram precedidas de grande incerteza e tentativas golpistas, na seqüência de um período igualmente de grande instabilidade que caracterizou os anos de 1952 a 1954, no fim da era Vargas.



Para o movimento sindical, o período recente havia sido de conquistas, apesar do modelo de relação populista entre governo e sindicatos. Como ministro do Trabalho de 1953 a 1954, João Goulart havia atendido a reivindicações dos trabalhadores. A medida mais impactante em benefício da classe trabalhadora custou-lhe o cargo. O reajuste do salário mínimo em 100% provocou indignação do meio empresarial, que pressionou o governo.



As conspirações e movimentos que tentaram impedir a eleição de JK em 1955 justificavam tal postura no perfil de seu vice, Jango. Presidente nacional do PTB, Jango foi o herdeiro de Getúlio Vargas até que, em 1961, o movimento da Legalidade colocasse outro gaúcho no centro das atenções, o governador do Rio Grande do Sul, Leonel de Moura Brizola. Com a renúncia de Jânio Quadros em agosto de 1961, Brizola organizou a rede da Legalidade para garantir a posse do vice João Goulart. Em 1955, Jango havia obtido como vice mais votos que o presidente eleito, Juscelino. Nesse período, as eleições para os dois cargos eram separadas, tanto é que em 1960 foi novamente eleito vicepresidente, mesmo concorrendo em oposição ao presidente eleito Jânio Quadros.

Jango discursa ao lado da primeira-dama



O período do governo Jango corresponde a uma época de grandes mudanças no cenário político, na economia e nas relações internacionais, que vão desde a revolução em Cuba, que se consolida em janeiro de 1959, até as organizações de comércio bilateral, na América e com os países socialistas. Na política interna, o plano de desenvolvimento econômico do governo esbarra em resistências de setores sociais que se contrapõem às Reformas de Base, entre as quais a reforma agrária e a reforma tributária. No final de 1963, o país enfrenta processo inflacionário crescente e governo Jango adota medidas sociais como a previdência para os trabalhadores rurais, 13º salário para o funcionalismo e ensino gratuito financiado por empresas com mais de cem empregados.



Nesse período, a classe trabalhadora e as categorias, de modo geral, avançavam em conquistas desse tipo, comparáveis aos direitos adquiridos na Consolidação das Leis do Trabalho de 1943. Em fevereiro de 1964, a entidade passa a denominar-se Sindicato dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Sinpro), ampliando sua base de representação, com a inclusão dos professores do Ensino Superior da particular. No mesmo ano, a sede social do sindicato foi transferida da Leonardo Truda, nº 98 para as novas dependências, mais amplas, na rua Marechal Floriano Peixoto, n° 38, 5° andar no Edifício Galeria Nossa Senhora do Rosário.



Contudo, esse período marcaria um revés decisivo na vida do país e dos sindicatos, com o golpe militar. A situação agravou-se na virada do ano de 1964, tensões internas e pressões externas, especialmente devido às relações do Brasil com os países socialistas, precipitavam as condições para o golpe de Estado. Dois fatos resumem o confronto em curso: a manifestação de 13 de março com 150 mil pessoas na Central do Brasil, onde Jango anuncia as reformas de base e a estatização de refinarias de petróleo. Seis dias depois, no dia 19, a resposta veio com a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, uma articulação liderada pela Campanha da Mulher pela Democracia (Camde) e pela Sociedade Rural Brasileira (SBR). Na madrugada do dia 31 de março, o golpe era concretizado e dias depois assumiria a presidência o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco.



O então secretário do Sindicato na época, João Pessoa Mucílio Damásio, eleito presidente naquele mesmo ano, lembra do clima em março de 1964: “Os colégios eram sacudidos por uma intensa mobilização provocada pelos meios políticos e sociais descontentes com a situação do país”. Segundo ele, a categoria havia decidido participar de uma greve geral da classe: “Nós fizemos várias assembléias. Na última, realizada na minha casa, foi decidida a greve como forma de adesão ao movimento geral da sociedade”.

