Atenção! Educação a distância
à vista
Cecília Bujes*
Em um país de dimensões continentais, como o nosso,
é urgente que se pense em soluções que possam
diminuir as carências de oferta de ensino, uma vez que ainda
existem regiões completamente abandonadas, onde vivem brasileiros
que nem mesmo sabem ler e escrever. Uma situação inconcebível!
Entre as propostas de solução, fundamental é,
sem dúvida, a expansão do ensino público seja
para alunos em idade própria, seja para jovens e adultos,
seja através da educação presencial, seja através
da educação a distância.
Não é o que, felizmente, acontece no nosso Estado.
O Rio Grande do Sul possui uma eficiente rede de escolas públicas
e privadas que dão conta da demanda existente e que nos tranqüilizam
em relação à formação de nossas
crianças, jovens e adultos.
É esta a maior justificativa para que possamos prescindir
de maior urgência na oferta de educação a distância
no ensino fundamental e mesmo no ensino médio. Não
precisamos abrir mão da convivência no espaço
da escola, cujo significado vai além do local de transmissão
de conhecimentos, de informação; representa, muito
mais, o local da troca, da realização dos relacionamentos,
da observação das condutas, da interação
com o outro, das mudanças positivas de comportamentos.
Reside aí o maior aprendizado que podemos construir. A solidão
na busca de conhecimento não deve ser o parâmetro adotado,
se existem outras alternativas. O isolamento condena as pessoas
a ações cada vez mais individualistas. Se houvesse
mais jovens (que hoje são dados de estatísticas de
delinqüência), freqüentando o espaço escolar,
com certeza, teríamos uma sociedade vivendo com mais segurança.
Além disso, a legislação ainda incipiente da
educação a distância prevê a figura do
tutor, aquele profissional que orientará o aluno na utilização
dos materiais colocados à sua disposição e
que, por isso, não terá, necessariamente formação
na área de dúvidas do aluno.
Fica evidente que este novo cenário escolar (muitas vezes
virtual) reduzirá a atuação e presença
dos professores, tão essenciais ao processo educacional.
A inserção da figura do tutor pressupõe o exercício
da tutela em relação ao tutelado. Não nos esqueçamos
de que tutela, segundo conceituado dicionário ,significa:
encargo ou autoridade que se confere a alguém, por
lei ou por testamento, para administrar os bens e dirigir e proteger
a pessoa de um menor que se acha fora do pátrio poder, bem
como para representá-lo ou assistir-lhe nos atos de vida
civil
Poderemos nós, que temos como preocupação constante
o ensino de qualidade, compactuar com esse significado e com o que
ele sugere para as relações na escola?
A trajetória que construímos até hoje no que
diz respeito ao relacionamento professor/aluno não pode cogitar
tanto retrocesso. Tanto a escola pública quanto a privada
deve ser o local privilegiado do exercício das relações
democráticas.
Enfim, seja pela desvalorização do espaço escolar,
seja pela suficiente oferta de ensino no RS, seja pela visível
desconstituição da importância dos professores,
devemos pensar a Educação a distância como solução
em situações emergenciais e não como uma possibilidade
de facilitar a obtenção de um certificado.
* Conselheira do CEEd e diretora do Sinpro/RS
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