Ano 14 - nº 132
ABRIL de 2009



Luis Fernando Verissimo
O motorista que me levava do aeroporto de Tel Aviv para o Mar da Galileia, onde me juntaria com um grupo de brasileiros que visitava Israel a convite do...



Elisa Lucinda
Não largo nunca da mão de uma ou de outra.
Minha poesia tem roteiro,
acontecimento, enredo,
uma estória que se conta por dentro dela.



Fraga

Se não estou inventando coisa, durante algum tempo na meninice fui vizinho de um poeta.



Marco Aurélio Weissheimer

No dia 6 de novembro de 2007, 13 pessoas foram presas no Rio Grande do Sul, acusados de envolvimento com uma fraude milionária no Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

Especial - Sinpro/RS 70 anos de História




MEMÓRIA
Obra de Locatelli abandonada no IA

Sem receber nenhuma manutenção há 50 anos, desde que foi pintada, o desgaste natural da obra é incrementado por infiltrações das chuvas pelo telhado, além de urina e fezes de morcegos que habitam o forro

Por Naira Hofmeister

improvável aconteceu: justamente na escola onde professores e alunos são artistas, três obras de arte estão se deteriorando à espera de restauração. A maior delas é um mural que mede 9,3 x 2,9 metros e ocupa toda uma parede no oitavo andar do Instituto de Artes da Ufrgs. A pintura está lá desde 1958, quando seu autor, Aldo Locatelli, presenteou a instituição pelo seu cinquentenário. Nela estão retratados professores que fizeram história no IA como Fernando Corona e Tasso Corrêa e suas alunas, o principal público da Escola de Belas Artes no seu nascimento.

O pintor deixou a obra “inacabada” propositalmente. O mural mostra três diferentes fases da pintura: os esboços e a intensidade que duas camadas de tinta conferem à obra. “É como se a própria pintura fosse uma aula”, elogia o coordenador do Núcleo de Painéis e Murais e presidente do Centro Acadêmico do IA, Alejandro Ruiz.

Meio século depois, já não é possível diferenciar as distintas fases do mural. Sem nenhuma manutenção há cinquenta anos, as tintas estão desbotando e algumas figuras já estão completamente apagadas. Pior. Foram instaladas tomadas e fios de eletricidade na parede e algumas camadas de reboco precisaram ser colocadas sobre os buracos abertos.

Nos últimos anos, um vazamento no telhado provocou manchas na camada pictórica e os habitantes do forro – os morcegos – depositam excrementos que estragam ainda mais a obra.

“É lamentável”, desespera-se o líder estudantil. Ele e seus colegas chegaram ao ponto de distribuir guardanapos através de um conduto que fica na parte superior da obra para tentar minimizar o problema. Mesmo assim, os rostos das alunas de Fernando Corona estão manchados pela água que escorreu.

DINHEIRO – Há um ano a direção do Instituto de Artes conseguiu que a Reitoria da Ufrgs liberasse R$ 60 mil para restaurar o mural. Tintas e pincéis foram comprados e a professora Lenora Rosenfield se disponibilizou a comandar o processo gratuitamente. Para a execução, seriam selecionados bolsistas entre os próprios estudantes do IA. Mas até agora ninguém colocou a mão na massa.

“Não queremos começar a restauração antes de darmos uma solução definitiva para o telhado”, justifica o diretor do IA, Alfredo Nicolaiewsky.

A cobertura do IA é original – tem portanto, 66 anos – e durante esse tempo todo recebeu pequenos reparos. “Alguns telhados estão num estado assustador”, alerta.

O diretor garante que um edital já está sendo preparado e que a licitação para a reforma do telhado deverá acontecer logo. No entanto, ele não precisa o prazo. “É uma obra cara, que envolve uma burocracia danada antes de ser iniciada”, lamenta.

Quanto mais o tempo passa, pior fica o estado do mural de Locatelli, já que as infiltrações são as maiores causadoras dos danos à camada pictórica. “Mas não é tinta que está descolando, é a própria parede”, revela a restauradora, professora Lenora Rosenfield.

