Ano 13 - nº 122
ABRIL de 2008



Luis Fernando Verissimo
Seja como for, não estamos vivendo a História sensata que os iluministas imaginaram para nós no século 18, e que pensávamos que era a que tinha vencido. Não era.



Elisa Lucinda
Ponho o lenço do pescoço na cabeça
Molho os cabelos com calma
Uma mulher é uma espécie de alma com enfeite
Chega diante do espelho
adorna-se como uma árvore de natal



Fraga

Cada escritor tem o seu cinto de utilidades na estante, proporcional às necessidades profissionais: gramáticas, dicionários, enciclopédias.



Marco Aurélio Weissheimer

O ex-presidente do banco central norte-americano, Alan Greenspan, admitiu em artigo publicado no jornal Financial Times que a famosa “mão invisível do mercado” (uma das premissas básicas dos...





Quem ganhou

eja como for, não estamos vivendo a História sensata que os iluministas imaginaram para nós no século 18, e que pensávamos que era a que tinha vencido. Não era.

Se a História é sempre a versão dos vencedores, estudando-a se sabe quem foram os vencedores, certo? Nem sempre. Dúvidas sobre quem realmente “ganhou” e tem o direito de ditar a História persistem não só no Brasil, onde a História nos diz que estar no governo e estar no poder nem sempre são a mesma coisa, mas em todo o mundo, onde brigas que já se julgava resolvidas há séculos continuam. E em muitos casos os presumíveis vencidos é que estão por cima, dizendo como os outros devem pensar e lembrar.

Não são só os índices de leitura de horóscopos atestando o fracasso do Copérnico em convencer a humanidade de que a Terra não é o centro do Universo. A ciência em geral tem tido um péssimo desempenho na tarefa de vencer a crendice e o obscurantismo, embora a versão “oficial” da História humana desde, pelo menos, o século 18 tenha sido a de conquistas irreversíveis da razão secularista, com alguns soluços de irracionalidade.


A teoria da evolução de Darwin é outra que não convenceu muita gente. Numa enquete recente, mais de 70% dos americanos pesquisados responderam que preferem a explicação bíblica da origem da sua espécie à de Darwin. Em vários Estados americanos, há leis que obrigam o ensino da versão bíblica com a da evolução, que deve ser identificada como apenas uma especulação teórica em contraste com a palavra de Deus. A influência do fundamentalismo religioso cresce na política e nos costumes dos Estados Unidos, reforçada com a eleição do Bush, que diz se aconselhar sempre com o Todo-Poderoso, e não está se referindo a Cheney. E, claro, cresce a radicalização do fundamentalismo islâmico, com influência direta da palavra do deus deles no estado de nervos de todo o mundo. Alguém já descreveu o que está acontecendo na Terra como a crise terminal dos monoteísmos e do combustível fóssil. Mas enquanto se desenvolvem outras fontes de energia para substituir o combustível fóssil e finalmente começa a haver uma reação da razão ao auto-envenenamento do planeta, a razão não parece ter avançado muito contra o obscurantismo religioso. Seja como for, não estamos vivendo a História sensata que os iluministas imaginaram para nós no século 18, e que pensávamos que era a que tinha vencido. Não era.

Uma outra história parecia estar se desenhando nos loucos anos 20 do século passado, quando várias liberdades novas começavam a ser experimentadas. Mas a “era do jazz” acabou sendo a do crescimento do fascismo e de outras formas liberticidas. Nos fabulosos anos 60, as drogas, o sexo e a comunhão dos jovens pela paz e contra tudo que era velho também anunciavam uma outra história, mas a que ficou, a que ganhou, foi a do conservadorismo de Nixon, de Margaret Thatcher, dos generais daqui etc. Sua alternativa, em vez de “História”, só mereceu como rótulo a frase mais triste de qualquer língua: o que poderia ter sido.






Livros/Lançamentos.





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A prisão temporária do advogado e ex-vereador de Porto Alegre, Luiz Vicente Dutra, 63 anos, no dia 17 de março revelou à PF ramificações, no estado, do esquema de compra de títulos de filantropia por...

Filantropia II
Um relatório reservado da PF sobre a operação indica que pareceres de integrantes do CNAS sobre concessão de títulos de filantropia podem ter sido vendidos por até R$ 8 mil.

Caixa de Campanha
O ex-secretário executivo da Fatec, Silvestre Selhorst, disse à PF que parte do dinheiro desviado do Detran ia para os caixas de partidos políticos e de campanhas eleitorais.









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