CONFERÊNCIA Preparativos
para o Conae
no
RS, apesar da SEC
om
o objetivo de incentivar e fortalecer
o debate democrático sobre as necessidades
educacionais da sociedade
brasileira em todos os níveis, etapas e modalidades
de ensino, ocorreu na tarde do dia 17 de
março, no teatro Dante Barone da Assembleia
Legislativa, o encontro preparatório da Conferência
Nacional de Educação (Conae), que acontecerá em Brasília
de 23 a 27 de abril de 2010.
Participaram deste primeiro encontro
representantes
de universidades, de entidades
de classe, do Judiciário, do Legislativo e do
Executivo de diferentes municípios gaúchos,
além de professores, tanto da rede privada
quanto pública de ensino dos diferentes níveis
(Educação Infantil, Ensino
Fundamental, Médio, Técnico e Superior).
Em seu discurso de abertura, a representante da Comissão
de Educação da
Assembleia, Marisa Formolo, lamentou a ausência da Secretaria
de Educação
do Estado na coordenação da Conferência Estadual
de Educação. Diferente
dos demais estados brasileiros, o Rio Grande do Sul é o único
que não tem na
coordenação do Encontro Estadual, preparatório
do Nacional. Entre as autoridades
que participaram da mesa de abertura estava o ex-presidente do
Cpers, professor Paulo Egon Wiederkehr, representando o Ministério
de Educação.
Até a realização do Conae, serão
realizadas conferências municipais e
intermunicipais, no primeiro semestre de
2009, e encontros estaduais a partir de julho.
Escolas e demais instituições de ensino também
poderão organizar suas reuniões preparatórias
para debater o Documento Referência
no endereço na internet em http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/conae/documento_referencia.pdf
(ou www.mec.gov.br).
O tema da Conferência é Construindo o
Sistema Nacional Articulado de Educação: o
plano nacional de Educação, diretrizes e estratégias
de ação, e um dos objetivos é integrar
todos os níveis, etapas e modalidades da Educação
escolar em abordagem sistêmica, com
vistas a edificar o sistema nacional articulado de planejamento
e gestão, de
avaliação, de financiamento, de formação
dos trabalhadores em Educação.
No encontro do dia 17, em Porto Alegre, o representante da comissão
organizadora nacional do Conae, José Thadeu de Almeida,
enfatizou que a
discussão para a Conferência deve resultar de diferentes
representações da
sociedade brasileira, “em nome daquilo que nos é mais
caro e importante para
o desenvolvimento do país, que é a Educação”,
destacou Almeida. “Esses que
se envolvem com a Conferência, direta ou indiretamente,
demonstram claro
e profundo compromisso com a Educação do seu município,
do seu estado e do
seu país”. (Jacira Cabral da Silveira)
DEBATE Obra do PAC
e seu impacto sócio-ambiental
Propagandeadas pelo poder público como uma saída
para a crise energética, as hidrelétricas são
também
fontes de devastação ambiental e social. Segundo
o Movimento dos Atingidos por Barragens,
mais de um milhão de pessoas no Brasil foram tiradas
de suas terras e 34 mil quilômetros quadrados
de áreas foram inundadas para a construção
de barragens.
O êxodo da população incrementa os
cinturões de miséria das grandes cidades. Os alagamentos
destroem a mata, cuja decomposição gera
gás metano, contribuindo para o aquecimento global.
E, ao contrário do que é divulgado, as obras não
beneficiam a todos – suprem basicamente a necessidade
de energia de grandes empresas.
No estado há 36 projetos de centrais hidrelétricas –
30 delas na Bacia do Rio Uruguai. O mais
preocupante no momento é o da Hidrelétrica de
Pai Querê, cuja construção está prevista
no Plano
de Aceleração do Crescimento (PAC) e no Plano
Decenal de Expansão de Energia Elétrica do Ministério
de Minas e Energia. Projetada para o rio
Pelotas, entre Bom Jesus (RS) e Lages (SC), no
Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica,
ali se destacam os últimos remanescentes de floresta
araucária da Bacia do Rio Uruguai, entre outras
espécies em extinção, como pumas e aves
silvestres.
A região é considerada prioritária para
a conservação
da biodiversidade no Brasil segundo o próprio
Ministério do Meio Ambiente. Mas o projeto
continua, apesar de técnicos do Comitê Estadual
da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e da Fundação
Estadual de Proteção Ambiental do Rio
Grande do Sul terem se manifestado contrários.
