Ano 8 - nº 70
Abril 2003



Luis Fernando Verissimo:
Teste de História: qual foi a última vez que um país invadiu outro sem provocação, para mudar seu regime e se servir dos seus recursos naturais?



Nei Lisboa:
O conselho que George W. Bush recebeu do escritor alemão Günter Grass e obviamente ignorou, o de que consultasse um psicanalista ao invés de invadir o Iraque, é o máximo...



Elisa Lucinda:

Pouca gente se dá conta, mas estamos preparando sem pensar e aos poucos sem saber e sempre a nossa máscara da velhice. Estamos durante a vida, desde meninos, esculpindo talhe a talhe a forma da escultura na qual teremos resultado.







Jornalismo e propaganda de guerra

E o Extra Classe completou, em março, seus sete anos de atividades ininterruptas. Deixamos o registro para abril, afinal, a urgência da guerra, a qual precedeu o nosso último fechamento fez com que as comemorações ficassem para depois. E novamente não há motivo para festas, portanto, passaremos este aniversário comemorando de forma discreta. Continuaremos perseguindo o bom jornalismo, plural e crítico. Nossa celebração se dará na prática, no texto, no dia-a-dia da redação, na tentativa de ouvir e reportar o pensamento do maior número de fontes possíveis sobre os temas abordados. E, nessa busca, resta-nos lamentar o comportamento de parte da grande mídia americana (do norte) excetuando o The New York Times, que inclusive, tem sido acusado de pró-Iraque e anti-patriótico. O próprio âncora da CNN, Peter Arnett, que se celebrizou na cobertura da primeira guerra do golfo, foi demitido após conceder uma entrevista a uma TV iraquiana, na qual criticou a ofensiva EUA/Inglaterra, afirmando que Bush fracassara.

Como a guerra, desde o Vietnã, ocorre, em dois campos de batalha, o teatro de operações e o teatro da mídia. Em ambos, disputa-se palmo-a-palmo, território, armas, informação e poder. A diferença é que a realidade de um, geralmente brutal, é atenuada no outro, filtrada conforme interesses de estado, em nome do patriotismo. Como se o amor à pátria justificasse qualquer mentira sob o signo de uma pseudoliberdade para o mundo.

O governo Bush sabe que o inimigo bem mais perigoso que Saddam Houssein é a opinião pública dos EUA. E pouco importa o que deu no The New York Times, pois a parcela da população americana que não sofre de analfabetismo funcional e tem acesso aos textos do jornal não é significativa a ponto de reverter os 70% de apoio que a população tem dado à ação militar no Iraque. Pelo menos é o que dizem as pesquisas. Enquanto isso a CNN e os jornalistas que brincam de guerra ao lado dos soldados fazem o serviço dos assessores de imprensa do Pentágono e Casa Branca, confundindo jornalismo com propaganda. O assessores, a essas alturas, devem estar temerosos pelos seus cargos.





José Luis Fiori

Uma equação e várias incógnitas
Em momentos de ruptura ou inovação histórica, não é possível deduzir o futuro de um governo olhando apenas para sua composição ministerial. Seus nomes, suas trajetórias e suas militâncias partidárias são, sem dúvida alguma, muito importantes. Porém, são indicações insuficientes numa hora em que a decisão política é de...





William Faulkner: uma literatura em dois tempos
A republicação de Palmeiras Selvagens (Cosac e Naify, 295 páginas), do escritor americano William Faulkner (1987-1962) com tradução de Newton Goldman e Rodrigo Lacerda, oferece uma excelente oportunidade de conhecer ou reconhecer este que foi muito influente para diversos escritores brasileiros, como Carlos Heitor Cony e Antônio Torres, só para citar alguns.

Livros:
outros lançamentos







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