Extra Classe
Especial - Maio 2008
SINPRO/RS 70 ANOS
DE HISTÓRIA



O 15 de Outubro
A direção do sindicato negociou com as escolas para que o 15 de outubro fosse feriado escolar e passou o dia homenageando os mestres e afirmando a finalidade da entidade no maior veículo de comunicação de massas da época, o rádio. O governo estadual acabou por decretar feriado no dia 15.



Os pioneiros do Sinpro/RS
Documentos do arquivo do Sinpro/RS informam que, em 5 de maio de 1938, uma reunião para discutir a proposta de sindicato foi realizada na casa do professor José Luiz do Prado.



Sindicato Estadual
Em 1940 foram realizadas alterações no estatuto da entidade. Os diretores que não fossem proprietários dos colégios poderiam integrar o Sindicato. Em 1942, a entidade foi reconhecida como o Sindicato do Ensino Primário, Secundário e de Artes do Rio Grande do Sul, passando a ter jurisdição em todo estado.









Na segunda metade dos anos 70, a vida no país ainda foi uma queda de braço entre a ditadura e os movimentos progressistas. Progressistas eram chamados na época os movimentos de estudantes, de lideranças políticas do MDB, setores da imprensa nanica ou alternativa, de artistas, de intelectuais e de sindicalistas que sobraram da repressão e tinham alguma coragem para rearticular movimentos de oposição. No mundo do trabalho, a iniciativa era designada de oposição sindical, isto é, a chapa organizada para enfrentar as direções “pelegas”.



Mas os anos 70 eram os anos 70. O general Ernesto Geisel havia assumido a presidência em 1974, e a repressão do governo Médici continuava, apesar do bordão de “abertura lenta, gradual e segura”. Contudo, alguma forma de oposição já era possível, embora a violência do regime não arrefecesse: em 25 de outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog, é encontrado morto em um dos mais temíveis aparelhos de repressão, o DOI-Codi de São Paulo. No mesmo lugar, em janeiro de 1976, é assassinado o operário Manoel Fiel Filho.



As duas mortes geraram indignação e tornaram-se símbolos da luta contra a ditadura. Em abril de 1977, Geisel fecha o Congresso Nacional, em setembro a PUC de São Paulo é invadida pela polícia militar e cerca de 2 mil estudantes são presos, mas em dezembro Geisel promete o fim das “leis de exceção”. Em maio de 1978, ocorre uma greve no ABC paulista, quando 1,6 mil operários da Scania paralisam o trabalho. Em 1975, o movimento operário no ABC paulista já começa a reagir, elegendo na presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo uma jovem liderança que conduziria às greves de 1978, 1979 e 1980 no setor metalúrgico. Era Luiz Inácio da Silva, o Lula.



Movimentos grevistas eram proibidos na lei, sobretudo os considerados “atividades básicas”. Mas na prática, a ação dos trabalhadores já tinha de ser tolerada porque a sociedade reconhecia as greves como legítimas. Passaram a ocorrer greves localizadas. Foi assim com várias categorias. Com os trabalhadores que paralisavam o transporte coletivo na capital do Rio Grande do Sul. Foi assim com os bancários de Porto Alegre.



Foi neste contexto que os professores da rede pública estadual, liderados pela sua entidade, o Cpers Sindicato, em abril de 1979, realizaram a primeira greve de sua história. Na pauta, reivindicação econômica e política: 70% de reajuste salarial e contratação de 20 mil concursados sustentaram 13 dias de greve.



Desde meados de 1978, um grupo de professores começa a organizar-se em oposição sindical e trabalho militante, cobrando posturas da direção e tentando influenciar na condução da entidade. Essa circunstância garante que o Sinpro/RS manifeste solidariedade à greve dos colegas da rede pública e ao sindicato irmão.