Outro fator preocupante é o fato de a empresa
Engevix, responsável pelo Estudo e Relatório de
Impacto Ambiental (EIA/Rima) da hidrelétrica de
Pai Querê, já ter sido punida pelo Ibama em 2004
por irregularidades no EIA/Rima da Usina Hidrelétrica
de Barra Grande – esta última também localizada
em uma região singular de fauna e flora, destruídas
com o alagamento provocado pela barragem.
O Movimento Gaúcho em Defesa do Meio
Ambiente (MoGDMA) e as organizações não-governamentais
Amigos da Terra Brasil e Ingá Estudos
Ambientais estão empenhados em alertar a
sociedade para o que está por trás destes empreendimentos. “Algumas
empresas que fazem o
licenciamento ambiental são também construtoras
e operadoras do sistema nacional de energia”,
denuncia Felipe Amaral, secretário executivo do
Instituto Biofilia e integrante do MoGDMA. Ele
lembra que a população consome apenas 24% da
energia do país, e este índice tem se mantido desde
2004, sem perspectiva de crescimento. Além disso, “
as barragens geram energia para um grupo específico
de indústrias – celulose, cimento, petroquímica,
siderúrgica, metalúrgica – que ainda pagam
50% a
menos do que o consumidor doméstico”, diz.
Segundo Amaral, uma alternativa para suprir a
demanda de grande parte dos consumidores seria
melhorar a eficiência mecânica das barragens que
já existem e ampliar o investimento nas chamadas
Cidades Solares, com o aproveitamento de outras
fontes de energia, como a solar e eólica. Já está disponível
on-line um abaixo-assinado de apoio aos
projetos de lei que incentivam a descentralização
da geração da energia por fontes renováveis
sustentáveis
e institui a regulamentação do seu comércio
e distribuição. (Clarinha Glock)
PONTAL
DO ESTALEIRO
A serviço de quem?
A base governista comemorou no fim do
dia 16 de março a aprovação
do projeto que
permite a construção do Pontal do Estaleiro
às margens do Guaíba. A redação é praticamente
igual àquela aprovada em novembro
de 2008 sob o comando explícito de empresários
e representantes do Sindicato da Construção
civil (Leia reportagem no Extra Classe
de dezembro).
Traz algumas alterações como uma emenda
que prevê a consulta popular – a proposta
original, tomada em conjunto pelos poderes
Executivo e Legislativo municipais, era propor
um referendo, como voto obrigatório.
E também o tema que mobilizou a Câmara
no final do mês de março: a emenda proposta
por Airto Ferronato (PSB), que proíbe a construção
a menos de 60 metros das margens do
Guaíba, aprovada por unanimidade pelos edis.
Desta vez, os parlamentares não tiveram orientações
de empresários durante a sessão.
Menos de uma semana depois da votação,
o arquiteto responsável pelo projeto, Jorge
Debiaggi, foi à Câmara dar suas justificativas
técnicas para que os vereadores repensem a
questão. E nem foi preciso muito esforço
de
convencimento.
Um dia depois da visita, o líder do governo
Valter Nagelstein (PMDB) declarou ao
Jornal do Comércio de que estava convencido
que os 24 mil metros quadrados que sobrariam “não
seriam suficientes para fazer todos os equipamentos
que estão sendo propostos”.
A polêmica já está sendo tratada
na mídia
como medida inconstitucional, conforme escreve
o jornalista Felipe Vieira em seu blog.
A interpretação decorre das divergências
de
interpretação das leis de meio ambiente.
Há três possibilidades previstas pelo
Conselho
Nacional de Meio Ambiente
(Conama). O construtor defende que a distância
das construções seja de 30 metros – o
mínimo, caso se entenda que o Guaíba é um
lago. Já o proponente da emenda acredita
que a porção de água é um
rio, conforme
está escrito na Lei Orgânica, e por
isso,
o mínimo seriam 50 metros. Geólogos
debatem
amplamente essa questão há anos, sem
chegar a um consenso, já que o Guaíba
tem
características de ambas as formações.
E há ainda outra lei, a das Áreas de Preservação
Permanente (APPs), que determina que qualquer
curso d’água com mais de 600 metros
de
largura deve ter as margens preservadas numa
extensão de 500m. “Vamos pedir ao prefeito
que vete somente essa parte do texto”,
garantiu Nagelstein, seguro de que o item torna
o projeto “inexequível”. (Naira
Hofmeister)
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