Ano 8 - nº 70
Abril 2003



Luis Fernando Verissimo:
Teste de História: qual foi a última vez que um país invadiu outro sem provocação, para mudar seu regime e se servir dos seus recursos naturais?



Nei Lisboa:
O conselho que George W. Bush recebeu do escritor alemão Günter Grass e obviamente ignorou, o de que consultasse um psicanalista ao invés de invadir o Iraque, é o máximo...



Elisa Lucinda:

Pouca gente se dá conta, mas estamos preparando sem pensar e aos poucos sem saber e sempre a nossa máscara da velhice. Estamos durante a vida, desde meninos, esculpindo talhe a talhe a forma da escultura na qual teremos resultado.







O triunfo de Osama bin Laden


Teste de História: qual foi a última vez que um país invadiu outro sem provocação, para mudar seu regime e se servir dos seus recursos naturais? Acertou: a invasão do Kuwait pelo Iraque em 1990, que escandalizou todo o mundo. O Iraque ainda tinha o atenuante, se é que cabe o termo, de usar sua desproporcional superioridade militar sobre o vizinho para restaurar o que considerava um direito histórico e geográfico usurpado, e pressupunha que teria pelo menos a tolerância dos então fãs do Saddam no governo americano para a agressão. Os Estados Unidos atravessaram meio mundo para atacar o Iraque sem qualquer justificativa parecida. A única semelhança entre as origens das duas invasões é a premeditação. Anexar o Kuwait era um velho sonho iraquiano, dominar o Iraque estava nos planos - não presumíveis: declarados, postos no papel - de Richard Perle, Paul Wolfowitz e outros ideólogos da extrema direita que hoje guia o Bush. A ferida de 11/9 explica a aparentemente cega truculência com que os americanos se atiraram nesta aventura, mas a fria razão por trás da ação estava pronta muito antes dos atentados. Tudo, inclusive o controle direto das reservas de petróleo da região e o desdém pelas Nações Unidas, está na pregação neoconservadora há anos, os pensadores da hegemonia sem desculpas americana só não contavam com uma oportunidade como a que lhes presenteou o Osama bin Laden. Wolfowitz, que é o segundo homem do Departamento de Estado abaixo do desconfortável Colin Powell, disse que os ataques com antrax logo depois do 11/9 (nunca explicados, talvez porque descobriram que eram obra de um maluco doméstico, com origem em laboratórios americanos) já eram motivo suficiente para invadir o Iraque. Só teve que esperar um ano e meio. No fim o grande vencedor destes dias de medo e incerteza é Osama bin Laden, que odeia os Estados Unidos, despreza o Saddam, e, se estiver vivo, deve estar babando na barba com a confusão que armou. O Saddam já dançou, os americanos são os bandidos do momento, a indignação do Islã aumenta, o mundo está como o Osama gosta. Nas montagens do cinema antigo, as cenas de horror e destruição tinham como fundo a imagem do supervilão responsável esfregando as mãos. Infelizmente, ainda fazem filmes de Fu Manchu como antigamente.




José Luis Fiori

Uma equação e várias incógnitas
Em momentos de ruptura ou inovação histórica, não é possível deduzir o futuro de um governo olhando apenas para sua composição ministerial. Seus nomes, suas trajetórias e suas militâncias partidárias são, sem dúvida alguma, muito importantes. Porém, são indicações insuficientes numa hora em que a decisão política é de...





William Faulkner: uma literatura em dois tempos
A republicação de Palmeiras Selvagens (Cosac e Naify, 295 páginas), do escritor americano William Faulkner (1987-1962) com tradução de Newton Goldman e Rodrigo Lacerda, oferece uma excelente oportunidade de conhecer ou reconhecer este que foi muito influente para diversos escritores brasileiros, como Carlos Heitor Cony e Antônio Torres, só para citar alguns.

Livros:
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