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local definido e patrocinadores
já comprometidos com a
construção do novo teatro, a
Ospa depende apenas de uma postura
decidida do poder público. Em
junho, a Orquestra deverá abandonar
a sede que ocupou por 24 anos.
Na música, o arco de um violino é
tocado de baixo para cima
quando seu instrumentista quer
leveza. A mão contrária – de cima
para baixo – é escolhida pelo violinista
para reproduzir um som afirmativo. É
o peso do braço que definirá o efeito. Do lado de cá,
fora do palco, vale o mesmo princípio.
Ações precisas, determinadas, geram
produtos decisivos. É o que
esperam funcionários, músicos e
regentes da Ospa, nessa nova fase:
atitude e determinação. O arco
está com os entes públicos.
Depois de anos de debates, resistências
e manifestações em relação à
construção de sua nova
sede, o imbróglio parece estar sendo
encaminhado com movimentos
afirmativos. Mesmo assim, a perspectiva é
de um longo e difícil período.
Caso todas as pendências já estivessem
resolvidas, a Ospa ainda teria dois anos pela frente para
ocupar sua casa definitivamente.
Até lá, vai depender do empréstimo
de instituições para ensaios e
guarda dos instrumentos.
A concepção da sala que seria
junto ao Shopping Total sofreu alterações para a
nova área, no Parque
Maurício Sirotsky Sobrinho,
cedida pela Prefeitura. O projeto
passou a dialogar com a orla do
Guaíba, além de adotar o conceito “Green
Building”. Ele será o primeiro
prédio verde de Porto Alegre,
com reaproveitamento de água
pluvial e da água das pias, energia
solar e reutilização de energia através
do chamado processo
termoacumulativo, que sustenta o
sistema de ar-condicionado. Os
vidros e as esquadrias serão todos
com material certificado. “Sem a
derrubada de nenhuma árvore”,
sublinha o presidente da Fundação
Orquestra Sinfônica de Porto Alegre
(Fospa), Ivo Nesralla.
Impacto
O projeto do
prédio verde mais os estudos
de impacto ambiental e de
trânsito serão enviados ainda
em maio para a Secretaria do
Meio Ambiente, onde, por um
período indefinido, passarão
pela avaliação do corpo técnico. “O
processo vai depender
muito da boa vontade dos órgãos
públicos em acelerar as
questões burocráticas, mas vai
depender muito mais da comunidade
que deve se
engajar nesta luta, já que a
Ospa é de todos nós”, diz o
maestro Isaac Karabtchevsky.
Para o regente, a orquestra
encontra-se num momento
delicado por ter que abandonar
o teatro onde atuou por
24 anos. “Tivemos que desistir
de um belo local e começar
tudo novamente”.
A análise de impacto
ambiental, na avaliação do
presidente da Fundação, não
dever ser feita com “olhos convencionais”. “Estamos
muito
agradecidos ao prefeito José Fogaça. Não
fosse por ele, ainda estaríamos sem rumo.
Agora, precisamos agilizar as questões
burocráticas. Espero que
considerem o projeto como
sendo um patrimônio dos gaúchos”.
Para a construção,
Nesralla diz que baterá “na
porta de cada gaúcho, se for
preciso”. Os recursos – estimados
em R$ 20 milhões – devem
sair de duas fontes: Lei
Rouanet e iniciativa privada.
O Estado não contribuirá na
construção.
“A Cultura é a prima pobre
das secretarias”, admite a secretária
Mônica Leal. À frente
da Sedac, pasta à qual está vinculada
a Ospa, Mônica
diz que a doação do terreno foi
uma das duas bandeiras de
quando era vereadora. A outra
foi a luta por armar a guarda
municipal. Agora, admite, não
há o que fazer. O Estado não
tem como ser parceiro. “A questão
da Ospa me preocupa muito.
Gostaria, inclusive, de estar
presente a mais concertos”, diz,
lembrando do dia em que assistiu
a Orquestra tocar, durante
um evento em Gramado.
“A Ospa é uma das melhores
sinfônicas do país. Ela tem
todos os direitos de ter um teatro
só dela. Merece ter seu
sonho transformado em prioridade”,
avalia Luis Fernando
Verissimo, filho de Erico, que
divulgou Porto Alegre no exterior
e o seu orgulho de ter
saído de uma cidade que tem
uma Orquestra.
Patrocínio
Realidade bem
diferente foi a da Orquestra Sinfônica
de São Paulo. No final do ano
de 1996, a idéia de transformar uma
antiga Estação Ferroviária em sala
de espetáculos foi levada ao governador
Mário Covas que, prontamente,
abraçou a causa. A maior
e mais moderna sala de concertos
da América Latina foi concluída
em julho de 1999, transformandose
em um marco da cidade. O
apoio do governador não parou por
aí. Mário Covas triplicou o salário
dos músicos. “A Osesp adquiriu o
status em que se encontra, principalmente
pelo apoio do governo,
que acreditou na proposta da
orquestra e levou o Estado de São
Paulo ao Brasil e ao mundo”, avalia
Karabtchevsky.
A nova casa da Ospa já tem
indústrias patrocinadoras comprometidas
e conta com a Lei
Rouanet. Do Estado, a Fundação
espera tão somente a nomeação de
menos de uma dezena de professores.
A escola de música Pablo
Komlós, responsável pela formação
de muitos dos instrumentistas que
tocam hoje na orquestra e de outros
tantos que se apresentam pelo
mundo, não acolhe mais do que 50
alunos. Em outras épocas, o conservatório
abrigou mais de 400. Isso
porque em 2006 os professores que
haviam sido chamados através de
contratos emergenciais no governo
passado foram afastados. “Vejo
com tristeza. A escola nessa situação
e a Orquestra, sem dinheiro,
sempre dependendo da boa vontade
do poder público. Nossa esperança é
que a avaliação na Smam
não se estenda por muito tempo,
para que eu possa começar a bater
na porta dos gaúchos”, diz Nesralla.
Questionado sobre a postura
dos gaúchos e das autoridades em
comparação com outras comunidades,
Karabtchevsky relata o
ocorrido no Teatro La Fenice, em
Veneza. Em 1996, um incêndio
deixou apenas as paredes da frente
e as laterais. “Imediatamente foi
feito um projeto de reconstrução
chamado com’era, dove’ra (como
era e onde era), com ajuda que
chegou desde a Presidência da
República até pessoas que não se
identificaram. Foi um movimento
comunitário. Acho que isso responde
sua pergunta”.
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