Ano 8 - nº 70
Abril 2003



Luis Fernando Verissimo:
Teste de História: qual foi a última vez que um país invadiu outro sem provocação, para mudar seu regime e se servir dos seus recursos naturais?



Nei Lisboa:
O conselho que George W. Bush recebeu do escritor alemão Günter Grass e obviamente ignorou, o de que consultasse um psicanalista ao invés de invadir o Iraque, é o máximo...



Elisa Lucinda:

Pouca gente se dá conta, mas estamos preparando sem pensar e aos poucos sem saber e sempre a nossa máscara da velhice. Estamos durante a vida, desde meninos, esculpindo talhe a talhe a forma da escultura na qual teremos resultado.







O ensino privado cresce no Estado

Estudo demonstra o crescimento do ensino privado no Rio Grande do Sul em todos os níveis. Porém, o setor vive um paradoxo. Há também uma crise causada pela diminuição de alunos matriculados nas escolas de ensino fundamental e médio. Ao mesmo tempo que os números apresentam dinamismo e expansão do setor, a diminuição do poder aquisitivo da classe média, o aumento da concorrência, entre outros fatores, têm sido apontados como os grandes vilões, obrigando instituições tradicionais a se reestruturarem.

César Fraga

studo do Departamento Intersindical de Economia e Estatística (Dieese/Regional Sul), solicitado pelo Sinpro/RS, divulgado em março, revelou crescimento no número de escolas e de cursos oferecidos na rede privada do Rio Grande do Sul. De 1997 a 2002, foram criadas 252 novas instituições de ensino privado (Educação Básica) e 768 novas ofertas de ensino com ampliação de séries do ensino fundamental, médio, educação infantil, autorização de cursos técnicos e educação de jovens e adultos. O levantamento também apontou crescimento na Educação Superior com a expansão das instituições já existentes (novos campi) e surgimento de novas faculdades e universidades. A evolução no número de alunos mais do que dobrou de 1994 a 2001, por exemplo, pulando de 105.828 para 214.383 alunos matriculados, totalizando 102%. O número de instituições privadas de ensino superior também subiu 7,30% em apenas um ano (entre 2000 e 2001).

“O mercado da educação cresceu. O setor contribui atualmente com cerca de 9% do PIB e está a frente, inclusive, do setor energético, alavancando a economia por conseqüência”, explica a técnica do Dieese, Daniela Sandri, responsável pelo estudo. Ela considera a performance do setor positiva e classifica como excelente o seu desempenho, o que pode ser verificado em diversos pontos como a evolução do número de matrículas, do número de cursos e do número de instituições. Segundo Sandri, a expansão na educação superior, por exemplo, está ligada a três fatores principais: a própria expansão do Ensino Médio; a competitividade no mercado de trabalho, com a necessidade cada vez maior de qualificação profissional; e a capacidade limitada de investimentos do setor público. Esses dados reforçam o dinamismo do segmento de ensino, e mostram um mercado que não era visto enquanto tal, mas que está se revelando crescente, lucrativo e competitivo e a que, a cada ano, vem ampliando as opções para os diversos perfis de alunos.

Dinamismo x evasão

Por outro lado, registra-se a evasão de 56, 2 mil alunos nos ensinos fundamental e médio nos últimos sete anos o que implica obrigatoriamente em queda de receita e readequação a um mercado que cresce, porém, também resulta em uma disputa maior pela clientela. A concorrência acaba causando uma certa pulverização de um público que se ampliou abaixo da quantidade de oferta, principalmente se levarmos em consideração o grande número de alunos absorvidos pela rede pública de ensino.

Os vilões da crise do ensino fundamental e médio são vários e não existe uma visão única dos motivos. A queda dos recursos financeiros das famílias devido à conjuntura econômica do país é um dos principais fatores apontados pelos dirigentes das escolas. “A perda do poder aquisitivo do trabalhador brasileiro é certamente um fator importante. Há famílias tendo de rever seus investimentos e que acabam apertando o orçamento justamente no item educação”, afirma Flávio D´Almeida Reis – Vice-presidente do Sinepe-RS, no exercício da presidência. Mas os dados da pesquisa mostram também que os próprios reajustes das mensalidades, que vêm sendo realizados anualmente pelas escolas têm registrado índices muito acima da inflação, acumulando durante os últimos anos 30,31% acima do Índice de Preços ao Consumidor (INPC). A diferença de reajuste das mensalidades do ensino básico em comparação aos reajustes de salários dos professores (que têm obtido a reposição da inflação nos últimos anos), por exemplo, no período de 96 a 2002 é na ordem de 24,31%. Com relação às mensalidades da educação superior a diferença é ainda maior, ficando o reajuste das mensalidades em 31,18% acima do reajuste salarial e 35,05% acima da inflação do período. É preciso considerar que diversas outras categorias não tiveram a reposição integral da inflação e o impacto dos reajustes pode apresentar diferenças ainda maiores.


  próxima >>

Página 1



Mais Educação:
Concorrência acirrada
Saídas para a crise


José Luis Fiori

Uma equação e várias incógnitas
Em momentos de ruptura ou inovação histórica, não é possível deduzir o futuro de um governo olhando apenas para sua composição ministerial. Seus nomes, suas trajetórias e suas militâncias partidárias são, sem dúvida alguma, muito importantes. Porém, são indicações insuficientes numa hora em que a decisão política é de...





William Faulkner: uma literatura em dois tempos
A republicação de Palmeiras Selvagens (Cosac e Naify, 295 páginas), do escritor americano William Faulkner (1987-1962) com tradução de Newton Goldman e Rodrigo Lacerda, oferece uma excelente oportunidade de conhecer ou reconhecer este que foi muito influente para diversos escritores brasileiros, como Carlos Heitor Cony e Antônio Torres, só para citar alguns.

Livros:
outros lançamentos







Para o envio de cartas, sugestões e comentários para a redação ou exclusão da lista: extraclasse@sinprors.org.br - Extra Classe é uma publicação mensal do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul - SINPRO/RS - Av. João Pessoa, 919 - CEP 90.040-000 - Bairro Farroupilha - Porto Alegre - RS - BRASIL - Fone (51) 3211.1900 - Fax (51) 3211.2628 - http://www.sinprors.org.br