Ano 8 - nº 74
Agosto 2003



Luis Fernando Verissimo:
O diplomata inglês Robert Cooper, que já foi conselheiro de Tony Blair e é considerado o guru da política externa do primeiro-ministro britânico, escreveu num famoso artigo publicado no Guardian que...



Nei Lisboa:
Estou há dois anos sem televisão em casa. Não, isso não é uma declaração de pobreza ou o início de uma diatribe contra os serviços de assistência técnica. Foi uma opção, que começou quase como uma brincadeira, na época da mudança...



Elisa Lucinda:

Era um programa bonito sobre esse Dorival. Eu almoçava vendo televisão.
Fascinada. Aqueles versos, aquelas redes, aqueles cardumes de liras, aquela música amorosa limpa apimentada e mágica, brotando...





Será realizada entre os dias 26 e 29 de agosto a 10ª Jornada Nacional de Literatura, em Passo Fundo, no campus da UPF. Mas talvez fosse melhor dizer que a Jornada deste ano já teve seu início imediatamente após o encerramento da edição anterior, há dois anos. Quem a realiza ou é da região, sabe que se trata de um evento permanente, que tem seu ápice nos quatro dias de celebração sob a lona do Circo da Cultura, a cada dois anos, geralmente no mês de agosto. Os preparativos, assim como as Pré-jornadas, atividades que envolvem toda a comunidade em preparação para o evento começam cedo. Em 2003 também ocorre a 2ª Jornadinha Nacional de Literatura, evento integrado à Jornada, porém com enfoque direcionado aos alunos do Educação Básica. Para a Jornadinha, não apenas os organizadores tiveram de aumentar o número de participantes em 2,5 mil para atender todas as escolas que estavam previamente inscritas, como esgotaram-se as vagas em pouco mais de três horas após seu início. Para a jornada as inscrições enceraram em menos de 24 horas depois de abertas.

César Fraga

Jornada terá participação de 15 mil pessoas

ste ano, muda o formato e a Jornada terá a abrangência e o status de um verdadeiro fórum de literatura, pois serão realizadas, a partir dessa edição , conferências, além das mesas de debates, shows, teatro, oficinas cursos e seminários, atividades que já ocorriam nas edições anteriores.

Entre os nomes presentes nas conferências e debates da 10ª Jornada Nacional de Literatura estão Edgar Morin, John Hemingway, Luiz Peazê, Frei Betto, Lygia Fagundes Telles, Zélia Gattai, Mônica Waldwogel, Joel Rufino dos Santos, Luiz Antônio de Assis Brasil, Dráuzio Varella, Hector Babenco, Jorge Furtado, Luis Augusto Fisher entre outros, além dos já figurinhas carimbadas nas jornadas anteriores, Inácio de Loyola Brandão, Deonísio da Silva e Júlio Diniz, coordenando os debates.

A edição de 2003 terá como tema “Vozes do terceiro milênio: a arte da inclusão”. O evento conta com o apoio das Leis de Incentivo à Cultura Federal e Estadual e da Unesco, e receberá o número recorde de 15 mil participantes.

No dia 26, durante a abertura, será divulgado o resultado do 8º Concurso Nacional de Contos “Josué Guimarães” (oferecido pelo IEL) e o vencedor do Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, em sua 3ª Edição (maior prêmio de Literatura, em dinheiro do Brasil, R$ 100 mil).

Para a coordenadora da Jornada de Literatura, Tânia Rösing, a edição deste ano tem como principal diferencial justamente a ampliação do público. “Esse fenômeno é resultado do trabalho de preparação para a Jornada e comprova o desejo das pessoas em encontrar os autores e aqueles que trabalham a questão da leitura também em outros suportes, que não necessariamente o livro”, explica. Ela justifica que a literatura está presente em várias manifestações culturais, além do livro impresso e utiliza como exemplo os sites de poesia na internet, o teatro de bonecos e as exposições de arte baseadas em literatura.