Em 1976, o movimento estudantil universitário e secundarista também começava a organizar-se para retomar suas entidades, os grêmios estudantis, os diretórios acadêmicos. A maioria das palavras de ordem era específica, contra regras auto-ritárias nas escolas, por almoço a preço mais baixo no Restaurante Universitário (RU). Era o que mobilizava os estudantes naqueles tempos de repressão e estímulo à alienação política e social. Afinal, a propaganda da ditadura, as sucessivas mudanças nos currículos e a reforma da Educação de 1971, com o ministro Jarbas Passarinho, praticamente extinguiram os conteúdos humanísticos e incluíram as “disciplinas” de “Educação Moral e Cívica” e “Organização Social e Política Brasileira”.

Foto: Luís Ávila/ Agência RBS
Mais de 200 mil pessoas participaram
do comício pelas diretas em Porto Alegre




Mas uma palavra de ordem unificava: “Pelas liberdades democráticas” era o bordão na faixa que puxava as passeatas estudantis no inverno gaúcho de 1977. Seguiram-se as manifestações pela Anistia em 1978, quando o general João Batista Figueiredo era eleito presidente pelo Colégio Eleitoral. O ano de 1979 começa com uma intervenção em março no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, mas em maio a juventude de todo o Brasil está voltada para Salvador, acontecia o Congresso Nacional de Estudantes que refundava a UNE. Em agosto era sancionada a Lei da Anistia.



As greves de 1978 e 1979 no ABC paulista marcaram a rearticulação dos trabalhadores de vários setores. Havia interesses comuns, como construir um sindicalismo autônomo e independente, superar o assistencialismo, romper com o modelo de atrelamento das organizações sindicais ao Estado herdado do populismo. Essa mobilização levaria a dois desdobramentos fundamentais para História do Brasil. A fundação do Partido dos Trabalhadores, em 10 de fevereiro de 1980, e a fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 28 de agosto de 1983.



Antes que essas conquistas se concretizassem, muitas lutas foram travadas nas fábricas, nos sindicatos, universidades e escolas. É o caso dos professores particulares que, a partir de 1978 – muitos recém-saídos das lutas estudantis – organizaram-se em oposição à direção do Sinpro/RS. O apoio do Sindicato à greve da rede pública em 1979 foi um marco da ação desses militantes, que passaram a organizar a categoria pela base, nas escolas, com a eleição de Comissões Representativas. Organizaram-se também nos centros e associações de professores nas universidades e escolas. Em 1979 quebrou-se a tradição de negociação salarial sem conflito, quando a Assembléia Geral de 250 sócios rejeitou a proposta patronal. Naquele ano a categoria conquistou uma antecipação salarial antes da data base: 20% para os professores de 1º e 2º graus e 15% para os professores do Ensino Superior.

Foto: Dulce Helfer/ Agência RBS (Republicação)
Raul Pont com João Luiz Steinbach e Marcos Fuhr em
conversa com o então presidente Mendes Gendelmann



Estava na ordem do dia em 1979 a recuperação de perdas salariais em função de expurgos inflacionários decorrentes da manipulação de índices pelo governo. Essa era uma pauta que mobilizava e atraía a categoria para a luta da incipiente oposição sindical. Entre os pioneiros deste tempo estavam os professores Raul Pont, Júlio César Boeira, Renato Oliveira, Maria Eunice Barbiere, Selvino Heck, Roque Dal Ross, Adeli Sell, Maria da Graça Bulhões e Marcos Fuhr. Esse grupo inicial adquiriu forças a ponto de aprovar em Assembléia Geral, em 23 de julho, a constituição de uma Comissão Representativa, que passou a acompanhar as reuniões da diretoria do Sinpro, então presidida pelo professor Mendes Gendelmann, com a direção do Sinepe. Estava em negociação um abono emergencial de 30%. As mudanças na CLT propostas pelo governo também mobilizavam a categoria.




O professor Marcos Fuhr, que se associou ao Sindicato em 1978, lembra que tão complexo quanto mudar o perfil do Sinpro/RS foi unir a oposição, cujos integrantes tinham visões e perspectivas estratégicas diferentes. Essas divergências dividiram a oposição sindical em duas chapas na eleição de 1980. O professor Paulo Guedes liderava a chapa 2 e o professor Raul Pont a chapa 3. Venceu a chapa 1, da situação, com o professor Mendes Gendelmann, que manteve a mesma política.

