Ano 8 - nº 70
Abril 2003



Luis Fernando Verissimo:
Teste de História: qual foi a última vez que um país invadiu outro sem provocação, para mudar seu regime e se servir dos seus recursos naturais?



Nei Lisboa:
O conselho que George W. Bush recebeu do escritor alemão Günter Grass e obviamente ignorou, o de que consultasse um psicanalista ao invés de invadir o Iraque, é o máximo...



Elisa Lucinda:

Pouca gente se dá conta, mas estamos preparando sem pensar e aos poucos sem saber e sempre a nossa máscara da velhice. Estamos durante a vida, desde meninos, esculpindo talhe a talhe a forma da escultura na qual teremos resultado.







Atenção! Educação a distância à vista

Cecília Bujes*

Em um país de dimensões continentais, como o nosso, é urgente que se pense em soluções que possam diminuir as carências de oferta de ensino, uma vez que ainda existem regiões completamente abandonadas, onde vivem brasileiros que nem mesmo sabem ler e escrever. Uma situação inconcebível!

Entre as propostas de solução, fundamental é, sem dúvida, a expansão do ensino público seja para alunos em idade própria, seja para jovens e adultos, seja através da educação presencial, seja através da educação a distância.

Não é o que, felizmente, acontece no nosso Estado. O Rio Grande do Sul possui uma eficiente rede de escolas públicas e privadas que dão conta da demanda existente e que nos tranqüilizam em relação à formação de nossas crianças, jovens e adultos.

É esta a maior justificativa para que possamos prescindir de maior urgência na oferta de educação a distância no ensino fundamental e mesmo no ensino médio. Não precisamos abrir mão da convivência no espaço da escola, cujo significado vai além do local de transmissão de conhecimentos, de informação; representa, muito mais, o local da troca, da realização dos relacionamentos, da observação das condutas, da interação com o outro, das mudanças positivas de comportamentos.

Reside aí o maior aprendizado que podemos construir. A solidão na busca de conhecimento não deve ser o parâmetro adotado, se existem outras alternativas. O isolamento condena as pessoas a ações cada vez mais individualistas. Se houvesse mais jovens (que hoje são dados de estatísticas de delinqüência), freqüentando o espaço escolar, com certeza, teríamos uma sociedade vivendo com mais segurança.

Além disso, a legislação ainda incipiente da educação a distância prevê a figura do tutor, aquele profissional que orientará o aluno na utilização dos materiais colocados à sua disposição e que, por isso, não terá, necessariamente formação na área de dúvidas do aluno.

Fica evidente que este novo cenário escolar (muitas vezes virtual) reduzirá a atuação e presença dos professores, tão essenciais ao processo educacional. A inserção da figura do tutor pressupõe o exercício da tutela em relação ao tutelado. Não nos esqueçamos de que tutela, segundo conceituado dicionário ,significa: “encargo ou autoridade que se confere a alguém, por lei ou por testamento, para administrar os bens e dirigir e proteger a pessoa de um menor que se acha fora do pátrio poder, bem como para representá-lo ou assistir-lhe nos atos de vida civil”
Poderemos nós, que temos como preocupação constante o ensino de qualidade, compactuar com esse significado e com o que ele sugere para as relações na escola?

A trajetória que construímos até hoje no que diz respeito ao relacionamento professor/aluno não pode cogitar tanto retrocesso. Tanto a escola pública quanto a privada deve ser o local privilegiado do exercício das relações democráticas.

Enfim, seja pela desvalorização do espaço escolar, seja pela suficiente oferta de ensino no RS, seja pela visível desconstituição da importância dos professores, devemos pensar a Educação a distância como solução em situações emergenciais e não como uma possibilidade de facilitar a obtenção de um certificado.


* Conselheira do CEEd e diretora do Sinpro/RS

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José Luis Fiori

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