O golpe veio antes da greve e com ele as intervenções nos sindicatos e o fechamento das entidades do movimento estudantil. Os Decretos-Lei 228, de 1967, e o 477, de 1969, respectivamente calaram estudantes e alunos. Damásio conta que não houve intervenção no Sinpro, mas uma mensagem de informação da nova direção: “recebemos um telefonema dizendo que o sindicato passava a ser dirigido por um órgão da Polícia Federal, mas uns meses depois fomos liberados para atuar, porque um tenente do exército nos comunicou que não havia nenhum processo contra o sindicato, que a revolução não tinha nada contra nós”, relata o professor.



Nos cerca de 15 anos que se seguiram, especialmente na virada de 1970, a repressão foi voraz. Lideranças políticas e sindicais foram presas. Neste quadro, o movimento sindical brasileiro foi marcado por uma postura defensiva e prevaleceu o que, na época, denominou-se “peleguismo”. A característica desta atuação era o assistencialismo, o atendimento médico e dentário, convênios para compras de bens e serviços. Os únicos espaços de exercício da política passaram a ser os partidos permitidos pela ditadura, o situacionista Aliança Renovadora Nacional (Arena) e o oposicionista MDB.

Foto: Arquivo Extra Classe
Atendimento odontológico no sindicato




No final dos anos 60, a repressão recrudesce no país, com os Atos Institucionais, com censura à imprensa, prisões, tortura e morte, sustentada pela política de Segurança Nacional. Está praticamente impedida qualquer articulação da oposição ao regime militar. Apesar disso, especialmente em 1968, ocorrem manifestações estudantis e algumas greves operárias. Em outubro de 1969, toma posse o general Emílio Garrastazu Médici, que aperta ainda mais o cerco aos grupos de resistência. A máquina da repressão torna-se implacável. Em 1970, o Brasil “é o país que vai pra frente”, campeão da Copa do Mundo de futebol e, no dizer do presidente, “ninguém mais segura este país”. O crescimento da indústria automobilística, da exportação de produtos agrícolas, da construção de grandes obras como a hidrelétrica de Itaipú e a descoberta de bacias petrolíferas criam as condições para o chamado milagre econômico, que só foi ofuscado pela crise mundial do petróleo, em 1973 e 1974.

Nos anos 70, a diretoria do Sinpro/RS, como na maioria dos sindicatos brasileiros, realizava tarefas sindicais de cunho administrativo e assistencial. Havia uma grande preocupação em fazer do Sindicato uma entidade economicamente forte, e a intervenção do sindicato seguia o padrão do assistencialismo.



Mas na secunda metade dos anos 70, a sociedade brasileira começa a retomar a participação política. As palavras de ordem: luta pelas liberdades democráticas, pela anistia. Em 1978, depois de muita negociação e da eleição pelo Congresso Nacional do presidente João Batista Figueiredo, foi encaminhada a Lei da Anistia, sancionada em agosto de 1979. No mês de setembro retornam ao país lideranças como Leonel Brizola, Miguel Arraes e Luiz Carlos Prestes. Está em curso a reorganização partidária, que criaria o processo de refundação do PTB e a fundação do PDT. Da aliança entre setores do movimento operário, dos estudantes e intelectuais surgirá um novo partido político, o PT, criado em 1980.



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Continua:

1978 - 1985
Da abertura política à rearticulação do movimento social

1985 - 2008
Oposição resgata luta sindical e assume direção da entidade

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1938 - 1958
Uma carta de intenções para o futuro
De Getúlio a JK



A primeira greve da categoria
Numa Assembléia Geral, com mais de 500 professores, foi decretada a primeira greve geral dos professores gaúchos da rede privada. Foram 18 dias, de 25 de abril a 12 de maio.


Devolução do imposto sindical
A partir de 1993, passou a ser devolvido aos professores associados o imposto sindical, que é recolhido pelo Ministério do Trabalho, e que consiste num mecanismo de atrelamento ao Estado.




Casa do Professor
Inaugurada durante a realização do 8º Cepep, em maio de 2007, é uma alternativa econômica e agradável para os professores do interior que têm de vir a Porto Alegre para cursos, reuniões ou para roteiros culturais.





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