Foto: Arquivo Extra Classe
Diretoria no final dos anos 70



Apesar disso, em 17 de agosto de 1981, o Sinpro/RS elegeu delegados para a 1ª Conferência Nacional da Classe Trabalhadora. A Conclat foi realizada de 21 a 23 de agosto de 1981 na Praia Grande (SP), reunindo 5.030 delegados de todo o país. Desta primeira grande reunião intersindical realizada no Brasil desde 1964, saiu a Comissão Pró-CUT.

Questionada e confrontada com a realidade social, pouco a pouco a política assistencialista do sindicato começou a esgotar-se. Marcos Fuhr recorda que os remanescentes das duas chapas de oposição continuaram atuando na oposição, motivando os professores para a associação ao Sindicato e a participação nas Assembléias, que ocorriam na Sala 400 do Colégio do Rosário. Em 1981, a oposição conseguiu filiar 820 sócios.



A oposição foi acumulando forças no movimento e conseguiu que em Assembléia Geral do Sinpro/RS fosse eleita uma delegação para acompanhar o Congresso de fundação da CUT, em 28 de agosto de 1983, embora sem o indicativo de filiação à entidade intersindical. Nessas lutas e com um exaustivo debate, a oposição construiu a unidade mínima para concorrer unificada na eleição de 1983. Na cabeça de chapa a professora Maria Eunice Barbieri, da Escola João XXIII, Raul Pont (Unisinos) como tesoureiro e Júlio César Boeira (PUC) como secretário-geral. Mas a força desta frente que reuniu militantes do PT, do PMDB, do PDT e do PCB não foi suficiente para vencer a chapa de situação do professor Mendes Gendelmann. Porém, a vitória ocorreu somente em segundo turno, por maioria simples, com uma vantagem de apenas 91 votos.



A experiência acumulada de 1978 a 1983 mudou o quadro no movimento sindical brasileiro como também a política sindical no Sinpro/RS. A negociação entre a entidade dos trabalhadores da Educação e a patronal deixou de ser uma conversa amistosa. Após a disputa eleitoral, o grupo de oposição ligado ao PT intensificou o trabalho de base e organizouse com coordenação política, arrecadação financeira e, com um boletim periódico, passou a intervir na perspectiva da próxima eleição, que ocorreu em 1986.

Pela primeira vez, em 1984, a categoria rejeitou a proposta patronal e o dissídio foi para julgamento na Justiça do Trabalho. Iniciou-se mobilizações por escola por melhores salários. Os professores do Colégio Anchieta fizeram um dia de paralisação em 19 de setembro, reivindicando o reajuste salarial de 100% do INPC, o índice que media a inflação.



Em 1985, no ano em que se realizou o 1º Encontro Estadual do Magistério Particular, foi desencadeada uma campanha pela reposição salarial de 30%: o sindicato patronal ofereceu apenas 5%. Mobilizados pela ação da oposição, em 19 de setembro, 90% dos professores e funcionários paralisaram as atividades. Sob chuva torrencial, 4 mil trabalhadores do ensino privado se concentraram na Praça São Sebastião, ao lado do Colégio Rosário, e seguiram em passeata até a Esquina Democrática para um ato público.

Fotos: Agência RBS (republicação)
Primeira paralisação foi um marco na história
do Ensino Privado gaúcho



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1985 - 2008
Oposição resgata luta sindical e assume direção da entidade

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1938 - 1958
Uma carta de intenções para o futuro
De Getúlio a JK

1958 - 1978
Do desenvolvimento aos anos de chumbo



A primeira greve da categoria
Numa Assembléia Geral, com mais de 500 professores, foi decretada a primeira greve geral dos professores gaúchos da rede privada. Foram 18 dias, de 25 de abril a 12 de maio.


Devolução do imposto sindical
A partir de 1993, passou a ser devolvido aos professores associados o imposto sindical, que é recolhido pelo Ministério do Trabalho, e que consiste num mecanismo de atrelamento ao Estado.




Casa do Professor
Inaugurada durante a realização do 8º Cepep, em maio de 2007, é uma alternativa econômica e agradável para os professores do interior que têm de vir a Porto Alegre para cursos, reuniões ou para roteiros culturais.





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