Ano 8 - nº 70
Abril 2003



Luis Fernando Verissimo:
Teste de História: qual foi a última vez que um país invadiu outro sem provocação, para mudar seu regime e se servir dos seus recursos naturais?



Nei Lisboa:
O conselho que George W. Bush recebeu do escritor alemão Günter Grass e obviamente ignorou, o de que consultasse um psicanalista ao invés de invadir o Iraque, é o máximo...



Elisa Lucinda:

Pouca gente se dá conta, mas estamos preparando sem pensar e aos poucos sem saber e sempre a nossa máscara da velhice. Estamos durante a vida, desde meninos, esculpindo talhe a talhe a forma da escultura na qual teremos resultado.







“Busheanizando” o diabo

O conselho que George W. Bush recebeu do escritor alemão Günter Grass e obviamente ignorou, o de que consultasse um psicanalista ao invés de invadir o Iraque, é o máximo de delicadeza que se pode ter hoje com essa figura. Adjetivado mundo afora como imbecil, mentiroso, prepotente, patife e assassino, o dito cujo dá mostras de ser também totalmente surdo. Mesmo que o Analista de Bagé se apresentasse para a tarefa, ela seria infrutífera.

George W. Bush não existe, propriamente. De certa forma, é uma virtualidade, um efeito especial. O imáginário norte-americano está impregnado de super-heróis e supervilões, embalado por um século de belicismo predatório atroz, pleno de auto-indulgência, laureado em bilheterias de cinema-propaganda da pior espécie. Dentro disso, anunciar a figura do Presidente dos Estados Unidos (com aquela solenidade em que se pode ouvir as maíusculas), do maior entre os maiores, do regente do Bem e juiz da Humanidade é silenciar a todos na presença de Deus. Pouco importa se o sujeito em questão é um caipira tosco e truculento ou dedicado a inocular charutos em estagiárias. Tal civismo messiânico dispensa a realidade, a autocrítica, o nosso riso incrédulo. Contanto que continuem a lhe prover de orgulho fátuo, casa própria e penduricalhos tecnológicos estará sempre pronto para fechar os olhos e guerrear quando chamado.
O ponto em que quero chegar é que satanizar o Bush, ou incluir aí os seus falcões, ou mesmo a coalizão da direita religiosa que com ele governa é subestimar o problema que teremos que enfrentar daqui para a frente se desejamos uma ordem mundial mais justa e pacífica. Fosse um caso isolado, uma só gestão da Casa Branca, vá lá. Mas os Estados Unidos vêm produzindo cadáveres e miséria ao redor do planeta desde que o Cauby Peixoto era guri. Não há como deixar-se de questionar de forma ampla a sua população, a sua cultura, os seus tão propalados valores. A indústria armamentista, os interesses das grandes corporações, esses serão sempre os primeiros beneficiados e protagonistas diretos da baixaria. Mas quem lhes dá apoio e lhes legitima essas cruzadas décadas afora? E por quê, ou por quanto?

É obvio (preciso dizer isso?) que excluo desse diagnóstico o Bob Dylan, o Michael Moore, o criador de Os Simpsons e mais uns cem milhões de norte-americanos que certamente não pactuam com essa situação. É óbvio (isso também?) que alimentar um ódio cego pelos EUA, negar o que de maravilhoso ali já se produziu e se produz, ou incitar qualquer tipo de vingança violenta não é caminho para outra coisa senão para a continuidade do que está posto. Mas também parece claro que, para que o resto do mundo deixe de pagar o pato, uma transformação cultural em escala tem de acontecer por lá. Talvez, como sugeriria o Günter Grass, com o auxílio de um divã do tamanho do Grand Cannyon.




José Luis Fiori

Uma equação e várias incógnitas
Em momentos de ruptura ou inovação histórica, não é possível deduzir o futuro de um governo olhando apenas para sua composição ministerial. Seus nomes, suas trajetórias e suas militâncias partidárias são, sem dúvida alguma, muito importantes. Porém, são indicações insuficientes numa hora em que a decisão política é de...





William Faulkner: uma literatura em dois tempos
A republicação de Palmeiras Selvagens (Cosac e Naify, 295 páginas), do escritor americano William Faulkner (1987-1962) com tradução de Newton Goldman e Rodrigo Lacerda, oferece uma excelente oportunidade de conhecer ou reconhecer este que foi muito influente para diversos escritores brasileiros, como Carlos Heitor Cony e Antônio Torres, só para citar alguns.

Livros:
outros lançamentos







Para o envio de cartas, sugestões e comentários para a redação ou exclusão da lista: extraclasse@sinprors.org.br - Extra Classe é uma publicação mensal do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul - SINPRO/RS - Av. João Pessoa, 919 - CEP 90040-000 - Bairro Farroupilha - Porto Alegre - RS - BRASIL - Fone (51) 4009.2900 - Fax (51) 4009.2917 - http://www.sinprors.org.br