Ano 8 - nº 70
Abril 2003



Luis Fernando Verissimo:
Teste de História: qual foi a última vez que um país invadiu outro sem provocação, para mudar seu regime e se servir dos seus recursos naturais?



Nei Lisboa:
O conselho que George W. Bush recebeu do escritor alemão Günter Grass e obviamente ignorou, o de que consultasse um psicanalista ao invés de invadir o Iraque, é o máximo...



Elisa Lucinda:

Pouca gente se dá conta, mas estamos preparando sem pensar e aos poucos sem saber e sempre a nossa máscara da velhice. Estamos durante a vida, desde meninos, esculpindo talhe a talhe a forma da escultura na qual teremos resultado.







Concorrência acirrada

As escolas que mais sofrem com a crise são as tradicionais, estabelecidas no mercado há mais tempo, perdendo terreno para novas instituições que surgem com estruturas mais enxutas e marketing agressivo junto ao público. “Sabemos que muitas escolas que abrem não têm muito investimento na formação de professores, nem custo com qualificação, pois já contratam profissionais que estão no mercado, o que torna seu produto mais barato. E é fato que ensino básico e fundamental, com uma estrutura mais enxuta abate os custos. Algumas trabalham no limite do que exigido pela legislação trabalhista e acordos coletivos, ao contrário de escolas mais tradicionais, que geralmente remuneram melhor os professores e possuem uma estrutura mais complexa”, explica a técnica do Dieese.

“A redução do número de alunos na educação básica privada se deve também à questão demográfica (famílias com número menor de filhos) associada à redução da capacidade de pagamento da classe média. O Sinpro/RS tem consciência desta redução do número absoluto de alunos, diferente do que acontece na educação superior em que houve um crescimento vertiginoso no número de alunos”, diz Marcos Fuhr”, diretor do Sinpro/RS. “Outra variável que vem sendo monitorada desde de 1996 é o custo do ensino privado, para isso feito um monitoramento anual. Trata-se de um dado que passa a ter uma importância mais significativa na medida em que se tem um histórico dessa evolução dos preços. Nós temos condições, com base nesse trabalho, de dizer que, certamente os aumentos das mensalidades acima da inflação contribuem para a fuga de alunos do ensino privado”, argumenta.

O diretor do Sindicato, que é ex-conselheiro do CEEd, também levanta um outro fator, que causa alguma polêmica: o da concorrência desleal praticada por algumas das instituições que estão emergindo no setor. Para ele, há realmente uma redução do número absoluto de alunos da rede privada de ensino, por outro lado, mais significativo que a perda de alunos seria a redistribuição dentro do próprio ensino privado. “Uma boa parte dessa concorrência que está aí colocada no mercado, é desleal. Nós temos a certeza de que muitas vezes tem faltado rigor por parte do poder público na análise de algumas propostas de ofertas de ensino apresentadas pela iniciativa privada. Inclusive temos apontado nossa preocupação ao Sinepe sobre a necessidade de uma regulação do mercado, porém nunca conseguimos sensibilizar os dirigentes das escolas sobre o assunto”, conclui Fuhr.

Sobre o tema o representante do Sinepe/RS afirma: “Somos contra qualquer espécie de deslealdade. Especialmente no Rio Grande do Sul, sabe-se da qualidade, da solidez e da tradição do ensino privado, que preza por um ensino sério e em permanente evolução. Desta forma, o Sinepe/RS tem se empenhado em qualificar o setor, promovendo cursos e encontros que pretendem mobilizar gestores, professores e o quadro técnico-administrativo”.

Já o superintendente estadual da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (CNEC-RS) Júlio César Lindemann acredita que a situação é preocupante, considerando o fechamento anual de unidades Cenecistas. “Os motivos predominantes para isso são o reduzido número de alunos e as dificuldades financeiras da comunidade escolar. Uma saída é a inovação constante das escolas particulares, formando parcerias, intercâmbios, trocas, capacitação do corpo docente. Mas concordamos, no entanto, com todas as iniciativas e procedimentos que visem à regularidade, bem como à legalidade do processo educacional. O Sinpro/RS é um grande parceiro quando se preocupa em coibir essas práticas irregulares”, afirma.

Salários e mensalidades
do ensino privado
Fonte: Banco de Dados da FETEE-SUL
Elaboração: DIEESE - Subseção FETEE-SUL

Evolução do número de alunos
Fonte: MEC/INEP

Variação da educação superior (%)
Fonte: MEC/INEP

Saídas para a crise

Para Flávio Reis, do Sinepe/RS,a recuperação econômica do país é primordial, sobretudo para que as famílias possam voltar a investir em educação. Segundo ele, as instituições têm feito esforços para buscar alternativas administrativas que não permitam cair a qualidade do ensino. “Especialmente no ensino superior, sabemos que o fomento de bolsas de estudos é forte aliado para as instituições particulares. Nas escolas de ensino fundamental e médio, a manutenção de bolsas é crucial para conter a evasão de alunos. Há escolas com 40% dos alunos não pagando a integralidade da mensalidade. Porém, mesmo fazendo todos os ajustes, há um mínimo de custos necessários para manter as instituições. Em muitas escolas, a perspectiva é fechar as portas ou recomeçar de outra forma, com novos parâmetros”, justifica.

Para Júlio Lindemann, do CNEC, só a inovação constante das escolas particulares, formando parcerias, intercâmbios, trocas, capacitação do corpo docente, implementando estratégias, pode enfrentar as dificuldades do momento.

Marcos Fuhr, do Sinpro/RS, por sua vez, entende que deve-se fazer da Convenção Coletiva de Trabalho um instrumento regulador do mercado, pois com garantias de remuneração justa para os professores e a regulamentação de algumas questões em aberto na Convenção criar-se-iam obstáculos naturais ao surgimento de aventureiros no setor. Para ele, é preciso evitar que a crise seja exportada para os professores e alunos devido a um possível inchaço do mercado. Isso afetaria não só os salários dos professores, como também a qualidade do ensino, por conseqüência.


 

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Mais Educação:
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Dinamismo x evasão




José Luis Fiori

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