Ano 14 - nº 132
ABRIL de 2009



Luis Fernando Verissimo
O motorista que me levava do aeroporto de Tel Aviv para o Mar da Galileia, onde me juntaria com um grupo de brasileiros que visitava Israel a convite do...



Elisa Lucinda
Não largo nunca da mão de uma ou de outra.
Minha poesia tem roteiro,
acontecimento, enredo,
uma estória que se conta por dentro dela.



Fraga

Se não estou inventando coisa, durante algum tempo na meninice fui vizinho de um poeta.



Marco Aurélio Weissheimer

No dia 6 de novembro de 2007, 13 pessoas foram presas no Rio Grande do Sul, acusados de envolvimento com uma fraude milionária no Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

Especial - Sinpro/RS 70 anos de História




ENSINO BÁSICO
Redes têm provocado perda
de empregos e redução salarial


Apesar da formação de redes de escolas privadas não ser um conceito recente, no Rio Grande do Sul tem se acentuado a compra de instituições, religiosas em sua maioria, e em dificuldades financeiras, por grandes redes privadas de ensino ou mantenedoras regionais. O Extra Classe começa neste mês uma série de matérias sobre este cenário da Educação Básica. O objetivo é ampliar o debate e mostrar as mudanças enfrentadas por professores, pais e alunos neste processo. As primeiras redes abordadas nesta série são: Rede Romano e Rede São Francisco, ambas de propriedade da Arquidiocese de Porto Alegre, que adquiriu duas escolas no ano passado. Segundo informações da Arquidiocese, a decisão pela compra foi orientada por um grupo de trabalho de Educação que se reúne periodicamente. Para a nova diretora-geral da Rede Romano (ex-Rede Paulo Apóstolo), Luciana Nunes Prates, o modelo de gestão por redes fortalece a Educação. Ela também afirma que a Mitra pretende ampliar o número de escolas no estado. “Temos perspectivas de ampliar ainda este ano para mais oito colégios”, revela Luciana, sem citar os nomes das escolas que serão adquiridas. A existência de duas redes a partir de uma mesma mantenedora é explicada pelo Arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings: “As duas redes são uma casualidade que tem a ver com motivos históricos, a forma como foram compradas as escolas e também por uma necessidade de gestão”.

Por Grazieli Gotardo

m 2008, foram duas as escolas compradas pela Mitra: Colégio Espírito Santo e Colégio Salvatoriano Nossa Senhora de Lourdes, denominados agora São Mateus e Santa Marta, respectivamente. Pais e alunos enfrentaram, nestas instituições, mudanças no material didático, uniforme e em praticamente todo o quadro de professores e funcionários. Foram mais de 60 professores que ficaram sem emprego. A Mitra Diocesana argumenta que questões legais a impediram de realizar a readmissão dos docentes.

Procurado pelo Sinpro/RS no ano passado a fim de negociar a permanência dos professores nas escolas, o então diretor-geral das Redes, Padre Luciano de Souza Oliveira, não aceitou negociar com o Sindicato.

“Procuramos até o Arcebispo para propor um acordo que, mesmo baixando salário, preservasse o emprego dos professores que quisessem permanecer. Os dirigentes recusaram porque não queriam acordos com um Sindicato”, relata Fátima Ali, diretora do Sinpro/RS.

Atualmente, Padre Luciano é pároco da Igreja Bom Jesus, em Porto Alegre e, de acordo com informações da assessoria da Rede Romano, não reponde mais por questões relativas às escolas. A reportagem não conseguiu entrevista com o pároco.

O Arcebispo Dom Dadeus Grings reafirmou o posicionamento. “Não podemos misturar as coisas, nossa proposta salarial é diferente e para ficar com os professores teríamos que manter os salários”, disse.

No entanto, em 2007, o Sinpro/RS fechou um acordo com a Escola São Vicente Mártir (atual São Francisco – Zona Sul), comprada pela Mitra, em que foram mantidos os empregos dos professores, mesmo com redução salarial. O padre José Luiz Schaedler, diretor-geral da Rede São Francisco, confirma: “Toda a negociação se deu junto ao Sindicato. Procuramos realizar tudo dentro do acordo anual”.

Sobre os baixos salários praticados pelas Redes da Mitra, Luciana explica: “O que estamos fazendo é não iniciar num patamar alto e acrescentamos 5% a cada ano.”

A afirmação, no entanto, é contestada pelo Sindicato: “A promessa para os professores admitidos foi de iniciarem com 15% acima do piso, mas os contracheques dos docentes da escola Santa Marta mostram que o aumento não chega a 1%”, afirma Cássio Bessa, diretor do Sinpro/RS.

  Escola Espírito Santo
Segundo relatos de ex-professores, em maio de 2008 todos foram informados da venda da escola. “Disseram que ninguém ficaria sem emprego, que seríamos demitidos num mês e readmitidos no mês seguinte”, conta uma professora.

Outra docente disse que a falta de informações era angustiante. “Se não perguntássemos não éramos informados de nada. Assinei minha demissão num guichê, em pé, e sem nenhuma explicação”, lembra a professora, com 16 anos de magistério.

A mãe de um ex-aluno reclamou da falta de cuidado na demissão dos professores. “Fomos informados que eles seriam demitidos apenas no final do ano, mas a professora da 1º série do Fundamental foi dispensada em outubro, sem motivos claros, causando um trauma nas crianças”, relatou a mãe.

A administração não permitiu que a escola fosse fotografada por estar em obras.
  Escola Santa Marta
Os relatos de falta de informação se repetiram nos depoimentos dos professores demitidos do Colégio Nossa Senhora de Lourdes (Santa Marta). Para uma exprofessora que conseguiu permanecer na escola após a venda para a Mitra, mas pediu demissão, existe uma falta de atenção com a comunidade escolar e alunos ao não tentar manter os professores. “Pedi demissão em função do baixo salário. Trabalhava 12 horas e não ganhava 500 reais. O padre Luciano foi grosseiro comigo e disse que eu nunca mais trabalharia na rede. Fiquei chocada pois ele não precisava dizer isso”, lamenta a docente.

Escolas da Mitra

Rede São Francisco

Instituto de Educação São Francisco, bairro Rubem Berta.
São Francisco Santa Fé, bairro Santa Fé
São Francisco Zona Sul, bairro Camaquã
São Francisco Cachoeirinha, no Centro
Alunos: 1,7 mil

Rede Romano
*Senhor Bom Jesus (antigo Colégio Marista Irmão Weibert), bairro Jardim Itu-Sabará
*São Mateus (Colégio Espírito Santo), bairro Jardim São Pedro
*Santa Marta (Colégio Salvatoriano Nossa Senhora de Lourdes), bairro Azenha
*Este ano os colégios passam a se chamar Romano I, Romano II e Romano III, respectivamente.
Alunos: 2 mil






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