Ano 13 - nº 122
ABRIL de 2008



Luis Fernando Verissimo
Seja como for, não estamos vivendo a História sensata que os iluministas imaginaram para nós no século 18, e que pensávamos que era a que tinha vencido. Não era.



Elisa Lucinda
Ponho o lenço do pescoço na cabeça
Molho os cabelos com calma
Uma mulher é uma espécie de alma com enfeite
Chega diante do espelho
adorna-se como uma árvore de natal



Fraga

Cada escritor tem o seu cinto de utilidades na estante, proporcional às necessidades profissionais: gramáticas, dicionários, enciclopédias.



Marco Aurélio Weissheimer

O ex-presidente do banco central norte-americano, Alan Greenspan, admitiu em artigo publicado no jornal Financial Times que a famosa “mão invisível do mercado” (uma das premissas básicas dos...





Dicionários pessoais


ada escritor tem o seu cinto de utilidades na estante, proporcional às necessidades profissionais: gramáticas, dicionários, enciclopédias. Como nenhum autor é igual a outro, a variedade de obras auxiliares é extensa. Não custa imaginar uma customização retrô nas prateleiras de alguns literatos.

Na fase mais delirante da carreira, Franz Kafka rejeitou os livros normais de consulta. Se agarrou obsessivamente a um compêndio de entomologia.

Auto-suficiente, Guimarães Rosa criou o seu léxico original.

Aproveitando as tantas novelas de cavalaria conhecidas, Cervantes remonta tudo e põe um alfarrábio na algibeira de Dom Quixote, que enlouquece na leitura.

Em vez de ir a uma livraria e adquirir um precioso Webster, o genial James Joyce prefere pegar um exemplar da Odisséia e fazer um vertiginoso remix das palavras.

Com vasta cultura, Millôr Fernandes, o pai dos humoristas brasileiros, convida as palavras a fugirem das páginas solenes dos livros de referência e as leva para um recreio – o Dicionovário – em que oxigena o português.

Na sua cabeceira, Jorge Luis Borges mantinha uma pilha de incontáveis dicionários e enciclopédias que jamais foram escritos ou publicados. Para produzir seus contos fantásticos, ele os consultava às cegas.

Peso, tamanho e volume são os exageros físicos dos dicionários.

O verborrágico Paulo Leminski possuía um dos maiores, um Catatau.

Para Ambrose Bierce, o recurso foi adaptar os verbetes da Britânica à sua ótica cética e pessimista. Assim nasceu e faz sucesso até hoje o Dicionário do Diabo.

Já pro Dante Alighieri, uma única obra de referência bastou para guiar a sua monumental poesia: a Bíblia.

Vendo que palavras de sons semelhantes não eram a solução, Carlos Drummond de Andrade atirou o dicionário de rimas pela janela, que foi apanhado por um tal de J. G. de Araújo Jorge.

Certa noite de tempestade, Mary Shelley foi à biblioteca e desfolhou os exemplares de uma enciclopédia. Em seguida, costurou aleatoriamente as páginas até formar um livrão volumoso, que encadernou e por onde passou a se orientar nas dúvidas de linguagem.

Num esforço de pesquisa dos mais autênticos, Charles Bukowski compilou o seu dicionário a partir das paredes de banheiros públicos.

Mais preguiçoso, Luis Fernando Verissimo contratou um popular Gigolô das palavras como consultor particular.

Quanto ao meu próprio amansa-burro, tem só o essencial dele: as orelhas.






Livros/Lançamentos.





Filantropia I
A prisão temporária do advogado e ex-vereador de Porto Alegre, Luiz Vicente Dutra, 63 anos, no dia 17 de março revelou à PF ramificações, no estado, do esquema de compra de títulos de filantropia por...

Filantropia II
Um relatório reservado da PF sobre a operação indica que pareceres de integrantes do CNAS sobre concessão de títulos de filantropia podem ter sido vendidos por até R$ 8 mil.

Caixa de Campanha
O ex-secretário executivo da Fatec, Silvestre Selhorst, disse à PF que parte do dinheiro desviado do Detran ia para os caixas de partidos políticos e de campanhas eleitorais.









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