
prolongamento
da crise e a
sucessão de informes negativos
a respeito tem mantido
esse tema na agenda diária de
todos (trabalhadores, empresários
e governos). Já discutimos nesse
espaço a extensão e a profundidade
da crise, ainda desconhecidas,
bem como os possíveis desdobramentos
da mesma. Sobre
todos esses aspectos há incertezas,
principalmente nos países centrais
onde as medidas adotadas
não têm alcançado os resultados
esperados. Queremos discutir
agora como toda essa desarticulação
da economia internacional
se reflete no Brasil.
O governo brasileiro, através
do Presidente da República e do
Ministro da Fazenda procuraram,
desde os primeiros sintomas da
crise, passar à nação a ideia
de
que o país estava relativamente
livre dos efeitos da crise. Essa postura
pode ser uma estratégia para
passar tranquilidade à nação,
ou
pode ter sido um equívoco de avaliação,
uma subestimação do problema
real. Afinal, o Brasil detém
uma situação invejável em
seus fundamentos econômicos:
um bom volume de reservas,
inflação
baixa e sob
controle, dívidas
interna
e
externa
controladas,
além
de dispor
de
uma estabilidade
democrática,
nunca antes
existente.
Surfando nesse ambiente,
os efeitos mais perversos
da crise foram minimizados pelo
Presidente Lula, que imaginou
que os reflexos do tsunami americano-europeu se
refletiria como
uma marolinha no Brasil. Enquanto
isso, o Ministério da Fazenda
mantinha as projeções de crescimento
da economia brasileira entre
4 e 4,5% em 2009. À
época, convidamos
os nossos
governantes a
serem mais
realistas,
trabalhando
com
taxas entre
3 e
3,5% neste
ano.
Fomos
otimistas
de mais,
pois à medida
que
o tempo
passava, a realidade acabava por
dissolver nossas previsões, revelando
indicadores insofismáveis
de que há muitos efeitos ainda por vir e que todo o esforço
anticrise realizado nos EUA, Europa
e Ásia ainda não surtiu o
efeito esperado. Internamente
não há sinais de retomada do
crescimento, apesar das medidas
adotas pelo governo brasileiro,
exceto em casos muito localizados
como o segmento
automotivo que aumentou as
vendas mediante desova de estoques
acumulados, não com
aumento da produção.
Todos esses aspectos associados à
divulgação do desempenho
da economia brasileira no
4º semestre de 2008, à persistente
queda das exportações e
ao aumento do desemprego acabaram
por acender a luz amarela,
levando todos a repensarem
as estimativas de crescimento
para 2009. O novo cenário
está a indicar que crescendo
entre 1 e 2% nesse ano, estaremos
no melhor dos mundos.
* Economista