A
Operação Solidária e os indícios
de uma fraude milionária no RS
Por Marco Aurélio Weissheimer
o
dia 6 de novembro de 2007, 13 pessoas
foram presas no Rio Grande do
Sul, acusados de envolvimento com
uma fraude milionária no Departamento Estadual
de Trânsito (Detran). Prejuízo estimado
para o Estado: mais de R$ 40 milhões.
No mesmo mês em que a Operação Rodin
apontava a existência de um esquema criminoso
no Detran, com a participação de
importantes funcionários do governo Yeda
Crusius (PSDB), nascia a Operação Solidária.
Essa operação surgiu a partir da investigação
da terceirização do fornecimento
de merenda escolar em Canoas, durante
a administração Marcos Ronchetti (PSDB).
O lema do governo tucano em Canoas – Administração
Solidária – deu o nome à operação
que acabou descobrindo fortes
indícios de fraudes em licitações para obras
de saneamento, construção de estradas e
de sistemas de irrigação.
Os prejuízos estimados no caso da Operação
Solidária são sete vezes maiores do
que os da fraude no Detran, chegando a
R$ 300 milhões. Inicialmente tratadas como
casos separados, o desenvolvimento das investigações
acabou revelando evidências de
conexão entre os dois esquemas. Nomes de
envolvidos na fraude do Detran passaram a
aparecer também nas investigações da Solidária.
Por essa razão, a Justiça Federal
autorizou, em 2008, a pedido do Ministério
Público Federal, o compartilhamento de
informações entre as duas operações.
O exsecretário
geral da administração
Ronchetti, Chico Fraga (PTB), por exemplo,
teve telefones gravados, com autorização
judicial. Ele já é réu no processo do
Detran e é um dos principais investigados
na Solidária, que levantou um patrimônio
de mais de 25 imóveis e mais de uma dezena
de veículos em seu nome.
A conexão Padilha-Chico Fraga
A Operação Solidária voltou ao noticiário
a partir da matéria da revista Isto É (25/03/2009)
sobre o envolvimento do deputado
federal Eliseu Padilha (PMDB) no caso.
A reportagem de Hugo Marques destaca
que as investigações da Polícia Federal
e do
Ministério Público Federal descobriram um
depósito de R$ 267 mil da empresa Magna
Engenharia na conta da empresa Fonte
Consultoria Empresarial, cujos sócios são
Eliseu Padilha e sua esposa, Maria Eliane.
Um inquérito que tramita sob segredo de Justiça
no Supremo Tribunal Federal (STF), destaca
ainda a matéria, investiga o envolvimento
de Padilha em crimes de tráfico de influência
e fraudes em licitação. A investigação
envolve
também o deputado estadual e ex-presidente
da Assembleia Legislativa, Alceu
Moreira (PMDB) e o secretário estadual de
Habitação, Saneamento e Desenvolvimento
Urbano, Marco Alba (PMDB).
A conexão Padilha-Chico Fraga é um
dos aspectos importantes dessa investigação.
Além de parceiros políticos, Chico Fraga
e Padilha são amigos. Padilha chegou a
empregar a esposa de Fraga como funcionária
de seu escritório político em Porto
Alegre. Os dois tiveram grande influência
na formação do governo Yeda Crusius. No
período de formação do governo, Fraga foi
consultado pela governadora em decisões
sobre definições de cargos. Padilha também.
Como secretário-geral da prefeitura de
Canoas, todas as licitações importantes passavam
pelas mãos de Chico Fraga. Padilha
está sendo investigado por indícios de
envolvimento em fraudes de licitações em
Canoas e em outros municípios. Os dois estão
umbilicalmente ligados neste caso que pode
revelar um dos maiores esquemas de fraude
e desvio de recursos públicos da história
do Rio Grande do Sul.
Barragens
sob suspeita
Um outro braço das investigações
da
Operação Solidária alcançou
a secretária-adjunta e diretora-geral da Secretaria
Estadual de Obras Públicas, Rosi
Bernardes. No dia 13 de setembro de
2008, a jornalista Adriana Irion publicou
uma matéria no jornal Zero Hora, tratando
do caso. Segundo a matéria, Rosi
Bernardes é suspeita de repassar informações
privilegiadas sobre licitações. Uma
das obras sob investigação é a
da construção
das barragens de Jaguari e
Taquarembó, um investimento estimado
em R$ 150 milhões. A Operação
Solidária
levantou indícios de que Eliseu Padilha
teria envolvimento no direcionamento da
licitação. Em uma conversa gravada com
autorização judicial, diz a reportagem,
um
interlocutor interessado no direcionamento
da licitação reclamou que do
jeito que estavam os editais “toda a torcida
do Flamengo poderia participar”.
O projeto das barragens é peça central
do programa de irrigação do governo
estadual.
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