Jornalismo e propaganda de guerra
E o Extra Classe completou, em março, seus sete anos de atividades
ininterruptas. Deixamos o registro para abril, afinal, a urgência
da guerra, a qual precedeu o nosso último fechamento fez
com que as comemorações ficassem para depois. E novamente
não há motivo para festas, portanto, passaremos este
aniversário comemorando de forma discreta. Continuaremos
perseguindo o bom jornalismo, plural e crítico. Nossa celebração
se dará na prática, no texto, no dia-a-dia da redação,
na tentativa de ouvir e reportar o pensamento do maior número
de fontes possíveis sobre os temas abordados. E, nessa busca,
resta-nos lamentar o comportamento de parte da grande mídia
americana (do norte) excetuando o The New York Times, que inclusive,
tem sido acusado de pró-Iraque e anti-patriótico.
O próprio âncora da CNN, Peter Arnett, que se celebrizou
na cobertura da primeira guerra do golfo, foi demitido após
conceder uma entrevista a uma TV iraquiana, na qual criticou a ofensiva
EUA/Inglaterra, afirmando que Bush fracassara.
Como a guerra, desde o Vietnã, ocorre, em dois campos de
batalha, o teatro de operações e o teatro da mídia.
Em ambos, disputa-se palmo-a-palmo, território, armas, informação
e poder. A diferença é que a realidade de um, geralmente
brutal, é atenuada no outro, filtrada conforme interesses
de estado, em nome do patriotismo. Como se o amor à pátria
justificasse qualquer mentira sob o signo de uma pseudoliberdade
para o mundo.
O governo Bush sabe que o inimigo bem mais perigoso que Saddam Houssein
é a opinião pública dos EUA. E pouco importa
o que deu no The New York Times, pois a parcela da população
americana que não sofre de analfabetismo funcional e tem
acesso aos textos do jornal não é significativa a
ponto de reverter os 70% de apoio que a população
tem dado à ação militar no Iraque. Pelo menos
é o que dizem as pesquisas. Enquanto isso a CNN e os jornalistas
que brincam de guerra ao lado dos soldados fazem o serviço
dos assessores de imprensa do Pentágono e Casa Branca, confundindo
jornalismo com propaganda. O assessores, a essas alturas, devem
estar temerosos pelos seus cargos.