“Nos preparamos também para uma expectativa maior do público, que por ter, em grande parte, participado de Jornadas anteriores, também estará querendo mais dessa edição: mais autores, mais peças de teatro, mais exposições”, diz Tânia. Ela faz questão de destacar como um aspecto positivo do processo de preparação, o grande envolvimento das famílias. Ela explica: “o processo envolve as crianças, adolescentes, pais e demais familiares próximos, lendo e participando de análises de obras como preparação para a Jornada”. Essa metodologia vem sendo utilizada desde 1981, quando ocorreu a primeira edição, a partir de uma idéia do falecido escritor gaúcho Josué Guimarães, principal idealizador do evento. “A metodologia se consolida a partir do momento que mais pessoas estão desenvolvendo o hábito da leitura de forma autônoma. Além do estímulo da escola e dos professores, existe, com a apropriação da leitura pelas famílias, um ganho real, que modifica a prórpia cultura da região no que se refere ao ato de ler. Uma prova disso é que se multiplicam os eventos a partir deste modelo”, garante a coordenadora.

Literatura nossa de cada dia

A partir da experiência das Pré- Jornadas, os organizadores propõem que a literatura não pode ser trabalhada isoladamente. Os leitores passam , neste caso, por um processo que envolve diferentes áreas do conhecimento. O que justifica a presença de Edgar Morin, como conferencista na noite do dia 27, quando explanará sobre as “Propostas para a educação do terceiro milênio”, defendendo o abandono da fragmentação da informação e a necessidade de desenvolver uma cultura voltada para interdisciplinaridade e transdisciplinaridade. “Temos isso vivenciado na prática. Estamos dando vida a uma parte do pensamento de Morin”, expôe Tânia Rösing.

A Pré-Jornada, iniciada em abril passado, conforme seus coordenadores teve abrangência estendida, além da região de Passo fundo, a diversas localidades brasileiras. A estimativa é de que mais de 150 mil pessoas tenham sido atingidas até seu encerramento em 30 de julho. “Essa movimentação cultural é feita por grupos interdisciplinares para análise e interpretação das obras e dos autores que estarão presentes no evento”, explica a coordenadora da Pré-Jornada Dalva Machado Bisognin. Segundo ela, as atividades são realizadas em três momentos. Na primeira etapa são realizadas junto à comunidade (famílias, sindicatos, escolas das redes pública e privada, presídios), onde são difundidas as obras e o trabalho dos autores. Num segundo momento são formados grupos que realizam encontros por afinidades. E no terceiro momento cada leitor escolhe três autores e três obras para leitura e análise individual. Posteriormente são realizados seminários para a troca dessas experiências. Os resultados na comunidade são sentidos na conquista do hábito da leitura para muitas pessoas que, inclusive, não necessariamente participantes efetivos da Jornada. Para se ter uma idéia, os números da Pré-Jornada referentes à edição passada, o efeito multiplicador das 4,70 mil pessoas envolvidas diretamente com as atividades, resultaram ao final do processo num saldo de 150 mil leitores envolvidos. Os números exatos deste ano serão computados em setembro.

Leitura atrás das grades

Pela primeira vez as atividades da Pré-Jornada foram levadas ao Presídio Regional de Passo Fundo. Lá, um grupo de 30 apenados participou de um seminário que discutiu literatura, no dia 17 de julho. O trabalho iniciou um mês antes, quando a professora Alba Oliveira Ficanha procurou a equipe da Jornada de Literatura em busca de obras para os detentos lerem. Alba trabalha com as disciplinas de Português e Literatura no Núcleo Estadual de Educação de Jovens e Adultos (Neeja) instalado no Presídio. “A leitura é uma forma de acesso à cidadania e a Jornada de Literatura, neste ano, com o debate sobre a inclusão, abriu as portas a nós”, destaca a professora.

Os presos tiveram contato com as obras de autores como Luiz Augusto Fischer, Zélia Gattai, Luiz Antonio de Assis Brasil, Márcia Kupstas e Dráuzio Varella. Para a coordenadora das Pré-Jornadas, professora Dalva Bisognin, a Jornada de Literatura deste ano, até mesmo em função do seu tema, inclusão, não poderia deixar de desenvolver atividades sociais voltadas aos detentos. “Todos podem e devem ser incluídos neste mundo da leitura, porque todos podem crescer muito através do hábito de ler”, conclui Bisognin.


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Nelson Diniz, ator de teatro cinema e televisão, portoalegrense da safra de 1963, ganhou o Prêmio Açorianos de melhor ator em 2000 e Prêmio APTC de melhor profissional do Cinema Gaúcho, em 1999. Atuou em mais de vinte espetáculos teatrais e em filmes como...

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