DURABILIDADE – Aldo Locatelli não deve ter imaginado que o seu presente para o Instituto de Artes pudesse um dia ficar no estado atual. Talvez prevendo uma manutenção constante por parte dos alunos, o pintor não preparou a parede da maneira mais adequada.

Geralmente em murais utilizava-se a técnica do afresco, que é a pintura sobre a argamassa molhada, que lhe confere maior durabilidade. “Locatelli fez essa obra a seco, por isso ela é frágil e menos durável”, aponta Lenora.

Mesmo corrigindo a infiltração, será necessária uma avaliação periódica para conservar o mural. “A cada dez anos, imagino. Há um envelhecimento natural que deve ser considerado”, calcula a professora.

À ação do tempo associa-se o fato de o espaço que abriga a obra ser atualmente uma divisória de sala de aula. Não há climatização e o sol incide diretamente sobre o mural. “Há muito movimento e, por mais que os alunos cuidem, o contato direto existe”, avalia.

Um outro detalhe. O local atualmente é uma sala de aula de música. Como apenas os estudantes de canto, piano, sopros e regência utilizam a sala, a maioria absoluta dos aspirantes a artistas plásticos não tem nenhum contato com a obra. “Mais de 90% dos alunos desconhecem que ela existe”, assegura Ruiz.


Novela do prédio novo

Expor o mural para todos ou retirar os alunos de música da sala onde ele está é um problema insolúvel a curto prazo. “Precisamos ocupar porque nos falta espaço físico”, justifica Alfredo Nicolaiewsky.

O prédio do Instituto de Artes foi inaugurado na década de 1940 e a previsão é que tivesse o dobro do espaço. A instituição não teve recursos para ampliar. Por isso, a capacidade do IA no projeto era de 300 alunos. Hoje são mais de mil.

E a partir da execução do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), até 2014 serão pelo menos mais 200. Além de ampliar as vagas nos três cursos atuais – teatro, música e artes visuais – o IA deve oferecer ênfase em História da Arte já no vestibular de 2010.

“Queremos deixar claro que sem um novo prédio não teremos condições para isso”, salienta o diretor da instituição.

Desde a década de 80, se debate uma nova sede para o Instituto de Artes. Durante anos se falou em levar os cursos para o prédio da antiga Medicina, na esquina das ruas Sarmento Leite e Luiz Englert. Depois de uma restauração concluída em 2007, o casarão histórico passou a abrigar o curso de Biomedicina, que deve se mudar assim que sua sede definitiva no Campus da Saúde ficar pronta.

Durante 2008 chegou-se a anunciar que o novo endereço do IA seria o campus Olímpico, no bairro Jardim Botânico. Mas a Escola Superior de Educação Física (Esef) também tem problemas em compartilhar o espaço.

Através de sua assessoria de imprensa, a Reitoria informa que está mobilizada para solucionar o impasse, mas não detalha as possibilidades. “A Ufrgs ainda não tem uma definição clara sobre o assunto”, limita-se a informar o Secretário de Comunicação Social, Flávio Porcello.





Mais Cultura:
Programação Fundação Ecarta
Quadrinhos





CONFERÊNCIA
Preparativos para
o Conae no RS, apesar da SEC
Com o objetivo de incentivar e fortalecer o debate democrático sobre as necessidades educacionais da sociedade brasileira em todos os níveis, etapas e modalidades de ensino, ocorreu na tarde do dia 17...



DEBATE
Obra do PAC e
seu impacto
sócio-ambiental
Propagandeadas pelo poder público como uma saída para a crise energética, as hidrelétricas são também fontes de devastação ambiental e social.



PONTAL DO
ESTALEIRO

A serviço
de quem?
A base governista comemorou no fim do dia 16 de março a aprovação do projeto que permite a construção do Pontal do Estaleiro às margens do Guaíba. A redação é...


 
Para o envio de cartas, sugestões e comentários para a redação ou exclusão da lista: extraclasse@sinprors.org.br - Extra Classe é uma publicação mensal do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul - SINPRO/RS - Av. João Pessoa, 919 - CEP 90040-000 - Bairro Farroupilha - Porto Alegre - RS - BRASIL - Fone (51) 4009.2900 - Fax (51) 4009.2917 - http://www.sinprors.org.br