William Faulkner: uma literatura em dois tempos
César Fraga

A
republicação de Palmeiras Selvagens (Cosac e Naify,
295 páginas), do escritor americano William Faulkner (1987-1962)
com tradução de Newton Goldman e Rodrigo Lacerda,
oferece uma excelente oportunidade de conhecer ou reconhecer este
que foi muito influente para diversos escritores brasileiros, como
Carlos Heitor Cony e Antônio Torres, só para citar
alguns. O que prova que nem tudo que vem dos EUA são bombas
e hamburguers. As suas frases longas e recheadas de comentários
irônicos sublinham a visão do narrador/autor acerca
da sociologia que rege o comportamento e a psicologia fragmentada
de suas personagens ao traçar um painel da decadência
sulista, dilacerada pelo preconceito racial e pela falência
das grandes famílias aristocráticas. São agricultores,
cidadãos urbanos, brancos pobres, índios e negros,
que habitam suas histórias e definem a marca de um estilo
que foi, talvez, decisivo para o desenvolvimento da chamada literatura
moderna.
Ao longo de sua bibliografia, Faulkner experimentou desde diversos
narradores à interrupção da narrativa para
entrar em devaneios interiores similares aos de James Joyce, porém
de forma mais direta e cristalina, que é característica
da literatura norte-americana, a qual ajudou a fundamentar, à
sua maneira.
Faulkner nasceu de uma família tradicional, porém
decadente como muitas das que descreveu, no Estado do Mississipi
(EUA). Começou a escrever por volta de 1919, mas publicou
seu primeiro romance apenas em 1926, Soldiers Pay (O soldo
do Soldado). E foi com a publicação de O som e a fúria
(1929) que teve início a sua consagração na
carreira de escritor, consolidada ao longo da década que
se seguiu, principalmente com a publicação deste Palmeiras
Selvagens (1939), que possui dois narradores e duas histórias
passadas em lugares e tempos diferentes, porém escritas em
contraponto, pois as expectativas e frustrações das
personagens de uma reaparecem invertidas ou deslocadas em outra
- justamente por isso, considerado por muitos, um livro estranho
à época de seu lançamento.
Antes, porém, escrevera Sartoris (1929), o já citado
O som e a fúria e Santuário (1931), com os quais deu
início à série de romances ambientados no condado
fictício de Yoknapatawpha, localidade tornada célebre
em sua obra. Em 1949 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura.
Durante as décadas de 40 e 50 do século passado, também
publicou contos, novelas e romances, além de escrever roteiros
para Hollywood. Esteve no Brasil em 1954 como palestrante pelo Departamento
de Estado (EUA) na condição de colaborador na difusão
da cultura americana. Morreu de enfarte aos 64 anos, já bastante
debilitado pelo seu vício em álcool e com dificuldade
de escrever.
Entre suas obras principais encontram-se Enquanto agonizo (1930),
Luz de agosto (1932), Absalão, Absalão! (1936), O
indestrutível (1938), Moisés, desça à
terra (1942), O intruso (1948), Uma parábola (1954, Prêmio
Pulitzer de 1955) e Os desgarrados (Prêmio Pulitzer de 1962).
A editora Cosac e Naify (
www.cosacnaify.com.br)
também publicará, entre outros, do mesmo autor Luz
em agosto e O som e a fúria. Aguardamos. Detalhe, a editora
tem um setor de atendimento ao professor (11) 3218 1466 e-mail:
info@cosacnaify.com.br
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